DEVOCIONAL.

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No capítulo 20 do evangelho de João um verbo se repete com certa frequência:
v. 1 “[Maria Madalena] viu a pedra revolvida”
v. 5 “[o outro discípulo] viu os lençóis de linho”
v. 6 “[Pedro] também viu os lençóis”
v.8 “[o outro discípulo] viu, e creu”
(No v. 11 também nos é dito que Maria olhou para dentro do túmulo)
v.12 “e [Maria Madalena] viu dois anjos vestidos de branco”
v.14 “[Maria Madalena] voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não o reconheceu”
v. 18 “Então, saiu Maria Madalena anunciando aos discípulos: Vi o Senhor!”
v. 20 “Alegraram-se, portanto, os discípulos ao verem o Senhor”
v. 25 “Disseram-me [a Tomé], então, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele respondeu: Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos […] de modo algum crerei”
v. 27 “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos”
v. 29 “Porque me viste, creste? Bem aventurados os que não viram e creram”

João está destacando a condição de incredulidade dos discípulos:

Eles viam mas não conseguiam enxergar e perceber o que estava acontecendo. Viram os lençóis, viram o túmulo vazio, mas não enxergaram a realidade contida nesses fatos. Estavam cegos. Maria viu o túmulo vazio, viu os anjos, (num primeiro momento) viu a Jesus, mas não enxergou a realidade dos fatos; permanecia inconsolável em sua tristeza. Até que finalmente, seus olhos foram abertos e ela VIU o Senhor e toda a sua visão acerca dos fatos foi transformada. Ela, então, pôde testemunhar, não somente que viu ao Senhor, mas o cumprimento dos eventos profetizados por Jesus acerca de sua morte e ressurreição.

Os discípulos estavam reunidos e amedrontados, tiveram seus olhos abertos, sua incredulidade caiu por terra quando viram o Senhor. Mas, Tomé não viu, e porque não viu permaneceu na incredulidade (da qual os demais haviam sido libertos). E ele logo disse o que os demais não haviam dito: “Se eu não vir, DE MODO ALGUM crerei.” Perceba a obstinação do discípulo. Em outras palavras, ele admite que sua fé estava condicionada ao que via. Se não visse jamais, não creria jamais.

Que declaração chocante, a de Tomé, mas, afinal, não era esta a condição dos demais? No fundo, todos os discípulos partilharam da mesma incredulidade, mas, Tomé chegou por último e foi o bode expiatório.

Todavia, Jesus, conhecendo a pequena fé de seus discípulos, mais uma vez se mostrou e disse a Tomé: “vê”. “Não sejas INCRÉDULO [o Mestre apontou o problema], mas crente [e deu a solução]”.

Tomé também viu o Senhor e seus olhos se abriram. Ele foi liberto da incredulidade: “Senhor meu é Deus meu”. Que bela confissão, mas, Jesus não se deteve diante desta declaração e o repreendeu: “Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram”. A repreensão foi severa, mas não foi só para Tomé, foi para todos que, cegos pela incredulidade, não conseguem enxergar a verdade.

É possível que mesmo sendo discípulos de Jesus passemos por crises de fé em certos momentos. Cristo chama a nossa atenção para isso, Ele não passa a mão em nossa cabeça e diz: “Tudo bem ser um pouco incrédulo”. Cristo teve misericórdia de Tomé, ao aparecer para Ele, mas, ainda assim o repreendeu: seja crente! Pare de ficar se lamentando pelos cantos, pare de impor condições a Deus, seja maduro na fé, creia, o Senhor já te deu todas as ferramentas necessárias para exercitar a sua fé, então, exercite-a!

Saiamos dos campos da falta de ânimo, da falta de fé e do lamento, Cristo vive! E que a mensagem da ressurreição seja proclamada: O Senhor está vivo!

Um bom domingo de Páscoa.

No amor de Cristo,

Prisca Lessa

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