O sofrimento justifica minha falta de amor? Olhe para a cruz!

cross-equals-love

“E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, e a irmã dela, e Maria, mulher de Cléopas, e Maria Madalena. Vendo Jesus sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí a tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa” (João 19:25-27)

Essa é a narrativa do apóstolo João acerca das últimas horas de Jesus. Nesta ocasião, o Senhor já estava crucificado; cansado, faminto, sedento, ferido. A dor da traição também o afligia; muitos dos seus discípulos o haviam abandonado. Mas, ali, junto à cruz, permaneciam alguns dos seus, dentre eles Maria, sua mãe, e também o discípulo amado[1].

Aquele era, sem dúvida, o pior momento da vida de Jesus, Ele experimentava dor intensa em todas as dimensões do seu ser. Estava esgotado, não havia mais forças em si mesmo. O Salvador estava prestes a morrer, mas não sem antes nos falar ao coração mais uma vez: ali, nas piores condições, Jesus nos ensina um dos grandes princípios da fé cristã: o amor ao próximo.

Em seu momento de dor, Jesus não deixou de lado o grande mandamento, Ele amou, e amou até o fim. João nos conta de um momento íntimo exclusivo em sua epístola, onde Jesus, Filho de Deus nascido de mulher, expressa seu amor e cuidado por sua mãe. Maria permaneceu ao seu lado até o último instante. Não ousou tentar impedir que esse momento ocorresse – ela sabia que para este momento o Filho de Deus lhe fora concedido. Ainda assim seu coração maternal estava em ruínas. Apesar do horror da cruz, ela não pôde deixar de estar ao lado de seu amado filho e Senhor, por meio de quem havia recebido amor e cuidado ao longo dos anos. Era uma hora difícil. Assim como os discípulos estavam incertos quanto ao futuro após a morte do Mestre, certamente, Maria também nutria medos e incertezas. O que aconteceria a partir daquele dia? Ela esteve com Jesus ao longo dos anos e recebeu dele cuidado e amparo, mas o que aconteceria dali em diante?

“Assumindo o fato de que José não era mais vivo no momento da morte de Jesus, começamos a entender o motivo pelo qual houve uma preocupação toda especial com sua mãe na crucificação. Jesus era o responsável por ela. O costume judaico dizia que, uma vez morto o pai, a herança era dividida imediatamente da seguinte forma: metade dos bens para o filho mais velho e a outra metade dividida entre os filhos homens. O primogênito ficava com a maior parte, pois lhe cabia sustentar a mãe enviuvada e as irmãs solteiras.”[2]. Conforme indicado no Evangelho de Lucas, a família de Jesus era pobre, eles não possuíam muitos recursos; Jesus não possuía uma renda, mas é possível que com o pouco ainda conseguisse suprir os cuidados de sua mãe. Porém, com sua morte Jesus se preocupou com o bem-estar de Maria manifestando sua responsabilidade de filho mais velho ao prover para ela sustento designando-lhe um filho na fé: “Mulher, eis aí teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí a tua mãe”[3].

            Esta breve, porém sensível, narrativa de João tem muito a nos ensinar. Em seu pior momento de dor, Jesus não deixou de manifestar amor. Seu amor não estava condicionado às circunstâncias, sentimentos ou pessoas. Mas nós dificilmente assumimos essa postura. Pelo contrário, é muito comum que em momentos difíceis nos isolemos, nos inclinemos ao egoísmo e coloquemos nossos sentimentos – problemas e frustrações – em primeiro lugar. Sentamos em nosso trono e julgamos que os outros têm a obrigação de se sujeitar à nossa amargura porque estamos sofrendo.

Usamos o sofrimento como uma licença para sermos insensíveis, duros e ausentes.

            Usamos a justificativa “eu não estou bem” como licença para proferir palavras amargas, deixar de dar atenção, abraçar e atender às necessidades do outro. Sob esta “licença” nos tornamos rudes, frios, desafetuosos e impacientes com aqueles que estão ao nosso redor e não nos sentimos culpados por isso, afinal não estamos e o mundo precisa entender isso. “Estou sofrendo e o sofrimento justifica minha falta de amor”.

            Mas, quando olhamos para a cruz aprendemos que nem mesmo o (pior) sofrimento justifica a falta de amor. Cristo nos ensina que o verdadeiro amor não se deixa vencer pelo sofrimento. Se há alguém que tinha o direito de viver seu sofrimento plenamente sem se importar com ninguém esse alguém é Jesus. Ele, que havia sido abandonado, poderia abandonar a todos. Ele, que havia dedicado sua vida pelos outros, poderia escolher viver aqueles últimos instantes para si mesmo; se voltar para o Pai e esquecer de todo o resto. Mas, não, o Senhor não usou o sofrimento como instrumento de egoísmo, pois, o amor nunca é egoísta.

            Não quero com isso dizer que é fácil, nós bem sabemos o quanto é difícil. É difícil amar quando estamos feridos. As palavras saem atravessadas facilmente; nossa tendência é nos voltarmos para dentro e esquecermos o mundo; nossa tendência é sentir raiva daqueles que não estão sentindo o nosso sofrimento – ainda que não expressemos isso em palavras. Quando sofremos é difícil olhar para as necessidades do outro, mas Jesus olhou. Não somente para Maria, mas para aqueles homens crucificados junto a Ele, olhou para cada um de seus discípulos, presentes e ausentes, olhou para mim e olhou pra você. Amar é a demonstração prática do evangelho e viver o evangelho não é fácil.

            O evangelho é duro, pois nos diz que mesmo sangrando devemos ser santos, devemos ser como Cristo. Ele nos aponta a direção contrária ao nosso coração e nos ensina que mesmo quando estivermos sentindo profunda tristeza de alma, devemos amar ao nosso próximo. Não devemos despejar o sofrimento sobre o outro, pelo contrário, devemos usar o sofrimento como ocasião para nos assemelharmos a Cristo. Devemos usar o sofrimento para servir e não querermos ser entronizados e adorados. O sofrimento não dominou o nosso Senhor, não deve nos dominar também. Naquele momento em que deveria ser exclusivo de Jesus, Ele se ocupou em cuidar do coração de Maria. Que o Senhor nos ajude a abençoar em meio ao sofrimento, em meio à mágoa e às adversidades da vida.

Não devemos nos deixar dominar por nada, nem mesmo pelo sofrimento.

            Jesus também nos ensina que nos momentos mais difíceis de nossa vida, Ele provê consolo de onde menos esperamos. Ele cuida de nós. Quando Maria imaginaria que João se tornaria seu filho? Que ele cuidaria dela até ditosa velhice?! Ela não sabia o que seria do seu amanhã, mas Jesus já havia cuidado de tudo. A cruz não era empecilho para o seu agir.            Podemos passar por momentos de medo e incertezas, assim como os discípulos naquela sexta-feira, mas devemos nos lembrar de que se nem mesmo os cravos impediram Jesus de suprir as necessidades de Maria, o que pode impedi-Lo agora que ele está á destra do Pai?! Ele intercede por nós, não importa qual seja o tamanho da nossa angústia, medo e necessidade. Ele cuida de nós. Não existe qualquer circunstância que possa impedir a provisão de Deus para o seu povo. Ele não falha e não se esquece de nós.

            Sabendo disso, nós podemos descansar de nossos sofrimentos, repousar em seu amor e amar uns aos outros como Ele nos ama.

O sofrimento, por maior que seja, nunca deve superar o amor. Na cruz Jesus nos mostra que nem mesmo o pior sofrimento supera o amor.

            “Tendo amado os seus, amou-os até o fim” (Jo 13:1).

Senhor, ajude-nos a amar. Até o fim.

 

No amor de Cristo,

Prisca Lessa

Advertisements

Apoio.

índice

Olá, queridas irmãs (e irmãos) que acompanham o blog! Me perdoem pelo sumiço, há semanas não tenho escrito nada por aqui, mas isso é (em parte) por uma boa causa: ando atarefada na execução de um projeto especial e gostaria de compartilhá-lo com vocês.

Trabalhar com famílias sempre foi um sonho; desde o ano passado iniciei um projeto para pais chamado Espaço Saber, cujo objetivo é atender pais de alunos matriculados em escolas públicas (ou particulares). O projeto inclui palestras bimestrais com temas voltados para a família e um acompanhamento mensal onde os pais têm um tempo para ouvir e serem ouvidos acerca das dificuldades familiares e pessoais.

Tenho encarado isso como uma missão cujo objetivo é enfatizar o valor da família na sociedade e especialmente na formação das crianças.

Esse ano o projeto ganhou corpo e está sendo implementado numa escola conveniada com a prefeitura na cidade de Vargem Grande Paulista, onde resido atualmente, e no dia 14/04 faremos o primeiro encontro cujo tema é:

“ADAPTAÇÃO E DISCIPLINA NA INFÂNCIA”

Falaremos sobre a importância da disciplina (o valor do não, a necessidade de impor limites aos filhos) e o papel dos pais na formação da criança.

Como o projeto está em fase embrionário, ainda não há recursos nem apoio financeiro suficiente para nos organizarmos. Mas, creio que Deus abrirá as portas. A fim de arrecadar recursos para este primeiro encontro estamos fazendo de tudo um pouco e surgiu a ideia de criarmos uma vaquinha. Nossa meta é R$700,00, mas o que conseguirmos já será de grande valia e sei que Deus multiplicará o que tivermos.

Caso queiram e possam colaborar, ficarei feliz e grata. Mas acima de tudo, conto com as orações de vocês, porque sei que se não for o Senhor nada disso será feito e, acima de tudo, meu desejo é que todo esse trabalho seja pra glória dEle e não nossa e que muitas famílias sejam alcançadas.

Por isso, deixo aqui o meu convite para que você seja nosso parceiro nessa missão. Qualquer dúvida, estou à disposição.

Segue o link da Vakinha:
https://www.vakinha.com.br/vaquin…/primeiro-encontro-de-pais

E nos ajudem compartilhando! Muitíssimo obrigada, queridos!

No Amor de Cristo,

Prisca Lessa

 

Li e recomendo: As Firmes Resoluções de Jonathan Edwards.

27145363_10215537130164061_1465556027_o.jpg

Comecei o ano com leitura desse livro: “As Firmes Resoluções de Jonathan Edwards”, de Steven Lawson (Ed. Fiel). O livro faz uma análise da vida de Jonathan Edwards por meio das 70 resoluções que ele fez e seguiu ao longo de sua vida. Não se trata de um livro de leitura rápida, embora seja bem pequeno, este é um daqueles livros meditativos, pois em cada capítulo o autor apresenta um desafio a ser aplicado em nossa vida cristã. Isso torna a leitura bem reflexiva. Olhar a vida de Edwards gera um incômodo; ele foi um homem cuja busca pela glória de Deus, por meio de uma vida de santidade, se destacou. O questionamento que me acompanhou ao longo dessa leitura foi: quão empenhada e comprometida com minha santificação eu tenho vivido? Sim, é o Espírito quem opera em nós a santificação, mas há também o imperativo: “sede santos”. Essas duas verdades andam juntas e não se anulam. A santificação não é um processo estático, o apóstolo Paulo se refere a ela de modo bem ativo: como uma corrida, como um atleta em exercício; ele também usa termos pesados como esmurrar o seu próprio corpo. O processo é ativo e não inerte.

Edwards vivia uma vida de constante avaliação, por isso formulou suas resoluções como um meio de avaliar-se. Elas também foram formuladas à medida que ele descobria em si áreas que precisava mudar. Cada resolução era um lembrete diário. Ele as relia semanalmente.
Como um atleta disciplinado e focado em sua missão, Edwards se dedicou em preparar-se para encontrar o Senhor. Não porque achasse que a salvação dependia de suas obras, mas como noiva que não poupa caprichos ao se adornar para o noivo, Edwards se empenhou em cultivar uma vida de piedade para se apresentar diante do Grande Noivo. Seu compromisso com a glória de Deus era tamanho que envolvia não somente o aspecto espiritual, mas todas as esferas de sua vida.

Um dos trechos que mais me marcou fala sobre a preocupação de Edwards com sua alimentação; visto que notava que determinados alimentos após serem consumidos o deixavam mais preguiçoso e indisposto a se dedicar aos estudos e à leitura da Palavra, ele buscava uma alimentação que lhe propiciasse mais disposição física e mental. Será que quando como estou consciente de que esse ou aquele alimento trará mais ou menos benefício para o meu corpo redundando em glória a Deus? Estou ciente dos malefícios que alguns alimentos podem me trazer limitando minha disposição em servir ao Senhor? Trata-se de uma reflexão necessária.

Edwards também tinha um forte senso da importância do tempo, tudo poderia ser recuperado, menos o tempo. Uma vez que prestaremos contas a Deus do uso que fizemos do tempo; Edwards buscava ser zeloso no uso do seu tempo. Isso era algo muito importante para ele. Mesmo falhando em diversos momentos, ele manteve esse foco ao longo de sua vida.

Isso me fez refletir sobre a administração que tenho feito do meu tempo: o tempo gasto no celular, a procrastinação, a negligência, a falta de pontualidade nos compromissos. É algo sério, mas, por vezes, ignorado. Ao fim da vida o que muitas pessoas gostariam é de ter tido mais tempo, mas elas não calculam isso enquanto o tem de sobra. Por isso, precisamos ser mordomos do tempo, assim como das demais coisas que o Senhor nos concede. O exemplo de Edwards me incentivou a iniciar um planejamento diário das minhas atividades. No domingo à noite tenho feito o planejamento da semana – coisas importantes que preciso resolver – e todos os dias e todos os dias antes de dormir, listo tudo o que preciso fazer no dia seguinte, em que ordem farei e quanto tempo (aproximadamente) gastarei em cada atividade, isso inclui o tempo que gastarei no celular. Tem sido muito útil e me ajudado a utilizar melhor o meu tempo. Ainda não está perfeito, mas, aos poucos vou aprendendo.

Edwards também cultivava o hábito de monitorar os seus sentimentos, cada vez que seus sentimentos parecessem desordenados, ele parava e fazia um autoexame. Seus sentimentos lhe serviam de alerta, como escreveu Lawson:
“Sempre que suas emoções estavam fora de forma ‘no mínimo que fosse’, ele se propunha a dedicar um tempo para entender a razão disso. Percebia que uma falta de paz interior serviria como um alarme de que algo estava errado dentro dele. Poderia ser que algum pecado, ainda não diagnosticado, estivesse causando uma falta de contentamento. Poderia ser que ele estivesse falhando em confiar em Deus, sendo por isso, privado de sua alegria interior. Essas condições que alteram as emoções demandavam sua atenção, a fim de que pudesse fazer qualquer correção necessária”.
Edwards buscava estar sempre consciente de suas emoções para não se tornar refém delas. Ele mantinha um olhar atento aos seus sentimentos, a fim de se corrigir se por ventura eles resultassem de algum pecado como a falta de contentamento em Deus. Essa é uma análise sadia e necessária que precisamos fazer diariamente. Precisamos estar conscientes de nossas emoções e orar por elas.
Por fim, a última resolução de Edwards é talvez uma das mais desafiadoras:
“Que haja algo de benevolente em tudo o que eu falar” (resolução n°70, 17 de agosto de 1723). Que seja este um lembrete diário.
No Amor de Cristo,
Prisca Lessa

Por mais Teologia nas Mulheres

24852127_10215148554489912_1487829889256114435_n

Quando decidi criar o “Teologia para Mulheres” minha motivação foi contribuir para que mais mulheres tivessem acesso e interesse pela Teologia sadia e percebendo o quão fundamental o conhecimento, bem como a prática da Palavra de Deus, é fundamental em todas as áreas da vida. Tomei essa resolução, pois percebi o quanto a falta de um conhecimento sólido sobre Deus interfere na vida de muitas mulheres; tornando-as frágeis e vulneráveis a todo tipo de ensino, por vezes aparentemente cristão, mas totalmente nocivo.

A maioria dos programas voltados para as mulheres na igreja se limitam a chás e a abordagem de assuntos bons, porém que não trazem solidez espiritual, de modo que as mulheres nunca amadurecem de fato na fé e se tornam “reféns” de reuniões e aconselhamentos (nada contra essas programações, são ótimas, porém não substituem o contato com a Palavra de Deus). Assim como minha intenção não é que as mulheres se tornem dependentes desse tipo de programações, minha intenção também não é que você se torne dependente deste blog ou qualquer outro recurso, nem mesmo me tornar uma referência em respostas cristãs! E sim que busquem direção na Palavra, que estejam aptas a analisar o texto bíblico e aplicá-lo no dia a dia. Nada nem ninguém pode substituir isso. A Reforma nos deixou esse legado, temos acesso à Escritura em nossas casas, sem mediação, devemos tirar o máximo proveito disso! Há um universo todo a ser explorado, há um Deus infinito a ser conhecido em seus atributos e toda a beleza do seu ser e, definitivamente, não podemos deixar isso em segundo plano.

Estou longe de ser um exemplo, falho todos os dias, inclusive naquilo que eu mesma comunico, mas quando olho para a minha vida, percebo o quanto amadureci – enquanto cristã e enquanto mulher – no momento em que comecei a me dedicar mais em conhecer as Escrituras e hoje meu maior desejo é que muitas outras mulheres vivenciem isso também! Não é um caminho de perfeição, aliás, quanto mais conhecemos a Palavra de Deus, mais descobrimos o pior de nós, mas a graça de Deus tem sido meu alicerce para que dia após dia eu recomece e tente de novo.

Depois que me formei em Teologia, tenho definido meu foco com os seguintes dizeres: “Para que haja mais mulheres na Teologia e mais Teologia nas Mulheres”, e Essa frase se aplica em dois sentidos: primeiramente, no meu desejo de que haja mais mulheres nas turmas de Teologia; mais interesse em não somente dedicar 3 ou 4 anos numa formação profissional, mas também numa formação teológica a fim de conhecer as Escrituras, servir melhor ao Corpo de Cristo – nos mais diversos ministérios, e também em suas casas – educando os seus filhos no caminho do Senhor, na vizinhança – quem sabe iniciando grupos de estudo. Me alegraria muito em ver um bom número de mulheres ensinando Teologia à outras mulheres em suas igreja, em suas casas ou instituições. Em segundo lugar, essa frase reflete o meu anseio de ver mulheres tão mergulhadas nas Escrituras que isso se refletirá em suas atitudes, escolhas, relacionamentos, profissões, conversas. Mulheres cheias da Palavra e cheias de sabedoria. Pra isso, não é preciso passar 4 anos, ou menos, em um seminário, basta começar a usar os recursos disponíveis. Com isso, quero enfatizar tanto o conhecimento quanto a piedade que deve resultar dele; as duas coisas devem andar lado a lado.

Por que estou dizendo isso? Bem, embora o blog ainda esteja dando seus primeiros passinhos, uma das minhas preocupações é que ele não perca essa característica, esse propósito inicial, levar Teologia para mulheres, inserir cada vez mais temas e práticas que trarão crescimento àquelas que estão aqui. Por isso, tenho pensado na melhor forma de servir vocês por meio deste espaço. Gosto muito de escrever textos práticos, meditações, falar sobre vida devocional, feminilidade entre outros assuntos. Boa parte dos meus posts são resultado de momentos que estou vivendo ou alguma reflexão que tive e desejo compartilhar aqui. Isso é bom, porém acho que este ano pode ser melhor. Por isso, tenho trabalhado algumas ideias a fim de tornar o blog mais dinâmico. O propósito é que além dos textos práticos que escrevo costumeiramente aqui, eu consiga desenvolver temas bíblicos com vocês buscando simplificar ao máximo algumas abordagens para que seja interessante e instrutivo. Em suma, em 2018 quero que haja mais Teologia nas mulheres que têm acompanhado o blog, este é o meu sonho e para tanto quero pedir a colaboração de vocês para que façamos isso juntas!

Elaborei este pequeno questionário com perguntas rápidas e objetivas para ter uma noção das necessidades mais gerais de vocês que acompanham o blog e também uma noção de por onde devo começar este trabalho. Meu desejo é mudar o blog, mas organizá-lo e manter um plano mensal que inclua: texto (livre), estudo, devocional, poesia cristã <3, ocasionalmente resenhas, indicações ou textos respondendo a algumas perguntas de vocês. Portanto, esse questionário tem dois propósitos básicos, primeiro me ajudar no planejamento anual do blog e, segundo, para que eu conheça melhor o perfil de quem tem acompanhado o blog e possa adequá-lo da melhor forma possível.

São 10 questões simples, a maioria de múltipla escolha e no final sugestões são bem vindas 🙂

Obrigada!

No amor de Cristo,

Prisca Lessa

 

CICATRIZES

SnpdXQI

Pintura: “A incredulidade de São Tomé”, Caravaggio, 1599

Você possui alguma cicatriz?
Me faltariam dedos para contar as minhas.
Elas não foram vencidas pelo tempo,
mas me lembro de como chegaram até mim.

Toda cicatriz tem uma história a contar,
Mas, cicatrizes não revelam somente histórias,
revelam fraqueza,
revelam limitação;
nos lembram que somos feitos de carne,
carne, frágil, facilmente lesionada e marcada.
Cicatrizes nos lembram o que somos:
humanos, eis a nossa condição.

Mas, o que dizer de um Deus marcado por cicatrizes?
Ei-lo ali, curando os enfermos,
mas, veja, as mãos que curam
também carregam as cicatrizes de um carpinteiro;
os joelhos do que se dobram em agonia
também carregam as cicatrizes do menino que corria.

O Deus que cura foi ferido,
o Deus que dá vida se entregou à morte.
Que paradoxo, um Deus que possui cicatrizes,
cicatrizes que trazem cura.
Cicatrizes que contam a história

do homem de dores, transpassado
que disse a Tomé:
“coloca aqui o teu dedo e vê as minhas mãos!
Estende a tua mão e coloca-a no meu lado.
Não seja incrédulo, mas crê!”

Metas para 2018.

16120231

Meta para 2018: estabelecer metas!

Como você está chegando a 2018?

Uma coisa é certa, sempre começamos o ano com milhares de metas e raramente terminamos com todas elas realizadas. Sempre ansiamos por mais, é normal querermos terminar o ano melhor do que iniciamos, mas, isso nem sempre é realidade. Deus nem sempre acompanha nossa lista de desejos, por vezes, Ele “esquece” de assinalar alguns itens que aguardamos ansiosamente, ou, simplesmente, os deixa pra depois. Isso faz parte da vida e faz parte do nosso processo de amadurecimento; Deus tem sua própria “lista” de prioridades e cabe a nós alinharmos nossas prioridades às dEle e não o contrário.

Algo que tenho aprendido com o passar dos anos – e me ajuda a não enfrentar GRANDES frustrações – é não estabelecer metas que “não dependem de mim”. Claro que como cristãos sabemos que, no fim das contas, nada depende diretamente de nós, podemos planejar, investir, mas, no fim, é o Senhor quem dirige os nossos passos. Então, o que quero dizer com não estabelecer metas que não dependem de mim? Vou dar um exemplo básico: casar ou conhecer aquele com quem me casarei (!). Parece legal, mas colocar isso como meta é, simplesmente, correr o risco de terminar o ano frustrada, porque isso está absolutamente fora do meu controle! Pode acontecer, mas eu não posso estabelecer isso e achar que vai se cumprir porque eu decidi! Por outro lado, eu posso posso ser realista em minhas metas:

  • Fazer Mestrado;
  • Viajar pra determinado lugar;
  • Trabalhar com algum projeto social;
  • Economizar um valor X;
  • Ler mais;
  • Comprar algo que cabe no meu orçamento.

Enfim, são coisas que dentro da minha esfera de atuação eu posso fazer acontecer – se Deus assim permitir. E ao final do ano, posso avaliar o porquê não consegui: talvez por falta de planejamento, gastos excessivos, pouco empenho… Será possível mensurar e planejar. Ainda assim, é preciso estar ciente de que criar metas não é garantia de que obteremos o consentimento de Deus, portanto, alinhemos nossas metas à vontade dEle e, se Deus quiser, faremos isto ou aquilo.

Ainda que seu ano não tenha sido dos melhores e muitos planos não tenham se cumprido, NÃO DESANIME! Não deixe de estabelecer novas metas, ou restabelecê-las, tenha esperança! Independentemente do que vai acontecer no ano que se inicia, faça metas para ele, não deixe que o ano passe ao leo. Ainda que sejam metas pequenininhas: acordar mais cedo, fazer um diário, mudar sua alimentação, começar um hobbie, ler isto ou aquilo. Faça! O sentimento de dever cumprido é sempre gratificante, não o perca de vista.

PLANEJE-SE! Parece bobeira, mas sem planejamento, desperdiçamos tempo, dinheiro, oportunidades. Faça um planejamento de curto e longo prazo para 2018, isso será muito útil e, faça um favor a sim mesma, gaste menos tempo na internet: curtindo menos, vendo menos stories; sem perceber, acabamos nos tornando meros espectadores, não temos ação, ficamos entediados e para vencer nosso tédio, passamos ainda mais tempo conectados. Isso é prejudicial, por isso, faça planos –  isso também ajudará a controlar o tempo gasto diante da tela.

Uma das minhas metas para 2018 é começar a escrever intencionalmente para uma futura publicação, tenho procrastinado essa tarefa há anos, e preciso ter disciplina este ano. Já dizia um professor: só existe um jeito de escrever, escrevendo! Então, em 2018 quero escrever mais e melhor 🙂 Compartilho isso aqui como forma de lembrete, como um compromisso comigo mesma e porque, haverá quem me cobre disso.

Dito isso, deixo aqui os meus sinceros agradecimentos por este ano de 2017 que passamos juntos! É muito gratificante ver o blog crescendo, pessoas novas surgindo por aqui e tendo acesso ao conteúdo, isso enche o meu coração de alegria! Espero fazer melhor em 2018, movimentar mais o blog, ser mais útil  e trazer mais textos e reflexões relevantes para nossa edificação. Lembrem-se de mim em suas orações, por trás dos textos há uma pecadora falha e carente da graça de Deus e sem Ele nada posso fazer. Obrigada pela companhia e pelo incentivo!

Desejo a vocês uma ótima passagem de ano e um 2018 repleto de esperança, não uma esperança humana e passageira, mas Cristo, verdadeira esperança! Parafraseando R. M. M´Cheyne: Não ponhamos o nosso coração nas flores deste mundo, pois em todas elas há um cancro. Prezemos acima de tudo a Rosa de Sarom, o Lírio dos Vales, pois Ele não muda.[1] .

Desejo a vocês um FELIZ 2018.

Cristo vos abençoe.

No Amor dEle,

Prisca Lessa.

[1] Não ponha o seu coração nas flores deste mundo, pois em todas elas há um cancro. Preze acima de tudo a Rosa de Sarom, o Lírio dos Vales, pois Ele não muda. O Tempo é Curto, Sermões de Robert Murray M´Cheyne (Editora PES).

 

FUJA DA TENTAÇÃO!

THIS

Run, Forest, Run!

Como você lida com a tentação em sua vida?

Essa pode ser uma pergunta difícil de responder. Raramente paramos para pensar sobre nossas tentações; de onde vêm e porque somos tentados em determinadas áreas enquanto outros não são. Às vezes, parece que somente nós enfrentamos determinadas tentações e, frequentemente, isso nos envergonha. Com o crescente uso das redes sociais se tornou ainda mais fácil julgar segundo a aparência, isso faz com que tenhamos uma visão romântica das pessoas que admiramos e seguimos, e também faz com que tentemos transmitir certa perfeição para aqueles que nos acompanham. Mas, por maior que seja a espiritualidade, piedade ou intelectualidade compartilhada nas redes socais, não podemos nos esquecer de que por trás da tela sempre há um pecador necessitado da graça de Deus; que por trás de cada belo rosto há um coração corrompido pelo pecado. Essa é a realidade de todos nós. Portanto, se você tem enfrentado tentações em sua vida, puxe uma cadeira e vamos falar sobre isso.

#somostodostentados

A Bíblia afirma que todos nós enfrentamos tentações, quer estejamos caminhando com Cristo há cinco, dez ou trinta anos; elas podem não ser as mesmas, mas ninguém está imune. Cada um de nós é tentado por uma razão: todos carregamos a semente da cobiça em nossos corações. Segundo Tiago (2:13-15), a cobiça dá à luz ao pecado. Em outras palavras, ela é a mãe do pecado, podendo se manifestar de formas diferentes para cada um de nós: para uns, ela se manifesta principalmente em questões sexuais, para outros, na área emocional, para outros, em sua relação com o dinheiro, e assim sucessivamente. Mas, seja qual for a tentação, a gênese é sempre a mesma: a cobiça. Quando pensamos em tentação e pecado, nossa tendência é falar dos fatores externos a nós, mas, o que a Escritura nos ensina é que guerras, contendas, adultérios, roubos, maledicência; todo este mal tem sua origem no coração do homem. Jesus foi claro ao mostrar que o que ocorre no nosso coração é tão importante e urgente quanto o que ocorre fora dele (Mt 5:21-22, 27-28), porque na realidade, nossas ações apenas refletem o coração.

Como na água o rosto corresponde ao rosto, assim o coração do homem ao homem.” (Pv 27:19).

Toda tentação tem algo a nos dizer sobre a condição do nosso coração. Se a cobiça é a raiz da tentação e a mãe do pecado, cada vez que pecamos apenas exteriorizamos algo que já estava sendo gerado em nosso coração. Assim como um bebê não nasce repentinamente, o pecado nunca ocorre repentinamente. Jesus disse que a boca fala do que está cheio o coração. Geralmente quando pecamos, nos justificamos com frases como: Eu não sei como fui capaz de fazer/dizer isso; eu estava “fora” de mim – quando na realidade, deveríamos dizer que deixamos que o nosso “eu” tomasse conta de nós.

Na segunda tábua da Lei, o Senhor incluiu como décimo e último mandamento: “Não cobiçarás”; antes deste constam outros mandamentos como: não matarás, não furtarás, não adulterarás. É interessante refletir sobre isso, pois, o último mandamento nos mostra que a cobiça – que em outras circunstâncias poderia ser vista como algo inofensivo – é um pecado radical e mortal. Afinal, o que leva alguém a matar ao seu próximo?!; o que leva alguém a roubar o seu próximo?!; o que leva alguém ao adultério?! Ora, a cobiça! Desde o Antigo Testamento, a Lei aponta para o fato de que o que precisa ser tratado é o coração, o interior do copo, como disse Jesus (Mt 23:26). Tiago sintetiza isso dizendo que somos tentados por aquilo que cobiçamos. Portanto, se queremos vencer a tentação precisamos vencer a cobiça; e, uma vez que ela nasce no coração, é lá que a luta se inicia.

Quero exemplificar com um episódio bíblico muito conhecido: Gênesis 39. A história nos conta que José era assediado pela esposa de Potifar, não temos detalhes do quanto tempo isso durou, o que sabemos é que houve um momento em que as coisas se agravaram a tal ponto que José não teve outra alternativa senão fugir. Por mais que a tendência seja enxergar os personagens bíblicos como heróis, devemos ter em mente que eles eram pecadores como nós. José era um jovem comum, servo de Deus, porém humano; a Bíblia relata que ele era muito bonito, havia sangue e hormônios correndo em seu corpo. Sendo um jovem comum, não seria absurdo pensar que José também enfrentava tentações na área sexual. Afinal, manter-se puro é um desafio enfrentado por jovens de todas as gerações. Para piorar a situação de José, pensemos na mulher de Potifar. Como será que ela era? Imagino que não se tratava de uma mulher feia e sem graça, obviamente que não, afinal, ela era esposa de um oficial de faraó. Talvez essa mulher estivesse acostumada a usar sua beleza e sedução para obter tudo quanto queria; ela não iria se contentar com o não de um escravo.Então, José, se vê diante de um desafio: como lidar com o assédio?Como lidar com tais investidas? Como resistir à tentação de possuir aquela mulher?

O que fez José fugir? Ele não fugiu porque a esposa de Potifar era feia, pelo contrário, José fugiu porque ela era tentadora e ele fraco o bastante para cair na tentação; José conhecia seu próprio coração.

Quando José fugiu da esposa de Potifar, ele não fugiu somente dela, ele fugiu de si mesmo.

Um dos primeiros passos para lidarmos com a tentação é conhecer o nosso coração, Jesus disse que do coração do homem é que procedem os maus intentos – adultério, prostituição, entre muitos outros (Mt 15:19). Com base nesse ensino, podemos concluir que a luta contra o pecado é travada primeiramente do lado de dentro, nossa luta começa no coração. A luta de José não era, primeiramente, contra a mulher de Potifar, mas contra si mesmo. José conhecia o seu coração, ele conhecia sua cobiça, o seu maior problema não era aquela mulher, mas o seu próprio eu. Poderia ser outra mulher, poderia ser uma mulher solteira, poderia ser a mulher de um outro homem. O ponto não é quem está me tentando, mas porque algo tem sido tentação para mim. É preciso descobrir a raiz disso. Essa raiz sempre se encontra no coração.

Independente de qual seja a tentação, a raiz é sempre a mesma: a cobiça. Nesse sentido, somos nivelados, porque, embora manifestemos nossa pecaminosidade de formas diferentes, sofremos a mesma miséria. Nem todos estamos fugindo da mulher de Potifar como José, mas todos devemos fugir da cobiça de nosso coração e, consequentemente, daquilo que nos atrai.

Nossas ações refletem nosso coração, elas são os frutos. Por vezes, estamos tão preocupados em mudar o nosso comportamento; em deixar de cometer determinado pecado, mas, vez após vez, nos vemos caindo no mesmo pecado. A razão disso é que gastamos tempo demais limpando o exterior do copo, e por mais que o limpemos, o copo continua sujo.

Contra o que você tem lutado? Como você tem lutado?

Talvez o seu pecado seja a ira e você tem tentado, em vão, contar até cem, pensar em coisas positivas, ou até mesmo evitado ver ou pensar em determinadas pessoas; mas, o ponto é saber: por que você se ira? A razão pode ser o fato de você não gostar de ser contrariado; seu desejo de ter o controle absoluto de tudo que te cerca, ou, querer que as pessoas te sirvam fazendo todas as suas vontades. Observe um bebê, como ele reage quando não tem suas necessidades supridas? Mesmo tão pequeno, ele expressa sua ira. A diferença entre nós e ele é que não saímos berrando por aí (!). Essa pode ser a raiz do seu pecado, e se for, você tem descontado isso nas pessoas ao seu redor colocando sobre elas a culpa de algo que precisa ser resolvido primeiro internamente – não que os outros não tenham responsabilidade, pois, Paulo diz aos pais que não devem provocar a ira de seus filhos. Mas o fato é que cada um tem a sua parcela de responsabilidade e não devemos nos ausentar da nossa.

Talvez, o seu pecado seja a pornografia, e você se esforce bastante para deixar de ver, colocando mecanismos no celular para impedir isso, tentando dormir mais cedo ou deixando de assistir a determinados tipos de filmes; mas, a pergunta a ser feita é: o que te leva a buscar pornografia? A busca por autossatisfação, impaciência, ansiedade? Talvez você seja um hedonista e faça tudo pelo seu prazer. O centro da sua vida é a sua própria satisfação e para isso você está disposto a desobedecer a Deus. Você busca na pornografia satisfazer a si mesmo, quando a sua busca deveria ser satisfazer a Deus, e, se este é o caso, então, você faz de si o seu próprio deus. Eis o âmago da questão.

Lembro-me que por muito tempo nutri ódio por uma colega. Havíamos enfrentado situações muito difíceis e pensei que a melhor solução seria deixar de vê-la; passei a fazer de tudo para não ir a lugares que eu sabia que ela estaria. Foi assim por quase um ano, crendo que havia vencido o problema, mas, cada vez que eu ouvia o seu nome ou ficava sabendo que algo bom lhe acontecera, eu ficava mal. Eu sempre orei para que Deusremovesse esse sentimento domeu coração. Sem sucesso. Até que comecei a investigar o meu coração. Mudei minha oração, ao invés de pedir a Deus para que tirasse o sentimento, passei a pedir para que Ele me mostrasse a raiz disso. Demorou, mas, com o tempo comecei a ver que meu ódio resultava de inveja. É fato que ela tinha me magoado, mas minha mágoa foi apenas uma máscara para o real problema. Nós éramos tão diferentes, eu criticava o jeito dela – tão oposto ao meu! – mas no fundo, eu queria ser como ela. Quando me dei conta disso, pedi perdão a Deus por ter me deixado levar pela inveja a tal ponto. Não foi fácil e foi um longo processo até que eu pudesse pedir perdão e me reconciliar com essa moça. Ela não soube que eu a invejava, mas, pedi perdão por minhas atitudes contra ela. Passaram anos até que pudéssemos nos considerar amigas, isso foi graça de Deus, pois, eu esperava que não conseguíssemos construir uma boa relação depois de tantas dificuldades, mas, Deus foi bondoso. Sei que não estou imune do ódio e da inveja, mas, me tornei mais desconfiada a respeito do meu coração, cada vez que percebo certa antipatia, logo corro para o médico dos médicos e solicito um exame detalhado do coração (Sonda-me, oh Deus – Sl 139), o Seu diagnóstico é sempre preciso.

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” Pv 4.23

A resposta de José diante da tentação foi a fuga. E é isso que a Bíblia nos exorta a fazer: fugir da tentação. Muitas vezes preferimos ficar flertando com a tentação, temos prazer em ser seduzidos por ela e achamos que essa sedução não irá dar à luz ao pecado. Pensamos que se formos só até certo ponto, podemos obter o prazer da tentação sem a consequência do pecado, assim, damos certa liberdade aos nossos desejos sexuais, certa liberdade à maledicência, ao rancor, à ira, às nossas compulsões. Ingenuamente andamos com a “mulher adúltera acreditando que somos fortes o bastante para não sermos atraídos para o seu leito.

Se você se sente incapaz de vencer um urso, você corre. Nosso problema é que nos achamos fortes demais.

Podemos fazer um paralelo interessante entre José e outro personagem de Gênesis: Caim, o primeiro homicida. Gênesis 4:1-5 nos conta que após ter sua oferta recusada e a de seu irmão aceita, Caim se enfureceu e lhe caiu o semblante. Mas, Caim não percebeu os sinais de perigo; ele não atentou para a fraqueza do seu próprio coração; seu alvo estava em Abel. Porém, Deus, misericordiosamente lhe mostrou o que ele não via: a condição do seu coração; o pecado estava à porta. A cobiça já havia seduzido Caime o pecado estava prestes a nascer; prontoa dominá-lo, mas,ele não devia se deixar dominar.

O pecado sempre quer exercer domínio sobre nós; engana-se quem pensa que pode dominar o pecado que pratica. A prática do pecado é a prova de que é ele que está no comando.

É muito mais fácil perceber pecados externos, pois são evidentes. Dificilmente nos damos conta dos pecados do coração, pois julgá-lo e reconhecer nossas fraquezas secretas é humilhante.

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jr 17:9)

É muito mais difícil diagnosticarmos a cobiça. A atitude de Deus com Caim revela que essa é uma obra que somente o Espírito é capaz de operar. Somos cegos para as profundas misérias do nosso coração. Deus tem olhos que nós não temos, Ele nos vê além das aparências, Ele nos vê do avesso. Ele viu o interior de Caim.Caim teve a chance de reconhecer sua fraqueza e, com a graça, de Deus vencê-la, porém, decidiu ignorá-la e fazer-se forte aos seus próprios olhos. Na sua percepção levar a cabo seus desejos e satisfazer suas paixões o faria triunfante, mas, na realidade,quem saiu derrotado foi Caim.Esse é o caminho da tentação, ela nos ilude, nos diz que se cedermos aos seus intentos, seremos melhores. A oferta da falta de perdão e da mágoa, por exemplo, parece saborosa ao paladar, mas, logo se torna amarga. Tão logo cedemos à tentação, o pecado nos derrota.

Caim confiou em si mesmo, subestimando o ódio que brotava em seu coração, não atendeu o alerta Divino, ignorou o sinal amarelo e não pôde parar a tempo (não ignore os sinais amarelos!). Nossos sentimentos são como um carro desgovernado, não são seguros!Por não reconhecer sua fraqueza, Caim foi dominado.  Esse é um ponto delicado. Não é fácil reconhecer as fraquezas do nosso coração, não é fácil descortinar o coração e admitir nossos pensamentos, desejos e intenções. Mas, Deus sabe, Ele sempre sabe e nos chama, vez após vez, assim como fez com Caim, a nos despirmos e nos arrependermos. Esse é um chamado diário da graça de Deus. Eu disse aqui que descobri há algum tempo que sentia inveja de uma colega; admitir isso foi difícil, pois, o meu orgulho não permitia. Eu queria ser superior, eu queria não sentir isso, quão humilhante era! Quão humilhante seria para Caim admitir que ele invejou e odiou a seu irmão (mais novo!). Mas, a humilhação é um passo importante para vencermos a tentação. Precisamos de disposição para confessara condição do nosso coração perante Deus. Não é fácil, mas é libertador.

Precisamos reconhecer nossa fraqueza e, então, correr para Aquele que é forte!

É vital que conheçamos o nosso coração para então percebermos nossas fraquezas. Como fazemos isso? Por meio da ação do Espírito de Deus. Ele vê o que não vemos, Ele é quem nos diz: O teu desejo é contra Ti, mas te compete dominá-lo. Ele não apenas diz que devemos dominar nossa cobiça, mas Ele nos ajuda afazer isso, pois sabe que não somos capazes por nossas próprias forças. Quando Deus falou “o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”, Deus estava estendendo a Caim um convite de graça, um convite para que ele depositasse suas fraquezas diante de Deus. Mas Caim, não atendeu à voz do Senhor e… sabemos o fim desta história.

Uma vez que conhecemos o nosso coração e reconhecemos nossas fraquezas, precisamos parar de alimentar pensamentos, sentimentos e ações que nos induzam ao pecado. Caim cultivou seu ódio por Abel; ao invés de afastar-se do irmão e fugir, ele chegou bem perto, perto o bastante para satisfazer seu desejo. Quão diferente foi José, ele não ficou rondando a esposa de Potifar, pelo contrário José evitava até mesmo a companhia dela. Essa é a forma prática de como devemos lidar com a tentação. Você pode reconhecer o seu pecado, se humilhar, confessar diante de Deus, mas, se não parar de dar chance à tentação, de nada valerá.

Um exemplo prático disso é a forma como alimentamos certos sentimentos: mesmo sabendo que não devemos odiar ao próximo, ocasionalmente nutrimos certa antipatia, nos permitimos falar mal da pessoa; alimentamos aamargura… Se eu sei que relembrar coisas que ocorreram no passado me trará rancor contra meu cônjuge, contra os meus pais, ou qualquer outra pessoa, por que insisto em relembrar?!Se sei que ficar até tarde fora de casa com o meu namorado ou assistir filmes a sós com ele não é saudável, por que fazer isso? Se eu não tenho a menor intenção de me relacionar amorosamente com certa pessoa (ou vice-versa), então, porque nutrir esperanças? Não sejamos como Caim, não podemos subestimar o pecado, é preciso fazer guerra contra ele.

É muito mais fácil e prazeroso deixar que a tentação nos envolva, ela é sempre tão sedutora…Ela diz: “você tem o direito de não perdoar determinada pessoa”; ela alimenta o nosso ego, diz a José o quão bonito e desejável ele é; ela nos dá oportunidades: não há ninguém por perto, ninguém ficara sabendo…Mas, seu fim é sempre amargo, trágico, destrutivo.

Caim não fugiu de si mesmo, porque enxergava o problema como algo externo, seu alvo estava em Abel e não em seu coração. José, contudo, fugiu porque enxergou o perigo que representava para si mesmo.

Mas, como disse à princípio, José não é um herói, ele está bem longe disso. Como qualquer um, ele caiu em tentações ao longo de sua vida; ele foi apenas mais um homem imperfeito que viveu sobre a face da terra. Mas, há um homem perfeito que viveu sobre a terra e não pecou, é nele que devemos depositar nossas esperanças: Cristo Jesus!Ele resistiu a todas as tentações sem nunca pecar. No madeiro Ele venceu o pecado. Por isso, a cruz não é sinal de derrota para o cristão, mas símbolo de vitória; foi nela que Cristo triunfou sobre os nossos pecados! Essa é a nossa esperança eterna, é nesse fato que devemos encontrar esperanças para vencer a tentação, resistir ao Diabo e fugir para Deus. Cristo já venceu esse pecado contra o qual você tem lutado, e somente nEle você encontrará forças para vencer. Quando se sentir tentado, olhe para Cristo, busque-O, clame a Ele, Ele prometeu que nunca nos deixará, nunca nos abandonará.

Quando Eva foi tentada no Jardim, Satanás usou a Palavra de Deus (distorcida) e Eva se deixou iludir, ela creu nas palavras da serpente. O pecado é essencialmente incredulidade; cada vez que pecamos, estamos deixando de crer na Palavra de Deus e crendo nas palavras de Satanás. A tentação é sempre um conflito entre a verdade de Deus e a mentira de Satanás, portanto, quando nos apegamos à Verdade, vencemos à tentação, quando cedemos à mentira, pecamos. Quando Satanás se aproximou de Jesus para lhe oferecer as glórias deste mundo, ele, mais uma vez, usou a Palavra de Deus distorcida, mas, desta vez, não obteve vitória, pois Cristo não somente conhecia a Verdade, mas Ele é a própria Verdade. A Verdade triunfou sobre a mentira. Por isso, um passo importante para vencermos a tentação é nos munirmos com a espada da Verdade, devemos estar afiados na Palavra. Guardá-la no coração para não pecar contra Deus, caso contrário, estamos fadados ao fracasso espiritual.

I João 2:14b: “Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno”. Observe a sequência do texto, a lógica é: jovens sois fortes porque a Palavra de Deus permanece em vós, e porque a Palavra de Deus permanece em vós, tendes vencido o Maligno. Não há como vencer a tentação se a Palavra de Deus não tiver lugar em nossas vidas. Uma vida de negligência devocional é uma armadilha e tanto para o cristão! A vitória diária sobre o pecado está condicionada ao uso dos meios de graça, sendo, a oração, a leitura da Palavra, a meditação, a comunhão com a igreja e a obediência às ordenanças do Evangelho. Por isso, olhe para Cristo, nutra uma vida de oração e meditação na Palavra, deixe que ela ilumine e mostre o teu coração e fuja da tentação. Não somos fortes o bastante, mas o Senhor é a nossa força. Fujamos.

Que o Senhor nos ajude!

No Amor de Cristo,

Prisca Lessa