Feminismo: o que a Bíblia tem a dizer? II

No post anterior fiz uma breve (brevíssima, diga-se de passagem) introdução sobre a história do movimento Feminista e hoje vou me ater a alguns textos bíblicos textos bíblicos fundamentais para a nossa compreensão sobre o padrão e o propósito de Deus para homens e mulheres.

GÊNESIS 1:26-27

O feminismo vai diretamente contra o que o v.27 está dizendo: A Bíblia não diz que Deus criou dois seres sem gênero e os deixou livres pra escolherem quem seria o homem e quem seria a mulher, Ele os criou distintos. Ambos portando a imagem de Deus, mas sendo um homem e outro mulher.

Feministas costumam dizer que a Bíblia é sexista e desvaloriza a mulher, mas:

– O v. 26 diz que Deus nos criou o homem, enquanto ser humano, à sua imagem e semelhança. Aqui a Bíblia mostra que homens e mulheres são essencialmente iguais, pois, ambos carregam a imagem de Deus. Então, não há diferença de valor e sim igualdade de valor. Ambos são valiosos para Deus.

Por outro lado, as feministas afirmam que não existe diferença de gêneros e que ninguém nasce homem nem mulher, mas se torna.

– Mas o v. 27 diz que Deus criou homem e mulher (não diz que Ele tornou. Não foi a sociedade que os fez assim mas Deus). Nisso homens e mulheres são diferentes, se fossem iguais, Deus poderia ter criado dois homens, mas Ele não o fez. Ele fez primeiro um homem depois uma mulher. Porque Deus fez assim? Possivelmente porque haviam coisas que o homem não poderia realizar sozinho, por isso, ele precisava de uma AUXILIADORA.

– o v. 28 também é uma resposta ao Feminismo na medida  que mostra que Deus não desprezou a mulher. Ela foi criada para juntamente com o homem ser coregente da criação. Ambos, servindo a Deus em harmonia, dentro de sua masculinidade e feminilidade.

 

GÊNESIS 2:18-25

            Esse texto reforça que a igualdade entre homens e mulheres não consiste em semelhança absoluta. Homens e mulheres são espiritualmente iguais, mas possuem uma identidade sexual distinta, essa distinção não é um acidente biológico. Ela existe porque Deus deseja que sejamos distintos. A nossa identidade sexual define quem somos, determina porque estamos aqui e indica como Deus nos chama para servi-Lo enquanto homens e mulheres.

Por mais que se tente minimizar as diferenças entre homens e mulheres, o ser homem e o ser mulher estão essencialmente ligados à nossa personalidade. Paul Jewett escreveu:

“A sexualidade permeia cada indivíduo em sua profundeza; ela condiciona todas as facetas da vida de uma pessoa. Visto que o ser sempre está ciente de si mesmo como um “Eu”, este “Eu” está sempre ciente de si mesmo como ele mesmo ou ela. Nosso autoconhecimento está indissoluvelmente ligado não somente ao nosso ser humano, mas ao nosso ser sexual.”

Eu me reconheço como ser humano, como homem ou mulher e reconheço o outro sempre como ser humano homem ou mulher. A identidade não se separa da sexualidade.

Portanto, o texto de Gênesis 2:18-25 é muito relevante para refutar algumas idéias do Feminismo, pois,  ele ensina que :

– Deus criou o homem primeiro, isso afirma a liderança masculina

– A mulher é idônea, isto é, igual ao homem; isso reforça que ela não é inferior.

Mas apesar de ser igual e não inferior em termos de valor:

– A mulher foi feita para ser ajudadora do homem e não o contrário, o que afirma a liderança masculina. Além disso, a mulher foi feita para o homem e não o contrário, isso é reforçado pelo apóstolo Paulo em I Co 11:7-9.

– v.23 Adão recebeu Eva muito bem, como sendo igual; ele não a oprimiu dizendo “você é inferior a mim”, mas disse: “osso dos meus ossos, carne da minha carne”.  Ele a chamou varoa relacionando-a com ele mesmo. Adão não relacionou Eva a algum animal, mas lhe atribuiu o mesmo valor que ele possuia.

Simone de Beauvoir e as demais feministas afirmam que a mulher deve encontrar sua identidade a partir dela mesma e não a partir do homem como narra a Bíblia, mas a Bíblia ensina que a identidade feminina está diretamente ligada à masculina, Eva encontrou sua própria identidade em relação a Adão, como sendo tanto igual quanto auxiliadora. E quando a mulher se desvincula desse ponto de referência o que ocorre é uma confusão de qual é a identidade feminina. Eva foi reconhecida como mulher a partir do homem. Se não houvesse o varão não haveria a varoa.

Outra observação encontrada nesse texto que mostra que embora homem e mulher tivessem sido criados essencialmente iguais, Deus lhes atribuiu funções e propósitos diferentes é o fato de que foi a Adão que Deus incumbiu a missão de dar nome a todos os seres, inclusive à sua esposa. Depois de ter nomeado todos os seres do jardim, Deus trouxe a Adão por último aquela que seria sua companheira e ele lhe chamou Eva. Principalmente no Mundo Antigo, dar nome a algo ou alguém era um direito concedido ao líder.

 Porém, isso não traz nenhuma conotação humilhante e opressora. Não era assim que Deus via, nem mesmo Eva.

Basicamente, o que esse texto de Gn 2:18-25 nos mostra é que ser igual e ser auxiliadora estão em perfeita harmonia, de modo que o fato de a mulher ter sido criada como auxiliadora nada tem a ver com inferioridade, pois, ambos são iguais em valor e importância perante o Criador, mas não são idênticos e sim complementares.

Biblicamente, o valor das pessoas não está relacionado àquilo que elas fazem, mas ao que são, mas a mentalidade secular prega que o valor do ser humano está relacionado a suas realizações e status. Nessa mesma linha de raciocínio, o que o feminismo prega é que a mulher só terá valor de fato, quando fizer exatamente aquilo que o homem faz. Uma posição diferente disso é desprezível. Para o Feminismo uma mulher que é mãe e dona de casa está aquém do seu valor pelo simples fato de não buscar reconhecimento “lá fora”. Quando as mulheres compreendem o seu valor diante de Deus, o foco deixa de ser aquilo que elas tem ou não capacidade de fazer e se torna aquilo que elas são em Deus.

Por outro lado, vale dizer aos homens que assim como o fato da mulher ser auxiliadora não a torna inferior, o fato de o homem ser criado para cumprir o papel de líder da criação não o torna melhor que a mulher, pois o valor do homem também não está baseado naquilo que ele faz, mas naquilo que ele é.

O John Piper mostra um paradoxo interessante sobre a criação da mulher, por um lado a mulher foi criada a partir do homem, demonstrando sua igualdade, por outro lado ela foi criada PARA o homem demonstrando sua diferença. Deus poderia ter feito ambos do pó da terra ou criado primeiro a mulher e depois o homem. Deus poderia ter feito Adão a partir da mulher, mas ele não o fez. Este fato sugere que tanto o homem quanto a mulher foram criados com propósitos distintos. O texto de I Co 11:11-12 também apresenta um paradoxo interessante, embora a mulher tenha sido criada a partir do homem, o que sugere dependência, todo homem nasce da mulher, o que mostra que ambos dependem um do outro e se complementam. O que o Feminismo tem tentado fazer é romper a dependência criada por Deus entre homens e mulher; Deus não nos criou para ser independentes uns dos outros, se não, sequer existiria sociedade. Deus fez assim para que a mulher não fosse independente do homem (feminismo) e para que o homem não se sentisse superior à mulher (machismo). Então, se por um lado a mulher deve estar sujeita ao homem, por outro ela deve ser valorizada porque Deus escolheu trazer todos os homens ao mundo (exceto Adão), inclusive o Seu próprio Filho por meio da mulher.

O padrão cristão de conduta é conforme estabelecido por Deus na criação:

– Sabemos que todos os seres humanos (homens e mulheres) são iguais porque foram criados á imagem e semelhança de Deus.

– Sabemos que Deus criou dois gêneros humanos distintos: homem e mulheres, essa é a principal diferença entre eles.

– Deus os criou com propósitos diferentes, isso mostra que eles não devem querer assumir a responsabilidade do outro. Deus criou Adão para governar a terra e cultivá-la, etc e criou Eva para auxiliá-lo nessa missão, mas Eva não é quem lidera e sim quem auxilia. Isso em nada diminui sua importância, pois sua importância é afirmada no fato de ter sido criada à imagem de Deus, assim como o homem.

Dito isso, é importante sabermos:

Como então devemos aplicar o princípio bíblico de submissão e liderança? Talvez para aqueles que são casados isso seja mais claro, mas isso nem sempre é tão claro para os solteiros. Vale ressaltar que primordialmente a submissão é para todos os cristãos, à medida em que todos somos chamados a nos sujeitar a Cristo, ás autoridades (dentro e fora da igreja), aos pais, a nos sujeitarmos uns aos outros como irmãos em Cristo. A sujeição está muito ligada ao serviço.

Desde quando a submissão se tornou sinônimo de inferioridade?

Não há nada de errado é humilhante nisso. O problema disso é que nós olhamos para esse quadro com nosso olhar pecaminoso, deturpado pela queda, conforme veremos no capítulo 3.  Ser auxiliadora não é um insulto, pois, como já vimos, a Bíblia é clara ao mostrar que a mulher é tão dotada quanto o homem, entretanto, Deus designou para ela um papel diferente do homem e cumprir esse papel não é humilhação, muito pelo contrário, é bênção.

Assim como o pastor da igreja não é superior aos membros e ainda assim ele é chamado para liderar e os membros para apoiarem a sua liderança. O fato de ele ser líder não significa que seja superior aos demais, o fato é simplesmente que Deus o chamou para isso. E designou cada membro para cumprir uma função distinta dentro do corpo, não existem funções superiores ou inferiores, cada um dentro da sua função glorifica a Deus, e todos trabalham juntos, complementando um ao outro. No Corpo de Cristo se um deixa de cumprir o seu papel, todo o corpo sofre. Assim ocorre com os papeis de homens e mulheres designados por Deus (1 Co 12:12-31). Deus constituiu o homem para liderar, a mulher para apoiar, não há inferioridade, ambos devem trabalhar juntos, quando o homem deixa de cumprir corretamente a sua função de líder a sociedade sofre e quando a mulher deixa de cumprir sua função de auxiliadora ocorre o mesmo.

Porém, vale reforçar que a relação de autoridade de Adão para com Eva e a resposta de submissão de Eva a essa liderança não era imposta, mas uma manifestação do amor de um para com o outro, isto é, era uma relação harmoniosa. Não havia dolo, era perfeito assim, pois Deus o criou para ser.

Porém, algo aconteceu e afetou essa harmonia. Continuaremos em Gênesis 3.

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