Vestidas para a Glória de Deus.

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Comprar roupas nunca foi uma tarefa fácil pra mim, mas nos últimos tempos, tem se tornado ainda mais difícil porque praticamente todas as peças sugerem uma superexposição do corpo. Ou a peça é muito curta, ou muito justa, ou mostra a barriga, ou mostra as costas, ou mostra o colo OU mostra tudo isso junto! Tratando-se de mulheres cristãs, mesmo uma simples atividade como comprar roupas, requer sabedoria, pois o nosso modo de vestir deve glorificar a Cristo, revelando sua beleza, santidade e pureza. Não poucas vezes, a Bíblia nos dá orientações claras de como devemos nos vestir para a glória de Deus:

“Da mesma sorte, que as mulheres, em traje decente, se ataviem com modéstia e bom senso” (I Tm 2:9)

Mesmo diante da imoralidade do mundo, nosso padrão de decência, modéstia e bom senso deve ser sempre a Palavra de Deus. O fato de certas roupas não serem tão curtas ou justas quanto o que se vê por aí, não faz delas modestas e decentes; nossa avaliação deve estar baseada na Bíblia e não na cultura. Não bastasse o apelo à sensualidade na maioria das roupas hoje, há ainda outro fator ao qual devemos estar atentas: a negação da feminilidade. Há algum tempo os conceitos de feminino e masculino têm sido modificados. A sociedade caminha a passos largos para a construção de um mundo sem gêneros. Isso se reflete nas mais diversas esferas da vida, inclusive na moda. Uma vez que o mundo compreende que homens podem ser mulheres, e vice-versa, as diferenciações de gênero estão sendo removidas, inclusive das roupas. Tem se tornado cada vez mais comum ver homens usando camisetas tão longas que parecem vestidos, bem como outras peças justas, decotadas, floridas, com cortes e detalhes femininos. Tais roupas transmitem uma mensagem e, por vezes deixam dúvidas acerca da sexualidade masculina. Em contrapartida, as roupas femininas estão cada vez mais masculinas, retas, padronizadas e sem quaisquer traços de feminilidade. Ao passo que as roupas masculinas vão se feminizando as femininas vão se masculinizando e com o passar do tempo (e esse tempo já começou!) a tendência é que haja um padrão único para homens e mulheres. Embora a sociedade veja isso como um progresso, tal atitude é claramente condenada pelas Escrituras:

“A mulher não usará roupas de homem, e o homem não usará roupas de mulher, pois o Senhor, o seu Deus, tem aversão por todo aquele que assim procede”. (Dt 22:5)

Homens deve se vestir como homens e mulheres como mulheres. A Bíblia não se cala sobre esse fato e as razões para isso devem ser seriamente consideradas. Ainda que a sociedade diga que “roupas não possuem gêneros”, a Palavra de Deus nos mostra que existe um padrão de vestimentas para mulheres e um para homens e isso não deve ser mudado nem invertido. No entanto, o padrão de vestuário masculino e feminino vem sendo desconstruído e substituído pelo padrão “sem gênero” (ing. genderless), “agênero” ou “unissex”. Atualmente já existem marcas e lojas com conceito unissex. Em lojas populares de rua e de shoppings já encontramos tal conceito, ainda que ele não esteja estampado. Tudo é muito sutil. A ideia é simpática e por isso, sedutora, ela é apresentada com leveza, conforto, liberdade, mas é preciso compreender o que está por detrás:

O mercado de moda tem protagonizado cada vez mais lançamentos e coleções chamadas “agênero”, que fazem parecer obsoletos os limites do que é “de homem” e o que é “de mulher” (Carolina Samorano)

O mercado de moda encabeça agora um movimento que vem ganhando força na sociedade, especialmente no último ano: os limites de gênero, que definem o que é “de mulher” e o que é “de homem”, estão caindo por terra. Nos bastidores, nas revistas, nas salas de aula, o que se discute é sobre a onda de roupas unissex que têm dominado passarelas mesmo de grandes marcas, como a Gucci. São mulheres vestindo calças largas e camisas ou camisetas. E homens também. São homens desfilando com vestes compridas, como vestidos. E mulheres também. (Carolina Samorano)

Segundo Márcio Banfi – coordenador do curso de moda da Faculdade Santa Marcelinha em São Paulo, a ideia “é fazer com que homens e mulheres vistam as mesmas roupas sem que se sintam femininos ou masculinos demais por isso. A mensagem é outra: pode tudo e tudo é normal.”

À medida que somos expostos por meio das mídias a essa nova mentalidade, aquilo para o qual antes torcíamos o nariz, vai se tornando aceitável e até agradável. Embora a moda em si não seja algo ruim, precisamos estar cientes de que ela carrega conceitos, ideologias, valores (ou a falta deles). Não há pecado em “estar na moda”, desde que isso não se torne um ídolo. O grande problema é quando deixamos de lado nossos valores e princípios  para nos adequarmos. Como tudo na vida, precisamos saber avaliar e usar aquilo que convém. Como diz o texto de I Tessalonicenses [embora tratando-se se outro contexto], devemos examinar todas as coisas e reter o que é bom. O Senhor nos dotou com algo maravilhoso chamado criatividade, não precisamos usar tudo o que a moda dita, mas podemos aproveitar o que ela tem de bom para nos oferecer e ainda aperfeiçoá-la em nosso benefício. Devemos ser criadores de cultura e não reféns dela. Não há pecado em usar tais peças, desde que saibamos como usar, de modo que nossa feminilidade não seja confundida. Deus nos fez mulheres para a Sua glória, Ele desenhou nossas formas femininas e negar isso, seja em ações ou vestimentas, é desonrá-Lo. Com toda a modéstia devemos refletir a glória de Deus em nossas vidas através de um vestir santo que não exponha o corpo, mas também que não deixe dúvidas acerca da nossa sexualidade.

Não é a roupa que define a sua feminilidade, mas sua feminilidade deve definir suas roupas.

Isso quer dizer que (só) devemos usar vestidos floridos e salto e laços e bolinhas? Creio que não, até porque esse é muito mais um conceito cultural do que um padrão bíblico. Nem todas as culturas dispõem de tais peças [imagine se uma cristã esquimó tivesse que obrigatoriamente vestir esse padrão!] e nem todas as mulheres gostam e sentem-se confortáveis com essas roupas. Embora eu, particularmente, goste, estilo é algo muito pessoal, não tem a ver com um padrão geral e imposto e sim com o nosso jeito, nossa personalidade, vivências, cultura e etc. Em seu livro Feminilidade Radical,  Carolyn McCulley escreve:

“A feminilidade bíblica não é um molde de tamanho único. Não tem a ver com certo modo de se vestir, filmes da Jane Austen, chás, vozes quietas e estampas floridas… ou qualquer estereótipo que você esteja imaginando agora. Viver de acordo com os princípios bíblicos hoje requer que as mulheres sejam ousadas o suficiente para permanecer contra as filosofias e fortalezas que buscam destruir a Palavra de Deus e sua autoridade.”

Acho muito pertinente a colocação da autora. Deus criou cada mulher de forma singular, Deus não nos vê como máquinas criadas em série, mas como pessoas com mentalidades, gostos, corpos e experiências diferentes. A Bíblia não nos dá um padrão detalhado do que a mulher pode ou não pode vestir, Deus nos deixou livres – dentro daquilo que convém a mulheres cristãs piedosas – para desenvolver a criatividade em nosso modo de vestir. Logo, ser feminina não implica em usar apenas um certo tipo de roupa. Mais do que um pedaço de pano, o que expressa a nossa feminilidade é a essência que Deus colocou em cada uma de nós e nós não  só podemos como devemos expressar isso das mais diversas formas, afinal, nosso Deus é um ser Criativo! A nossa liberdade deve estar condicionada ao que Deus disse por meio das palavras do apóstolo Paulo:

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas”. (I Co 6:12)

Outro texto a ser considerado no que se refere ao nosso padrão de vestimentas se encontra em Provérbios 31:25 onde a mãe do rei Lamuel diz que a mulher virtuosa se veste de dignidade. Independente do gosto a dignidade deve ser um padrão presente em tudo aquilo que vestimos.

“Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados,” (Ef. 4:1)

“A fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus;” (Cl. 1:10)

Não devemos buscar agradar aos padrões deste mundo e nem a nós mesmas, mas ao Senhor que nos chamou. Deus não nos chamou para sermos fiéis à tendências ou modismos, mas à Sua Palavra. Assim, devemos escolher com sabedoria o que vestir, de modo a viver segundo o nosso chamado, a saber, sermos filhas de Deus.

Ainda que o discurso do mundo seja “pode tudo e tudo é normal.” Nos apeguemos às Escrituras que nos diz:

“E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12:2)  

Jesus se despiu de sua glória para que nós fôssemos revestidas de glória, nada exceto aquilo que o glorifique deve ser vestido por nós.

Um critério a ser usado por nós cristãs nesse mundo de depravação moral e “anti gêneros” é:

Nunca use uma roupa que possa deixar dúvidas acerca da sua sexualidade (isso vale para homens e mulheres). Ao vestir-se, pare um momento e pense: Essa roupa honra a Deus e reflete minha feminilidade conforme os Seus padrões? Se sim, vá em paz, mas, senão, repense antes de sair de casa.

Vale salientar que é possível ser feminina sem expor o corpo e que vestir-se com modéstia não significa seguir um único padrão, nem usar uma burca ou ser “brega”. Há diversos exemplos de mulheres modestas, bem vestidas e antenadas. Em especial, quero compartilhar um vídeo do blog “Girl Defined” que dá várias ideias legais de como conciliar moda e modéstia ❤

Uma amiga minha está cursando o último ano de moda e, infelizmente, para a maioria dos crentes, essa pode ser uma vocação que não traz nenhum benefício para o Reino de Deus. Mas diante de tudo isso que escrevi, é evidente que nós PRECISAMOS de bons estilistas cristãos.

Como um estilista pode criar roupas para a glória de Deus? É possível produzir roupas que vão além do clichê da etiqueta com uma frase ou versículo?

É possível sim! Fazendo roupas que não seguem os padrões pecaminosos deste mundo, roupas boas e de qualidade, vendidas a um preço justo, respeitando os princípios cristãos, valorizando o corpo da mulher – ou do homem – sem desrespeitá-lo e levando em conta as diferenças dos gêneros. Imagine se tivermos estilistas cristãos influentes na moda, ajudando a transformar a cultura sem ser caretas? Estilistas que não coloquem mulheres na passarela vestidas como homens nem como prostitutas. Deus foi o primeiro estilista, ele se preocupou em fazer roupas para Adão e Eva e se preocupa com o que vestimos, portanto, ser estilista não é menos cristão, muito pelo contrário, é necessário que sirvamos a Deus nas mais diversas esferas da cultura. Cristãos devem servir à cultura da melhor forma possível com o dom que Deus lhes deu, ao invés de engolir tudo o que nos é apresentado, pensemos e repensemos nossos conceitos. Que sejamos mulheres criteriosas em nossas escolhas e que o nosso critério seja sempre a Escritura.

Quero concluir indicando um livro excelente que li há algum tempo “O Deus estilista”, segue uma breve descrição que fiz dele:

Ouvimos falar muito sobre modéstia cristã, mas nem sempre o sentido do termo é claro. Qual o princípio que rege a modéstia cristã? Nesse livro o autor faz uma abordagem bíblica do termo, explica como aplicá- lo e ainda traz uma perspectiva histórica sobre a evolução (?) da moda. Fica o questionamento de como a visão secular tem influenciado nossa forma de ser e vestir. Numa sociedade que cultua a nudez, a super exposição do corpo e da intimidade, vale a pena refletir sobre o propósito para o qual Deus, o primeiro estilista, criou as vestimentas (cf. Gn 3:21); ninguém melhor do que Ele para nos dar a medida certa de todas as coisas👗👖. Uma leitura que vale a pena! O e-book está disponível em alguns sites (só jogar no Google que aparece de primeira)[1] . O livro é tão pequeno que dá pra ler ele todinho em uma sentada 😉 “Nossas vestes devem fazer a mesma confissão que nossos lábios fazem”. (Jeff Pollard)

A modéstia cristã em nosso tempo vai além de não usar roupas que não exponham o nosso corpo, ela também tem a ver com vestir-se levando em conta as distinções de gênero. Não obstante, a modéstia não está limitada a um único padrão, ela abrange os mais diversos gostos, cores, formas e culturas e devemos usar isso ao nosso favor e para glorificar ao nosso Deus. Que sejamos mulheres caprichosas em nosso vestir seja em tons pastéis ou fortes, de vestido ou calças, de salto alto, all star ou de bota country. Que o Senhor nos encha de sabedoria e criatividade!

No amor de Cristo,

Prisca Lessa

[1] Tentei achar o link pra download, mas não consegui encontrar o livro completo, talvez vocês tenham mais sucesso, caso não, poso enviar por email, pois, infelizmente, o livro não é mais publicado.

 

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