Lições para a vida: de Jó a C.S. Lewis

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“… quando é preciso suportar a dor, um pouco de coragem ajuda mais que muito conhecimento, um pouco de simpatia humana tem mais valor que muita coragem, e a menor expressão do amor de Deus supera tudo” (C.S. Lewis, em “O problema do sofrimento”)

Ler essa frase de Lewis, me lembrou a vida de Jó. Ele enfrentou um problema de grande sofrimento e nessa hora, seus amigos (como bons amigos fazem, ou deveriam) foram até ele para consolá-lo. Só que, ao invés de consolar eles começaram a tentar explicar, justificar e racionalizar o sofrimento de Jó, apontando possíveis causas. Sinceramente, em determinados momentos da vida, eu já agi como eles, mas com o passar do tempo, tenho aprendido que algumas coisas são mais importantes do que outras, ainda mais se tratando de pessoas. Pessoas como eu tem a tendência de racionalizar e buscar uma explicação para tudo, não por mal, mas talvez na tentativa de aliviar a dor do outro, mas infelizmente (ou felizmente) teorias não resolvem dores. Quer você seja ateu, cristão, PhD. ou seminalfabeto, na hora do sofrimento nos tornamos simplesmente humanos e totalmente vulneráveis. Nesta hora, diplomas e teorias não valem nada. Ter razão não é o mais importante quando se trata da alma humana.

Os amigos de Jó, talvez bem intencionados, estavam determinados a encontrar uma solução, mostrar os “porquês”, mas saber os “porquês” não é antídoto para a dor. O fato de uma mãe saber que suas dores de parto são por que seu bebê está prestes a nascer não faz com que a dor seja menos intensa. Na cruz Cristo estava plenamente ciente do propósito do seu sofrimento, mas nem por isso sua dor se tornou mais amena. Os amigos de Jó foram tão fundos na questão que ele chegou ao ponto de dizer, “ao invés de me consolarem, vocês estão me molestando”.

Sabe aquele tipo de gente que na tentativa de ajudar só piora a situação? Que por querer dizer, mesmo sem saber o que dizer, só faz a ferida sangrar ainda mais? Pois bem, assim foram os amigos de Jó e talvez você seja uma pessoa assim também. Quando algo de ruim acontece, você está mais preocupado em brigar do que consolar? Às vezes nós temos a tendência de nos preocuparmos mais com a circunstância do que com a pessoa, com as perdas materiais do que emocionais. Como disse Lewis:

“… quando é preciso suportar a dor, um pouco de coragem ajuda mais que muito conhecimento, um pouco de simpatia humana tem mais valor que muita coragem, e a menor expressão do amor de Deus supera tudo”. É isso que precisamos fazer: encorajar, ser simpáticos à dor do outro. Ser simpático nada mais é do que ser solidário ao outro.

Precisamos expressar o amor de Deus a quem precisa. Por vezes, quando aqueles que estão próximos de nós pecam, nos colocamos no time dos que só conseguem apontar o erro. É óbvio que (na maioria dos casos) a pessoa sabe o que fez e não precisa que lembrem isso a ela; a consciência é nosso maior acusador. Quando Lewis diz: a menor expressão do amor de Deus supera tudo, ele parte de um princípio bíblico:

“Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, pois o amor cobre uma multidão de pecados” (I Pe 4:8)

Expresse o amor de Deus àqueles que estão caídos. Fale do perdão e da oportunidade de recomeço que Deus concede a aqueles que se prostram perante Ele. Sejamos consoladores e anunciadores de boas novas!

Há momentos que nenhuma palavra consola, tenho aprendido a ficar quieta. Às vezes o silêncio é mais útil que as palavras. Quando alguém perde um ente querido, sofre uma traição, sofre perdas financeiras. Ao invés de acusá-lo de pecado, como os amigos de Jó fizeram, console apenas, há um tempo para todas as coisas, se é tempo de abraçar guarde as palavras, se é tempo de falar e deixar de abraçar, então faça! Mas tudo a seu tempo.

“Para uma pessoa que está se sentindo abatida e sobrecarregada, muitas vezes é melhor encontrar alguém que procure ouvi-la e orar silenciosamente do que aquele que tenta oferecer soluções para o problema. A capacidade de ouvir é um dom que talvez você possa compartilhar. Aquele que escuta é como um bálsamo para quem sofre. A capacidade de ouvir com compaixão é um presente do qual muitos precisam.”

Que Deus nos ajude a deixar de lado as pedras e manifestar o amor que cobre uma multidão de pecados.

No amor de Cristo

Prisca Lessa

OBS: a lógica dos amigos de Jó, comum nos tempos antigos era que se você está sofrendo, é porque fez algo errado e o sofrimento é o castigo dos deuses. Infelizmente, essa lógica se transportou para a igreja. Por exemplo, quando alguém tem problemas financeiros, qual a primeira coisa que lhe perguntam? “Você deu o dízimo mês passado?”. Se você não deu dízimo, então essa é a causa. Mas a verdade é que os problemas financeiros têm muito mais a ver com a má gestão e falta de disciplina financeira do que com a ira de Deus, até porque é um tanto estranho que cristãos libertos na cruz, onde Jesus tomou todo o cálice da ira de Deus, acreditem que Deus está fazendo-os pagarem por pecados (que Cristo já pagou!). Consequências não são castigos, é preciso discernir isso.

 

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