#Devocional

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Ontem foi domingo e em todo o mundo dezenas, centenas, milhares e milhões de pessoas se reuniram em suas igrejas para ouvirem a exposição da Santa Palavra de Deus.

Em uma de suas parábolas, Jesus comparou cada uma dessas pessoas a um tipo de solo e comparou a Palavra pregada à semente lançada pelo semeador (Marcos 4:1-20).

O fato é que a mesma Palavra é pregada a um grupo diversificado e cada pessoa a recebe de uma forma: uns com indiferença, outros com certo entusiasmo inicial, mas que logo se perde. Mas há um grupo, um seleto grupo, no meio da multidão. Esses são aqueles que, segundo Marcos 4:20, “ouvem a palavra e a recebem, frutificando a trinta, a sessenta e a cem, por um”. O que Jesus estava dizendo?

Essa parábola foi pregada diante de uma “numerosa multidão”, mas Jesus estava ciente que nem todos ali frutificariam, nem todos ali receberiam as boas novas da mesma forma; essa era uma realidade a ser considerada pelo semeador – realidade esta que não deveria ser motivo de frustração, pois, o Mestre deixa claro que a razão disso não está na qualidade da semente, mas no solo e nas circunstâncias em redor.

Pode ser frustrante para o semeador lançar, vez após vez, sementes e mais sementes e onde ele esperava brotar, não ver nenhum sinal de vida, ou ainda se animar com alguns vestígios que logo desaparecem.

Contudo, a alegria do semeador não deve consistir na quantidade, mas na qualidade, pois uma única semente plantada em solo fértil (um solo regado pelas águas do Espírito) produz uma colheita tão proveitosa que faz valer todo o trabalho árduo. Aquela única semente é como aquele um filho que compreende e se arrepende. Ele se torna motivo de júbilo e festividade (Lc 15:11-32).

Portanto, por difícil que seja, o semeador, não deve se iludir com o número e nem se frustrar com a pouca quantidade. O próprio Senhor não se deixou deslumbrar pelas numerosas multidões que o ouviam, pois, na matemática do Reino mais importa ‘um’ que frutifica a trinta, sessenta e cem do que milhares que não produzem fruto nenhum.

Naqueles que são filhos de Deus o fruto pode demorar a surgir mas quando vem é aquele fruto eterno, é aquele fruto genuíno que permanece. Aquela pequena semente de 10 anos atrás se torna uma árvore de raízes profundas plantada junto a ribeiros, dando fruto a seu tempo. Sim, crentes maduros levam tempo, mas eles são eternos. É preciso paciência até que eles venham.

As teologias vigentes podem exigir produção de crentes através de métodos artificiais, mas, o Grande Semeador ainda usa o método antigo “um a um”, ele cuida de cada semente, uma a uma e persevera em Sua espera paciente.

Soli Deo Gloria.

No Amor de Cristo,

Prisca Lessa

Devocional, pra que te quero?

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P.S: Pessoal, me perdoem, houve um erro de edição no blog, por alguma razão ele duplicou alguns trechos  e incluiu compartilhamentos do Facebook. Só me dei conta agora, graças a algumas observações que me foram passadas. Já foi corrigido, mas caso algo passe despercebido aos meus olhos, sintam-se livres para comentar. Obrigada ❤ 

      Quero falar um pouco sobre DEVOCIONAL, essa prática fundamental para a boa saúde espiritual de todo cristão, mas estranha para muitos. É triste constatar que boa parte dos cristãos não têm uma vida devocional consistente. Muitos não sabem o que é um devocional, outros até sabem, mas não sabem por onde começar. Talvez você faça parte desse grupo, se for o caso, esse post é pra você. Meu intuito é explicar e incentiva-la a cultivar a disciplina devocional e estou certa de que esse cultivo (diário) lhe trará progresso espiritual consistente. Dito isso, vamos partir do início.

  • O que é o DEVOCIONAL?

      Devocional é o momento que separamos no dia para nos dedicarmos a algumas disciplinas espirituais como a oração, a leitura da Palavra e a meditação. Ele também pode incluir um período de cânticos espirituais.

  • Quando se deve fazer o Devocional?

O devocional é uma prática diária. Por experiência, eu sempre aconselho que ele seja realizado no primeiro período do dia, pela manhã. Antes mesmo de sair do quarto para outras atividades. Por quê? Porque, uma vez que você sai do quarto, as tarefas do dia já começam a lhe chamar e é muito mais difícil retomar à solitude do quarto e se concentrar para orar, ler a Bíblia e meditar. Por isso, eu gosto de falar com Deus antes de falar com qualquer outra pessoa (isso inclui conversas virtuais).

      Há pessoas que acordam muito cedo e não têm tempo de fazer devocional antes de sair de casa, algumas delas conseguem fazer à noite. Pessoalmente (isso não é uma regra) eu tenho dificuldade com devocionais noturnos. Primeiramente, porque a ideia de fazer o devocional pela manhã é começar o dia em comunhão com Deus. A Palavra que lemos pela manhã é aquela na qual meditaremos ao longo do dia, digerindo, ponderando, assimilando. Assim como é benéfico começar o dia com um bom e nutritivo café da manhã, é totalmente revigorante começar o dia bem nutrido espiritualmente. Em segundo lugar, a noite normalmente estamos mais cansados e sonolentos o que dificulta o nível de concentração. Se você chega em casa e ainda precisa fazer janta, cuidar da casa, estudar, provavelmente o devocional será a última atividade do seu dia e a probabilidade de você dormir orando é grande (já fiz isso diversas vezes). Em terceiro lugar, fazer o devocional logo de manhã é uma forma de priorizar aquilo que é de fato importante. É uma forma de mostrar (primeiramente a nós mesmas) que, apesar das urgências do dia, escolhemos a boa parte.

       Quando Jesus foi à casa de Lázaro, Marta estava entretida com seus muitos afazeres, ela havia priorizado as tarefas do dia (a fim de poder servir a Jesus), embora sua intenção fosse boa, Jesus lhe disse: “Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas; entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só, Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada” (Lucas 10.41,42). Não devemos deixar que as perturbações do dia a dia tirem de nós a melhor parte, a oportunidade de passarmos um tempo aos pés do Senhor conhecendo mais de sua Santa Palavra. Todas as outras coisas nos podem ser tiradas, exceto aquilo que cultivamos da presença de Deus.

      O devocional é a nossa porção diária, o maná que precisamos para viver cada dia. Nesse período temos a oportunidade de receber a orientação e o conselho de Deus para as nossas vidas. É como a orientação que a mãe dá a seu filho antes de despedi-lo para as atividades do dia. E em quarto lugar, ao iniciarmos o nosso dia com o período devocional, estamos declarando a nossa dependência de Deus, reconhecendo que sem Ele nada podemos fazer.

      A prática devocional traz muitos frutos, mas uma vida frutífera não vem sem sacrifícios. Se é preciso sacrificar um período do seu sono para ter esse tempo, faça-o. Paulo falando a Timóteo disse: “Exercita-te, pessoalmente na piedade. Pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, pois tem promessa da vida que agora é e da que há de ser.” (I Tm 4.7,8) Se há algo que vale todo o nosso esforço é o exercício espiritual.

  • E se eu realmente não puder fazer devocional pela manhã?

      Como eu já disse, isso não é uma regra, mas um conselho pessoal. Estou ciente de que existem casos e casos. Cada um tem uma realidade e sua rotina [por exemplo, mães de filhos pequenos]. Quem dera todos pudessem fazer isso, mas, se você não pode, então, agende um horário para que possa fazer isso, seja na hora do almoço, ao chegar em casa ou antes de dormir. Mas é importante que você deixe um horário fixo para isso.

      O devocional deve ser INTENCIONAL, ou seja, deve ter hora e lugar marcados. Não espere sobrar um tempo para fazê-lo (nunca vai sobrar), ou sentir um toque especial no coração. Não romantize. Prepare esse tempo; desligue ou silencie o celular, escolha o local e o horário adequado para que não haja interrupção.

  • Quanto tempo devo dedicar ao período devocional?

      Isso pode variar. No meu caso, normalmente eu separo 1h, mas não tenho uma regra de “x” minutos para cada coisa, isso varia. Há dias em que eu levo muito tempo orando e há dias em que minhas orações são mais curtas… Mas, a leitura da Palavra nunca deve ser negligenciada. Com o hábito, a devocional se torna cada vez mais fácil e prazerosa e nem percebemos o tempo passar.

      Uma boa dica para aproveitar o tempo é anotar assuntos de oração, assim, você não precisará ficar divagando em busca do que orar. É importante pensarmos no que vamos orar e não simplesmente esperar que os motivos surjam, pois, às vezes, eles demoram a surgir – principalmente se você acabou de acordar. Além de anotar os seus motivos de oração, uma boa dica é ter em mente ou em mãos uma lista dos atributos de Deus para iniciar sua oração exaltando a glória de Deus – por vezes esses atributos nos fogem da mente. Sei que pode parecer estranho a princípio e até meio mecânico, mas é melhor do que ficarmos inventando o que falar a Deus.

      Medite sobre os atributos de Deus. Não é horrível quando alguém tem que falar coisas boas a seu respeito e ela simplesmente não sabe o que dizer? Isso demonstra duas coisas, ou ela não reconhece tais qualidades em você ou ela não te conhece. Qualquer um dos casos seria ofensivo para nós e não é diferente com Deus.

      Se lhe faltarem palavras para orar, existe um recurso infalível: as Escrituras! Oras as Escrituras é uma das experiências espirituais mais lindas que podemos experimentar. Orar os Salmos, em especial, é muito enriquecedor – enriquece a mente, o coração e o nosso vocabulário. Com o tempo, nossa boca se enche de elogios a Deus. Isso é maravilhoso. Por isso, crie o hábito de orar as Escrituras também.

      Também é muito útil anotar os pedidos de oração por data e lembrar-se de anotar quando tiver recebido uma resposta de Deus a eles.

  • Como devo ler a Bíblia?

      Essa pode parecer uma pergunta boba, mas ela é FUNDAMENTAL. Eu aprendi o que era devocional na adolescência, mas confesso que minha vida devocional só cresceu de forma consistente nos últimos cinco anos. Um dos pontos chaves para isso foi a mudança na minha forma de ler a Bíblia. Por muitos anos, eu fazia exatamente assim: Eu orava pedindo a Deus que me iluminasse e depois abria a Bíblia aleatoriamente e o primeiro versículo (interessante) que eu batia o olho era o versículo do dia para a minha meditação. Resultado: meu conhecimento bíblico sempre foi muito frágil e superficial. Além disso, havia dias que eu não encontrava de primeira “o texto inspirado do dia” e eu ficava muito frustrada com Deus e entendia que Deus não queria falar comigo naquele dia (olha o absurdo)! Felizmente, Deus não me deixou na ignorância e aprendi que a melhor forma de ler a Bíblia é a mesma forma que lemos um livro: a partir do início. Ninguém pega um livro para ler e abre na metade e começa a ler a partir dali – sem nenhuma conexão com o que vem antes e depois, isso não faria o menor sentido! A Bíblia é um livro, ela possui uma lógica, uma coerência, uma sequência com começo meio e fim. Sem essa perspectiva maior, nossa leitura sempre será frágil.

      Portanto, não leia a Bíblia de forma desconexa. Escolha um livro específico no qual irá meditar durante um período e então, leia-o do início ao fim. Leia em sequência, isso disciplinará a sua mente, pois, normalmente, a nossa tendência é ler somente aqueles versículos “gostosos”, mas é vital que aprendamos a explorar eficientemente a Palavra de Deus para o nosso próprio benefício.
“Uma pessoa que lê a Bíblia de modo casual, uma página aqui e outra ali, não é, em nenhum sentido, um estudioso dela” (Howard F. Vos)

      Esse ano minha leitura devocional começou no livro de Jó e agora iniciei o Novo Testamento. Meu propósito é meditar nos quatro Evangelhos e depois nas epístolas. É importante ressaltar que a leitura devocional é diferente daquela leitura anual que fazemos da Bíblia. Qual a diferença? A diferença é que a leitura devocional é meditativa, ou seja, você se atém às partes menores para poder se aprofundar – pessoalmente, eu acho que até mesmo a leitura anual não deve ser uma mera leitura corrida, mas uma leitura pausada, com anotações para que possamos assimilar o máximo do conteúdo.

      Leia o texto mais de uma vez, não vá com muita sede ao pote, leia trechos pequenos por vez para poder digerir. Você pode passar uma semana meditando em um único versículo e a cada dia o Senhor me trará novas coisas sobre o mesmo texto.

  • Por que não usar devocionais prontos?

      Devocionais prontos têm sua utilidade, mas eu diria que são como aquela barrinha de cereal que você come rapidinho de manhã ou põe na bolsa pra comer quando está com muita pressa e não tem tempo de tomar café da manhã. Ou seja, eles podem ser usados em certos casos, mas não devemos nos habituar a eles. A razão disso é que, assim como uma barrinha de cereal, eles servem para o momento, mas não fornecem nutrição a longo prazo. Esses devocionais tendem a nos tornar espiritualmente preguiçosos porque não temos o trabalho de cavoucar o texto, questioná-lo e queimar alguns neurônios – sim, porque embora seja um exercício espiritual, ler a Bíblia envolve esforço mental.

      Além de trazer versículos aleatórios limitando a nossa compreensão do todo, a maioria das pessoas que se habituam a usá-los acabam nem lendo os versículos na própria Bíblia. Outro ponto é que o Devocional sempre será a compreensão daquele autor que meditou no texto bíblico, ou seja, são as impressões dele sobre o texto. Isso tem o seu valor, mas Deus deseja falar diretamente conosco usando nossa mente e entendimento. Parafraseando Howard F. Vos, não se prive da bênção de descobrir, por si mesma, verdades eternas[1].

Dispense a preguiça.

      Somos facilmente tentados a usar recursos que facilitam a nossa compreensão como, por exemplo, os comentários contidos nas Bíblias de estudo; e acabamos nos tornando preguiçosos. Mal lemos o texto e já vamos direto nos comentários para ver o que o comentarias tem a dizer. Você sabe como o comentarista chegou e tais conclusões? (Fazendo aquilo que nós, muitas vezes, temos preguiça de fazer) Meditando! Não existe outro caminho.

“A repetição de verdades bíblicas profundas, descobertas por um Spurgeon ou um Moody ou um Morgan, tornou-se uma prática aceita. Muitas pessoas querem ter a habilidade de proferir belos pensamentos semelhantes aos desses grandes homens do passado, mas não conseguem discernir as bênçãos mais ricas de Deus porque não estão dispostas a pagar o preço para descobri-las. Outras podem ter a ambição e perseverança, mas não sabem como encontrar, por si mesmas, as riquezas da Palavra de Deus. As coisas mais profundas da Palavra não estão reservadas para algumas pessoas especiais, mas estão disponíveis a todos os que as procuram. No entanto, o fato de que todos podem investigar minuciosamente as profundezas da verdade espiritual, não significa que eles possam fazer isso sem esforço. Procurar atalhos é uma das grandes maldições do momento; não existe nenhum atalho para o conhecimento verdadeiro da Palavra. A Filosofia do ‘Aprenda Espanhol em Vinte Lições Fáceis’ não funciona com Deus. A única maneira de obter sucesso nesse campo é por meio do trabalho árduo e de uma dependência no ministério de ensino do Espírito Santo.” (Howard F. Vos)

      O texto pode parecer difícil à primeira vista, mas leia diversas vezes. Há textos que preciso ler três, quatro, cinco, quantas vezes forem necessárias, até que eu entenda (e quando realmente não entendo uso o auxílio de um comentário bíblico). Ou seja, o comentário deve ser o último recurso. Acima de tudo você use a própria Escritura. O contato direto com a Palavra de Deus nos fornece todos os nutrientes que precisamos para uma boa saúde espiritual. Não dispense isso.

      A Bíblia explica a si mesma. Muitas vezes a resposta a questionamentos que surgem durante a leitura de determinada passagem se encontra em um outro texto bíblico, por isso, é importante ter uma visão ampla da Bíblia e também conhecer os temas centrais que ela aborda. Pode parecer difícil, mas meu objetivo é te incentivar e não desanimar. Garanto que à medida que você lê tudo isso vai se tornando claro.

Continua…

[1] Em seu livro Métodos de Estudo Bíblico, editora Cultura Cristã.

Conhecer e prosseguir em conhecer também vale para o casamento.

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Quando um casal inicia um relacionamento, há tantas coisas em comum e tantos assuntos a ser conversados que, às vezes, o tempo parece inimigo. O tempo se torna pouco diante de tantos assuntos. Ainda que houvesse um dia todo livre, ele não seria suficiente para satisfazer o desejo de conhecer e ser conhecido pelo outro. As despedidas no portão, na rodoviária ou no aeroporto são sempre dolorosas e o final das ligações traz consigo um misto de alegria e saudade.

Até que um dia os dois, finalmente, se casam e não há mais despedidas dolorosas. Finalmente eles têm tempo para conhecer um ao outro. Porém, mais uma vez o tempo parece um inimigo, pois, a rotina acaba consumindo boa parte do tempo e sem perceber eles deixam de lado a deliciosa experiência de prosseguir conhecendo (intencionalmente) um ao outro; partilhando sonhos, desejos, projetos, medos e angústias. Aqueles interesses, que outrora uniram e fascinaram, continuam a existir, no entanto, vão sendo deixados de lado e substituídos pelas coisas urgentes da vida diária, tal como, o vencimento da próxima fatura do cartão.

As coisas corriqueiras passam a ocupar mais tempo e aqueles momentos de caminhadas e conversas intermináveis se tornam cada vez menos frequentes. Com o passar do tempo, o interesse parece diminuir. Não por falta de amor, mas por falta de investimento, dedicação e criatividade no relacionamento – como programar coisas juntos, separar tardes para tomarem um café e falar da vida, da música, arte, filmes; assuntos que encantavam durante o período em que se cortejavam.

É maravilhoso quando descobrimos o outro – de fato, é o interesse nessa descoberta que aproxima duas pessoas inicialmente -, a vontade de conversar e de ouvir o outro só aumenta, porém, não deve se restringir a esse período inicial, ela deve ser cultivada ainda mais no matrimônio. Meu irmão sempre usava um termo interessante quando ia conversar ao telefone com a namorada ou visitá-la. Ele dizia: “preciso ir cultivar o jardim”.

Pois, é necessário continuar cultivando o jardim depois de casados. Não há como esperar belas flores nem bons frutos sem água, carinho, sol, tempo, dedicação e boas ferramentas. Que haja um esforço contínuo em estreitar os laços, em seguir conhecendo ao outro. O amor é fruto do conhecimento. Durante o cortejo e o noivado conheça o outro tão bem quanto isso for possível e prossiga nessa mesma dedicação após o “sim”.

Outro ponto importante, que vale ressaltar é que se você é uma mulher casada (isso também vale para os homens) seu esforço deve ser em conhecer e descobrir coisas em comum com o SEU cônjuge e não com outros homens. Podem existir outros homens divertidos e interessantes por aí, mas a partir do momento em que você se casa, nenhum deles deve ser mais interessante do que o seu marido, nenhuma conversa deve ser mais atrativa e capturar mais os seus pensamentos do que aquelas que você tem com o homem que escolheu para o resto da vida. E se, as conversas entre vocês não têm sido tão interessantes, invista tempo, planeje assuntos e dialogue sobre tudo, mesmo que sejam apenas tolices da vida que, no fim das contas, renderão bons momentos e boas risadas. Conheça e prossiga em conhecer (intencionalmente) o seu cônjuge.

Como disse Edith Schaeffer:

“O amor crescerá à medida que as razões para o amor forem sendo descobertas, analisadas cogitadas, expressas verbalmente e lembradas. Com o passar do tempo, as recordações ficarão mais ricas, vívidas e calorosas”.

P.S. Escrever sobre casamento sendo solteira é sempre um GRANDE desafio. Sinto que não estou devidamente qualificada para tanto, porém, tenho aprendido que a sabedoria proveniente da Palavra de Deus nos capacita a falar, não com base na experiência, mas no conhecimento bíblico. Essa certeza é o que me permite colocar meus pés, ainda que de modo tímido e desajeitado, nesse mar sobre o qual ainda ainda não naveguei. Oro a Deus para que essas palavras sejam úteis não só para casados, mas também no preparo de solteiros incluindo eu mesma. Que o Senhor nos ajude.

Nele, por Ele e para Ele,

Prisca Lessa

Contentamento.

Se há uma palavra que pode definir esse casal, tal palavra é “CONTENTAMENTO”.

Há contentamento nas mínimas coisas. Minha cunhada é a noiva mais desapegada que eu já vi. Para ela tudo está bom, ela não entra em crise, não bate o pé… Ela celebra o recebimento de uma xícara com a mesma alegria que uma geladeira, não despreza nada nem ninguém.

Fui com ela à loja onde foi feito o vestido de noiva e fiquei pasma com a serenidade: “Gente, é só um vestido, calma que vai dar tudo certo”, era ela é quem tranquilizava as funcionárias da loja. O amor e respeito que ela demonstrou com as funcionárias fez com que elas se empenhassem ainda mais e fizessem até além das expectativas.

Com os dois olhos inchados, às vésperas do casamento, ela se ri até das “desgraças”: “Qualquer coisa uso uma franja emo”.

Na escolha do local pra viagem dos noivos: “Pri, o importante é sairmos, pode ser até em Lácio” (quem mora em Marília e região sabe que Lácio não é destino pra ninguém 😅😋)” mas, pela graça  de Deus eles não vão pra lá rs.

Meu irmão disse: “Pri, glorificar a Cristo no casamento não é ter um momento na cerimônia para declarar quem Ele é. Glorificar a Cristo é honra-lo nas pequenas coisas, ser grato, ser ponderado, não entrar em dívidas só pra ter ‘O CASAMENTO’, mas é fazer tudo discernindo a vontade de Deus”.

E, de fato, ao buscar o reino de Deus em primeiro lugar, as demais coisas são acrescentadas nos mínimos detalhes. O Senhor tem acrescentado, tudo o que eles não bateram o pé pra receber. Tudo o que eles abriram mão para não gastar além dos seus recursos, eles receberam como dádiva.

“DÁDIVA” é o que temos visto diariamente, minuto a minuto. Como disse meu irmão, tudo foi feito contando as moedas, mas, pela graça de Deus, as “moedas” não param de surgir! Sim, Deus é um Deus de Providência, Ele multiplica farinhas, azeites, pães e outros recursos para suprir o seu povo. Ele não desampara aqueles que voltam os seus olhos para Ele. Não há dúvidas disso!

Vivenciar esse momento é um aprendizado e tanto! De fato, o CONTENTAMENTO é uma bênção que o Senhor concede para aqueles que nEle descansam. Tenho aprendido muito nestes dias.  Que o Senhor os abençoe.

Soli Deo Gloria.

No Amor de Cristo.

Prisca Lessa.

Não desperdice sua solteirice!

imagesingle17Talvez você já tenha ouvido, ao menos uma dezena de vezes, que a solteirice é um dom de Deus para nós e que, portanto, não deve ser encarada como um fardo ou algo desagradável e sim, como uma bênção. Mas, nossa primeira reação ao ouvir isso, principalmente vindo de mulheres casadas, é pensar: “Ora, é fácil dizer isso, uma vez que você já se casou”. É muito bom ouvir conselhos de mulheres casadas que, assim como nós, já foram solteiras algum dia. Isso nos traz esperança. Mas é verdade também que ao receber incentivo de uma mulher solteira nos sentimos animadas e consoladas por saber que ela está enfrentando as mesmas lutas e desafios que nós. Sendo assim, aqui vão algumas palavras de uma solteira que, após muito “brigar” com Deus compreendeu que ser solteira não é estar no banco de espera, não é estar sobrando ou ser ignorada por Deus, mas é o alicerce de uma vida frutífera. Enquanto solteiras, nossa tendência é desprezar esse momento tão precioso e útil de nossas vidas. Acredite, esse tempo é mais útil do que você imagina.

Uma das melhores coisas que uma solteira pode fazer é conviver com mulheres casadas. Desde o ano passado tenho tido o privilégio de passar o domingo com algumas famílias da minha igreja e tem sido uma oportunidade de aprendizado sem igual. Um dos conselhos que mais ouço das mulheres casadas é: aproveite seu tempo de solteira.

Embora o casamento seja uma grande bênção e algo desejável, ele é um compromisso que exige total dedicação. Ao dizer “sim”, dizemos “não” a certos aspectos da nossa vida e, por isso, a solteirice, é o momento ideal para cumprirmos determinadas prioridades. Ao invés de passar dias, meses e anos sonhando acordada, esse é o momento propício para aprofundar sua vida devocional. Creio que uma das maiores bênçãos na vida de solteira é o tempo que temos com Deus: tempo pra orar, ler a Bíblia, estudar e crescer em profundidade. Após o casamento a demanda de tempo e atividades se torna cada vez maior, pois o lar requer nossa ação diária e constante e, por vezes, nosso tempo com Deus se torna restrito. Por isso, as sementes que você tem plantado hoje em sua vida devocional são fundamentais em sua jornada; elas darão bons frutos dos quais não somente você, mas seu marido e filhos também usufruirão. Se você não tem semeado um relacionamento profundo com Deus hoje, não espere se tornar uma esposa sábia num passe de mágica. O que você tem semeado nesse período de solteira é o que colherá em sua vida de casada.

A solteirice também é um tempo de investir em si mesma e aprofundar o relacionamento com sua família – aproveite, pois, futuramente, você sentirá muita falta deles – e amigos. Estude, trabalhe, faça cursos diversos, viaje, aprenda a cozinhar e a fazer coisas relacionadas ao lar. Já ouvi meninas solteiras afirmarem que não pretendem fazer faculdade, ou qualquer outro curso porque um dia vão se casar (!). Não faz sentido pensar assim, uma coisa não anula a outra e todas as sementes plantadas hoje serão úteis no futuro. Se você é solteira, viva como uma solteira, estude e trabalhe para a glória de Deus – até porque, você também não sabe o quanto tempo permanecerá nessa solteira e à medida que o tempo passa a vida vai exigindo de nós certa autonomia (não dá pra depender dos pais a vida toda).

Enquanto escrevo essas palavras, me lembro da parábola da cigarra e da formiga. Enquanto a cigarra passou o verão cantando, a formiga esteve trabalhando. Talvez, lá no fundo, ela gostaria de estar simplesmente cantando e “curtindo a vida” sem compromisso algum como a cigarra, mas ela era sensata; ela sabia que, cedo ou tarde, o inverno chegaria e ela precisava estar preparada. Então, ela se abasteceu, se preparou, sem desperdiçar um dia sequer. E, por fim, o que parecia desperdício de tempo, no momento certo trouxe seus frutos. O inverno chegou e a cigarra insensata não estava preparada para essa nova fase, mas a formiga sim. Essa pequena ilustração me faz refletir sobre os seguintes questionamentos: Como você tem encarado seu tempo de solteira? Quais têm sido suas prioridades? Deus nos preparou esse tempo precioso para que o desfrutemos da melhor forma. Aprenda a otimizá-lo, pois uma das bênçãos que a solteirice nos proporciona é o tempo. Saiba aproveitá-lo.

Há muitas solteiras ansiosas por se casar, mas as mesmas também dizem: “Não sei/Não gosto de cuidar de crianças”, “não sei/não gosto de cozinhar”, “não sei/não gosto de cuidar da casa”. Pois bem, se ainda não sabe, esse é o tempo de aprender, pois, uma vez casada essas atribuições serão parte de sua rotina. Por isso, invista seu tempo em coisas úteis para sua formação integral, não somente acadêmica, mas também doméstica. Por vezes, investimos quatro, cinco e até mais anos de nossas vidas nos preparando para exercer determinada profissão e negligenciamos a preparação para o matrimônio, precisamos ser sábias e aprender a remir o tempo. Deus é tão bom que nos concedeu os anos de nossa solteirice como preparo para exercer uma carreira para o resto de nossas vidas: ser esposa e mãe.  Agora é o melhor momento o melhor para nos prepararmos sem grandes pressões e cobranças.

Leia tudo o que puder e o quanto puder, conheça mais a si mesma, aprenda a cozinhar, a cuidar da casa, a costurar (nem que seja um botão), a passar roupas (e camisas sociais!), aprenda a lavar roupas na mão (afinal, nem tudo se resolve com máquina de lavar), aprenda a exercer o dom da hospitalidade, a ser cuidadosa, amável, dedicada; aprenda a dominar suas palavras. E se você tem dificuldades com a submissão, é tempo de começar a exercitá-la, cultive um espírito de mansidão.

“[…] seja, porém [o adorno da esposa], o homem interior do coração, unido ao incorruptível trajo de um espírito manso e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus.” (I Pedro 3:4)

Há muito a ser trabalhado em nós e Deus, melhor do que ninguém o sabe e, por isso nos concede tempo útil para nos moldar e aperfeiçoar para Sua glória. Ao invés de listas intermináveis do que você espera em um marido, há itens suficientes para listar aquilo que você precisa aprender, bem como as qualidades e virtudes que precisa cultivar. Diante disso, o tempo de solteira até parece pouco, mas, não se desespere, pois Deus é tão bom que dá a cada uma de nós tempo suficiente. É claro que, por mais que nos preparemos agora, há coisas que só serão aprendidas depois de casadas, mas até lá, há muito trabalho a ser feito e não há tempo a perder.

Compreender que a solteirice é uma bênção de Deus para nós, produz um espírito de gratidão.

Sou grata a Deus pelos sábados quando posso me levantar tarde, pois sei que um dia, quando houver tarefas matinais e crianças lindas e agitadas, me acordando logo cedo, essa mordomia irá terminar.

Sou grata a Deus quando desfruto dos meus períodos de silêncio, leitura e meditação em minhas devocionais, pois sei que um dia outros sons farão parte das minhas manhãs e não terei tanto tempo disponível, mas essas palavras sobre as quais me debruço hoje estarão em meu coração e me fortalecerão.

Sou grata a Deus por ter um tempo para ler meus livros diariamente e o louvo, pois sei que um dia meus livros serão mais coloridos. Ao invés de Teologias Sistemáticas, passarei mais tempo lendo e me deliciando com histórias infantis.

Sou grata a Deus por poder dedicar mais tempo servindo à minha igreja, pois sei que um dia o Senhor me chamará para servi-lo me dedicando ao meu marido, filhos e lar e Ele será proporcionalmente glorificado nisso.  

Sou grata a Deus quando me sento para tomar meu café da manhã sem pressa, e igualmente grata quando me sento para escrever meus textos sem compromisso com o tempo.

Sou grata a Deus por ter minha mãe em casa e desfrutar do seu cuidado, que me permite viver minha solteirice sem grandes pressões e com quem posso aprender diariamente a ser uma esposa excelente.

Enfim, há muitas razões para ser grata a Deus hoje enquanto solteira; assim como haverá muitas outras para ser grata quando eu for esposa, dona de casa e mãe. Quando esse momento chegar, poderei louvar a Deus ao me recordar dos anos de minha juventude e dar graças porque me lembrei do Senhor em todos eles e me foram prazerosos (Ec 12.1). Por isso, lembre-se do seu Criador hoje enquanto você é solteira. Seja grata pelos pequenos vislumbres da graça Deus em seu dia a dia – como ter suas roupas lavadas e passadas sobre sua cama, encontrar uma refeição pronta à tua espera após chegar do trabalho ou da faculdade e poder, simplesmente, se “jogar” na cama sem maiores preocupações. Alegre-se, essas são dádivas do Senhor pra você no dia de hoje.

Por fim, quero deixar dois desafios, o primeiro é um desafio de gratidão: Pelo que você é grata a Deus sendo solteira? Compartilhe conosco e faça desse ato de gratidão um exercício diário.

A lista de coisas a fazer e aprender enquanto solteiras é grande e, por isso, eu quero de desafiar incentivar a fazer a sua própria lista de coisas que você deve a aprimorar: seja em questões espirituais, aperfeiçoamento de caráter, mudança de hábitos, novos aprendizados. Gaste um tempo para se autoanalisar. Muitas jovens fazem listas daquilo que esperam e desejam num homem, mas faça a lista daquilo que você almeja ser como mulher de Deus, e ore a Deus pedindo sabedoria e direção para que, com Sua graça, você alcance isso. Hoje é o tempo propício. Se você souber desfrutar de sua solteirice como a Bíblia ordena, cuidando em agradar ao Senhor, certamente, saberá desfrutar de sua vida de casada, pois a mulher que dedica sua solteirice em agradar ao Senhor (e não a si mesma), certamente agradará ao seu marido. Que o Senhor nos ajude a enxergar a graça que Ele nos tem concedido enquanto solteiras. Não desperdice sua solteirice, desfrute-a para a glória de Deus!

No Amor de Cristo,

Prisca Lessa

É preciso paciência. 

– Por favor… cativa-me! –  disse ela.

– Eu até gostaria – disse o principezinho –, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer .

– As gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa – Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas, como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

– Que é que preciso fazer? – perguntou o pequeno príncipe. 

– É preciso ser paciente – respondeu a raposa. 

(O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry)

Poesia Cristã: Bom dia, Amor.

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Não é porque não tenho um amor meu,

eternamente meu,

que vou sair por aí dizendo

que não acredito no Amor:

se o oceano não cabe num copo

a culpa não é do oceano,

mas do copo pequeno demais para contê-lo.

Como o Fiel repete o credo

diante do perseguidor,

lutando contra a realidade,

esperando contra a esperança,

com uma fé de criança

deixo que fale a saudade

na frase que sei de cor:

– Bom dia, Amor!

Se o céu é de quem crê,

eu acredito em você:

– Bom dia, Amor!

Sei que me chamam de tola,

sonhadora e inconsequente,

mas quem sabe da gente

é a gente,

não é, Amor?

Brinque comigo o destino

eu farei da dor um hino,

cada manhã repetindo:

– Bom dia, Amor!

(Myrtes Mathias)