DEVOCIONAL.

No capítulo 20 do evangelho de João um verbo se repete com certa frequência:
v. 1 “[Maria Madalena] viu a pedra revolvida”
v. 5 “[o outro discípulo] viu os lençóis de linho”
v. 6 “[Pedro] também viu os lençóis”
v.8 “[o outro discípulo] viu, e creu”
(No v. 11 também nos é dito que Maria olhou para dentro do túmulo)
v.12 “e [Maria Madalena] viu dois anjos vestidos de branco”
v.14 “[Maria Madalena] voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não o reconheceu”
v. 18 “Então, saiu Maria Madalena anunciando aos discípulos: Vi o Senhor!”
v. 20 “Alegraram-se, portanto, os discípulos ao verem o Senhor”
v. 25 “Disseram-me [a Tomé], então, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele respondeu: Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos […] de modo algum crerei”
v. 27 “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos”
v. 29 “Porque me viste, creste? Bem aventurados os que não viram e creram”

João está destacando a condição de incredulidade dos discípulos:

Eles viam mas não conseguiam enxergar e perceber o que estava acontecendo. Viram os lençóis, viram o túmulo vazio, mas não enxergaram a realidade contida nesses fatos. Estavam cegos. Maria viu o túmulo vazio, viu os anjos, (num primeiro momento) viu a Jesus, mas não enxergou a realidade dos fatos; permanecia inconsolável em sua tristeza. Até que finalmente, seus olhos foram abertos e ela VIU o Senhor e toda a sua visão acerca dos fatos foi transformada. Ela, então, pôde testemunhar, não somente que viu ao Senhor, mas o cumprimento dos eventos profetizados por Jesus acerca de sua morte e ressurreição.

Os discípulos estavam reunidos e amedrontados, tiveram seus olhos abertos, sua incredulidade caiu por terra quando viram o Senhor. Mas, Tomé não viu, e porque não viu permaneceu na incredulidade (da qual os demais haviam sido libertos). E ele logo disse o que os demais não haviam dito: “Se eu não vir, DE MODO ALGUM crerei.” Perceba a obstinação do discípulo. Em outras palavras, ele admite que sua fé estava condicionada ao que via. Se não visse jamais, não creria jamais.

Que declaração chocante, a de Tomé, mas, afinal, não era esta a condição dos demais? No fundo, todos os discípulos partilharam da mesma incredulidade, mas, Tomé chegou por último e foi o bode expiatório.

Todavia, Jesus, conhecendo a pequena fé de seus discípulos, mais uma vez se mostrou e disse a Tomé: “vê”. “Não sejas INCRÉDULO [o Mestre apontou o problema], mas crente [e deu a solução]”.

Tomé também viu o Senhor e seus olhos se abriram. Ele foi liberto da incredulidade: “Senhor meu é Deus meu”. Que bela confissão, mas, Jesus não se deteve diante desta declaração e o repreendeu: “Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram”. A repreensão foi severa, mas não foi só para Tomé, foi para todos que, cegos pela incredulidade, não conseguem enxergar a verdade.

É possível que mesmo sendo discípulos de Jesus passemos por crises de fé em certos momentos. Cristo chama a nossa atenção para isso, Ele não passa a mão em nossa cabeça e diz: “Tudo bem ser um pouco incrédulo”. Cristo teve misericórdia de Tomé, ao aparecer para Ele, mas, ainda assim o repreendeu: seja crente! Pare de ficar se lamentando pelos cantos, pare de impor condições a Deus, seja maduro na fé, creia, o Senhor já te deu todas as ferramentas necessárias para exercitar a sua fé, então, exercite-a!

Saiamos dos campos da falta de ânimo, da falta de fé e do lamento, Cristo vive! E que a mensagem da ressurreição seja proclamada: O Senhor está vivo!

Um bom domingo de Páscoa.

No amor de Cristo,

Prisca Lessa

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O sofrimento justifica minha falta de amor? Olhe para a cruz!

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“E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, e a irmã dela, e Maria, mulher de Cléopas, e Maria Madalena. Vendo Jesus sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí a tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa” (João 19:25-27)

Essa é a narrativa do apóstolo João acerca das últimas horas de Jesus. Nesta ocasião, o Senhor já estava crucificado; cansado, faminto, sedento, ferido. A dor da traição também o afligia; muitos dos seus discípulos o haviam abandonado. Mas, ali, junto à cruz, permaneciam alguns dos seus, dentre eles Maria, sua mãe, e também o discípulo amado[1].

Aquele era, sem dúvida, o pior momento da vida de Jesus, Ele experimentava dor intensa em todas as dimensões do seu ser. Estava esgotado, não havia mais forças em si mesmo. O Salvador estava prestes a morrer, mas não sem antes nos falar ao coração mais uma vez: ali, nas piores condições, Jesus nos ensina um dos grandes princípios da fé cristã: o amor ao próximo.

Em seu momento de dor, Jesus não deixou de lado o grande mandamento, Ele amou, e amou até o fim. João nos conta de um momento íntimo exclusivo em sua epístola, onde Jesus, Filho de Deus nascido de mulher, expressa seu amor e cuidado por sua mãe. Maria permaneceu ao seu lado até o último instante. Não ousou tentar impedir que esse momento ocorresse – ela sabia que para este momento o Filho de Deus lhe fora concedido. Ainda assim seu coração maternal estava em ruínas. Apesar do horror da cruz, ela não pôde deixar de estar ao lado de seu amado filho e Senhor, por meio de quem havia recebido amor e cuidado ao longo dos anos. Era uma hora difícil. Assim como os discípulos estavam incertos quanto ao futuro após a morte do Mestre, certamente, Maria também nutria medos e incertezas. O que aconteceria a partir daquele dia? Ela esteve com Jesus ao longo dos anos e recebeu dele cuidado e amparo, mas o que aconteceria dali em diante?

“Assumindo o fato de que José não era mais vivo no momento da morte de Jesus, começamos a entender o motivo pelo qual houve uma preocupação toda especial com sua mãe na crucificação. Jesus era o responsável por ela. O costume judaico dizia que, uma vez morto o pai, a herança era dividida imediatamente da seguinte forma: metade dos bens para o filho mais velho e a outra metade dividida entre os filhos homens. O primogênito ficava com a maior parte, pois lhe cabia sustentar a mãe enviuvada e as irmãs solteiras.”[2]. Conforme indicado no Evangelho de Lucas, a família de Jesus era pobre, eles não possuíam muitos recursos; Jesus não possuía uma renda, mas é possível que com o pouco ainda conseguisse suprir os cuidados de sua mãe. Porém, com sua morte Jesus se preocupou com o bem-estar de Maria manifestando sua responsabilidade de filho mais velho ao prover para ela sustento designando-lhe um filho na fé: “Mulher, eis aí teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí a tua mãe”[3].

            Esta breve, porém sensível, narrativa de João tem muito a nos ensinar. Em seu pior momento de dor, Jesus não deixou de manifestar amor. Seu amor não estava condicionado às circunstâncias, sentimentos ou pessoas. Mas nós dificilmente assumimos essa postura. Pelo contrário, é muito comum que em momentos difíceis nos isolemos, nos inclinemos ao egoísmo e coloquemos nossos sentimentos – problemas e frustrações – em primeiro lugar. Sentamos em nosso trono e julgamos que os outros têm a obrigação de se sujeitar à nossa amargura porque estamos sofrendo.

Usamos o sofrimento como uma licença para sermos insensíveis, duros e ausentes.

            Usamos a justificativa “eu não estou bem” como licença para proferir palavras amargas, deixar de dar atenção, abraçar e atender às necessidades do outro. Sob esta “licença” nos tornamos rudes, frios, desafetuosos e impacientes com aqueles que estão ao nosso redor e não nos sentimos culpados por isso, afinal não estamos e o mundo precisa entender isso. “Estou sofrendo e o sofrimento justifica minha falta de amor”.

            Mas, quando olhamos para a cruz aprendemos que nem mesmo o (pior) sofrimento justifica a falta de amor. Cristo nos ensina que o verdadeiro amor não se deixa vencer pelo sofrimento. Se há alguém que tinha o direito de viver seu sofrimento plenamente sem se importar com ninguém esse alguém é Jesus. Ele, que havia sido abandonado, poderia abandonar a todos. Ele, que havia dedicado sua vida pelos outros, poderia escolher viver aqueles últimos instantes para si mesmo; se voltar para o Pai e esquecer de todo o resto. Mas, não, o Senhor não usou o sofrimento como instrumento de egoísmo, pois, o amor nunca é egoísta.

            Não quero com isso dizer que é fácil, nós bem sabemos o quanto é difícil. É difícil amar quando estamos feridos. As palavras saem atravessadas facilmente; nossa tendência é nos voltarmos para dentro e esquecermos o mundo; nossa tendência é sentir raiva daqueles que não estão sentindo o nosso sofrimento – ainda que não expressemos isso em palavras. Quando sofremos é difícil olhar para as necessidades do outro, mas Jesus olhou. Não somente para Maria, mas para aqueles homens crucificados junto a Ele, olhou para cada um de seus discípulos, presentes e ausentes, olhou para mim e olhou pra você. Amar é a demonstração prática do evangelho e viver o evangelho não é fácil.

            O evangelho é duro, pois nos diz que mesmo sangrando devemos ser santos, devemos ser como Cristo. Ele nos aponta a direção contrária ao nosso coração e nos ensina que mesmo quando estivermos sentindo profunda tristeza de alma, devemos amar ao nosso próximo. Não devemos despejar o sofrimento sobre o outro, pelo contrário, devemos usar o sofrimento como ocasião para nos assemelharmos a Cristo. Devemos usar o sofrimento para servir e não querermos ser entronizados e adorados. O sofrimento não dominou o nosso Senhor, não deve nos dominar também. Naquele momento em que deveria ser exclusivo de Jesus, Ele se ocupou em cuidar do coração de Maria. Que o Senhor nos ajude a abençoar em meio ao sofrimento, em meio à mágoa e às adversidades da vida.

Não devemos nos deixar dominar por nada, nem mesmo pelo sofrimento.

            Jesus também nos ensina que nos momentos mais difíceis de nossa vida, Ele provê consolo de onde menos esperamos. Ele cuida de nós. Quando Maria imaginaria que João se tornaria seu filho? Que ele cuidaria dela até ditosa velhice?! Ela não sabia o que seria do seu amanhã, mas Jesus já havia cuidado de tudo. A cruz não era empecilho para o seu agir.            Podemos passar por momentos de medo e incertezas, assim como os discípulos naquela sexta-feira, mas devemos nos lembrar de que se nem mesmo os cravos impediram Jesus de suprir as necessidades de Maria, o que pode impedi-Lo agora que ele está á destra do Pai?! Ele intercede por nós, não importa qual seja o tamanho da nossa angústia, medo e necessidade. Ele cuida de nós. Não existe qualquer circunstância que possa impedir a provisão de Deus para o seu povo. Ele não falha e não se esquece de nós.

            Sabendo disso, nós podemos descansar de nossos sofrimentos, repousar em seu amor e amar uns aos outros como Ele nos ama.

O sofrimento, por maior que seja, nunca deve superar o amor. Na cruz Jesus nos mostra que nem mesmo o pior sofrimento supera o amor.

            “Tendo amado os seus, amou-os até o fim” (Jo 13:1).

Senhor, ajude-nos a amar. Até o fim.

 

No amor de Cristo,

Prisca Lessa

Chesterton e o Deus que exulta na Monotonia.

Trabalhar com crianças me faz ouvir muitos “de novo”. Às vezes eles não se expressam em palavras, mas com bracinhos esticados e olhos cheios de expectativa. À cada repetição, a diversão vai se tornando enfadonha para mim, enquanto a criança vai jubilando cada vez mais. Ela poderia vir com seus bracinhos esticados umas cem vezes, se possível, já eu, não aguentaria até a décima repetição.

É incrível pensar que Deus não se cansa, é incontável o tempo em que Ele vê tudo de novo sem se cansar. Deus não sofre com o tédio.
Por isso, ao olhar a vibração de uma criança, somos lembrados de que Deus não se cansa, e, sim, como disse Chesterton, em certo sentido, Deus é jovem, muito mais do que nós, que envelhecemos e nos cansamos. Esse trecho de Ortodoxia é sempre um deleite para mim. E se você nunca leu este livro, leia e reflita nisso:

“Todo o intenso materialismo que domina a mente moderna apóia-se, em última análise, numa suposição; uma suposição falsa. Supõe-se que se uma coisa vai se repetindo ela provavelmente está morta; uma peça numa engrenagem. As pessoas sentem que se o universo fosse pessoal ele variaria; se o sol estivesse vivo ele dançaria. O que é uma falácia até em relação a fatos conhecidos. Pois a variação nas atividades humanas é geralmente causada não pela vida, mas sim pela morte; pelo esmorecimento ou pela ruptura de sua força ou desejo.

Um homem varia seus movimentos por algum leve elemento de incapacidade ou fadiga. Ele toma um ônibus por estar cansado de caminhar; ou caminha por estar cansado de ficar sentado imóvel. Mas se sua vida e alegria fossem tão gigantescas que ele nunca se cansasse de ir para Islington, ele poderia ir para Islington com a mesma regularidade com que o Tamisa vai para Sheerness. A própria velocidade e êxtase de sua vida teria a imobilidade da morte. O sol se levanta todas as manhãs. Eu não me levanto todas as manhãs; mas a variação se deve não à minha atividade, mas à minha inação.

Ora, para expressar o caso numa linguagem popular, poderia ser verdade que o sol se levanta regularmente por nunca se cansar de levantar-se. Sua rotina talvez se deva não à ausência de vida, mas a uma vida exuberante. O que quero dizer pode ser observado, por exemplo, nas crianças, quando elas descobrem algum jogo ou brincadeira com que se divertem de modo especial. Uma criança balança as pernas ritmicamente por excesso de vida, não pela ausência dela. Pelo fato de as crianças terem uma vitalidade abundante, elas são espiritualmente impetuosas e livres; por isso querem coisas repetidas, inalteradas. Elas sempre dizem: “Vamos de novo”; e o adulto faz de novo até quase morrer de cansaço. Pois os adultos não são fortes o suficiente para exultar na monotonia.

Mas talvez Deus seja forte o suficiente para exultar na monotonia. É possível que Deus todas as manhãs diga ao sol: “Vamos de novo”; e todas as noites à lua: “Vamos de novo”. Talvez não seja uma necessidade automática que torna todas as margaridas iguais; pode ser que Deus crie todas as margaridas separadamente, mas nunca se canse de criá-las. Pode ser que ele tenha um eterno apetite de criança; pois nós pecamos e ficamos velhos, e nosso Pai é mais jovem do que nós. A repetição na natureza pode não ser mera recorrência; pode ser um BIS teatral. O céu talvez peça bis ao passarinho que botou um ovo.”

~ Ortodoxia, G.K. Chesterton

Apoio.

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Olá, queridas irmãs (e irmãos) que acompanham o blog! Me perdoem pelo sumiço, há semanas não tenho escrito nada por aqui, mas isso é (em parte) por uma boa causa: ando atarefada na execução de um projeto especial e gostaria de compartilhá-lo com vocês.

Trabalhar com famílias sempre foi um sonho; desde o ano passado iniciei um projeto para pais chamado Espaço Saber, cujo objetivo é atender pais de alunos matriculados em escolas públicas (ou particulares). O projeto inclui palestras bimestrais com temas voltados para a família e um acompanhamento mensal onde os pais têm um tempo para ouvir e serem ouvidos acerca das dificuldades familiares e pessoais.

Tenho encarado isso como uma missão cujo objetivo é enfatizar o valor da família na sociedade e especialmente na formação das crianças.

Esse ano o projeto ganhou corpo e está sendo implementado numa escola conveniada com a prefeitura na cidade de Vargem Grande Paulista, onde resido atualmente, e no dia 14/04 faremos o primeiro encontro cujo tema é:

“ADAPTAÇÃO E DISCIPLINA NA INFÂNCIA”

Falaremos sobre a importância da disciplina (o valor do não, a necessidade de impor limites aos filhos) e o papel dos pais na formação da criança.

Como o projeto está em fase embrionário, ainda não há recursos nem apoio financeiro suficiente para nos organizarmos. Mas, creio que Deus abrirá as portas. A fim de arrecadar recursos para este primeiro encontro estamos fazendo de tudo um pouco e surgiu a ideia de criarmos uma vaquinha. Nossa meta é R$700,00, mas o que conseguirmos já será de grande valia e sei que Deus multiplicará o que tivermos.

Caso queiram e possam colaborar, ficarei feliz e grata. Mas acima de tudo, conto com as orações de vocês, porque sei que se não for o Senhor nada disso será feito e, acima de tudo, meu desejo é que todo esse trabalho seja pra glória dEle e não nossa e que muitas famílias sejam alcançadas.

Por isso, deixo aqui o meu convite para que você seja nosso parceiro nessa missão. Qualquer dúvida, estou à disposição.

Segue o link da Vakinha:
https://www.vakinha.com.br/vaquin…/primeiro-encontro-de-pais

E nos ajudem compartilhando! Muitíssimo obrigada, queridos!

No Amor de Cristo,

Prisca Lessa

 

Mulher e/é poesia.

A primeira poesia na história da humanidade foi feita para descrever uma mulher ❤ Quão belo e singelo este fato.

No Éden, ao se deparar com aquela criatura que transcendia tudo quanto já havia visto, Adão a nomeou. Não como fizera com outras criaturas, pois que, tomado de inspiração, poetizou:

“Esta, afinal, é osso dos meus ossos
e carne da minha carne;
chamar-se-à MULHER,
porquanto do homem foi tomada.”

Resta alguma dúvida de que mulher é inspiração e poesia?! Portanto, que a chamem ditosa, que seja louvada e que receba o fruto das suas mãos (Pv 31:28,30-31)

Li e recomendo: As Firmes Resoluções de Jonathan Edwards.

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Comecei o ano com leitura desse livro: “As Firmes Resoluções de Jonathan Edwards”, de Steven Lawson (Ed. Fiel). O livro faz uma análise da vida de Jonathan Edwards por meio das 70 resoluções que ele fez e seguiu ao longo de sua vida. Não se trata de um livro de leitura rápida, embora seja bem pequeno, este é um daqueles livros meditativos, pois em cada capítulo o autor apresenta um desafio a ser aplicado em nossa vida cristã. Isso torna a leitura bem reflexiva. Olhar a vida de Edwards gera um incômodo; ele foi um homem cuja busca pela glória de Deus, por meio de uma vida de santidade, se destacou. O questionamento que me acompanhou ao longo dessa leitura foi: quão empenhada e comprometida com minha santificação eu tenho vivido? Sim, é o Espírito quem opera em nós a santificação, mas há também o imperativo: “sede santos”. Essas duas verdades andam juntas e não se anulam. A santificação não é um processo estático, o apóstolo Paulo se refere a ela de modo bem ativo: como uma corrida, como um atleta em exercício; ele também usa termos pesados como esmurrar o seu próprio corpo. O processo é ativo e não inerte.

Edwards vivia uma vida de constante avaliação, por isso formulou suas resoluções como um meio de avaliar-se. Elas também foram formuladas à medida que ele descobria em si áreas que precisava mudar. Cada resolução era um lembrete diário. Ele as relia semanalmente.
Como um atleta disciplinado e focado em sua missão, Edwards se dedicou em preparar-se para encontrar o Senhor. Não porque achasse que a salvação dependia de suas obras, mas como noiva que não poupa caprichos ao se adornar para o noivo, Edwards se empenhou em cultivar uma vida de piedade para se apresentar diante do Grande Noivo. Seu compromisso com a glória de Deus era tamanho que envolvia não somente o aspecto espiritual, mas todas as esferas de sua vida.

Um dos trechos que mais me marcou fala sobre a preocupação de Edwards com sua alimentação; visto que notava que determinados alimentos após serem consumidos o deixavam mais preguiçoso e indisposto a se dedicar aos estudos e à leitura da Palavra, ele buscava uma alimentação que lhe propiciasse mais disposição física e mental. Será que quando como estou consciente de que esse ou aquele alimento trará mais ou menos benefício para o meu corpo redundando em glória a Deus? Estou ciente dos malefícios que alguns alimentos podem me trazer limitando minha disposição em servir ao Senhor? Trata-se de uma reflexão necessária.

Edwards também tinha um forte senso da importância do tempo, tudo poderia ser recuperado, menos o tempo. Uma vez que prestaremos contas a Deus do uso que fizemos do tempo; Edwards buscava ser zeloso no uso do seu tempo. Isso era algo muito importante para ele. Mesmo falhando em diversos momentos, ele manteve esse foco ao longo de sua vida.

Isso me fez refletir sobre a administração que tenho feito do meu tempo: o tempo gasto no celular, a procrastinação, a negligência, a falta de pontualidade nos compromissos. É algo sério, mas, por vezes, ignorado. Ao fim da vida o que muitas pessoas gostariam é de ter tido mais tempo, mas elas não calculam isso enquanto o tem de sobra. Por isso, precisamos ser mordomos do tempo, assim como das demais coisas que o Senhor nos concede. O exemplo de Edwards me incentivou a iniciar um planejamento diário das minhas atividades. No domingo à noite tenho feito o planejamento da semana – coisas importantes que preciso resolver – e todos os dias e todos os dias antes de dormir, listo tudo o que preciso fazer no dia seguinte, em que ordem farei e quanto tempo (aproximadamente) gastarei em cada atividade, isso inclui o tempo que gastarei no celular. Tem sido muito útil e me ajudado a utilizar melhor o meu tempo. Ainda não está perfeito, mas, aos poucos vou aprendendo.

Edwards também cultivava o hábito de monitorar os seus sentimentos, cada vez que seus sentimentos parecessem desordenados, ele parava e fazia um autoexame. Seus sentimentos lhe serviam de alerta, como escreveu Lawson:
“Sempre que suas emoções estavam fora de forma ‘no mínimo que fosse’, ele se propunha a dedicar um tempo para entender a razão disso. Percebia que uma falta de paz interior serviria como um alarme de que algo estava errado dentro dele. Poderia ser que algum pecado, ainda não diagnosticado, estivesse causando uma falta de contentamento. Poderia ser que ele estivesse falhando em confiar em Deus, sendo por isso, privado de sua alegria interior. Essas condições que alteram as emoções demandavam sua atenção, a fim de que pudesse fazer qualquer correção necessária”.
Edwards buscava estar sempre consciente de suas emoções para não se tornar refém delas. Ele mantinha um olhar atento aos seus sentimentos, a fim de se corrigir se por ventura eles resultassem de algum pecado como a falta de contentamento em Deus. Essa é uma análise sadia e necessária que precisamos fazer diariamente. Precisamos estar conscientes de nossas emoções e orar por elas.
Por fim, a última resolução de Edwards é talvez uma das mais desafiadoras:
“Que haja algo de benevolente em tudo o que eu falar” (resolução n°70, 17 de agosto de 1723). Que seja este um lembrete diário.
No Amor de Cristo,
Prisca Lessa

Por mais Teologia nas Mulheres

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Quando decidi criar o “Teologia para Mulheres” minha motivação foi contribuir para que mais mulheres tivessem acesso e interesse pela Teologia sadia e percebendo o quão fundamental o conhecimento, bem como a prática da Palavra de Deus, é fundamental em todas as áreas da vida. Tomei essa resolução, pois percebi o quanto a falta de um conhecimento sólido sobre Deus interfere na vida de muitas mulheres; tornando-as frágeis e vulneráveis a todo tipo de ensino, por vezes aparentemente cristão, mas totalmente nocivo.

A maioria dos programas voltados para as mulheres na igreja se limitam a chás e a abordagem de assuntos bons, porém que não trazem solidez espiritual, de modo que as mulheres nunca amadurecem de fato na fé e se tornam “reféns” de reuniões e aconselhamentos (nada contra essas programações, são ótimas, porém não substituem o contato com a Palavra de Deus). Assim como minha intenção não é que as mulheres se tornem dependentes desse tipo de programações, minha intenção também não é que você se torne dependente deste blog ou qualquer outro recurso, nem mesmo me tornar uma referência em respostas cristãs! E sim que busquem direção na Palavra, que estejam aptas a analisar o texto bíblico e aplicá-lo no dia a dia. Nada nem ninguém pode substituir isso. A Reforma nos deixou esse legado, temos acesso à Escritura em nossas casas, sem mediação, devemos tirar o máximo proveito disso! Há um universo todo a ser explorado, há um Deus infinito a ser conhecido em seus atributos e toda a beleza do seu ser e, definitivamente, não podemos deixar isso em segundo plano.

Estou longe de ser um exemplo, falho todos os dias, inclusive naquilo que eu mesma comunico, mas quando olho para a minha vida, percebo o quanto amadureci – enquanto cristã e enquanto mulher – no momento em que comecei a me dedicar mais em conhecer as Escrituras e hoje meu maior desejo é que muitas outras mulheres vivenciem isso também! Não é um caminho de perfeição, aliás, quanto mais conhecemos a Palavra de Deus, mais descobrimos o pior de nós, mas a graça de Deus tem sido meu alicerce para que dia após dia eu recomece e tente de novo.

Depois que me formei em Teologia, tenho definido meu foco com os seguintes dizeres: “Para que haja mais mulheres na Teologia e mais Teologia nas Mulheres”, e Essa frase se aplica em dois sentidos: primeiramente, no meu desejo de que haja mais mulheres nas turmas de Teologia; mais interesse em não somente dedicar 3 ou 4 anos numa formação profissional, mas também numa formação teológica a fim de conhecer as Escrituras, servir melhor ao Corpo de Cristo – nos mais diversos ministérios, e também em suas casas – educando os seus filhos no caminho do Senhor, na vizinhança – quem sabe iniciando grupos de estudo. Me alegraria muito em ver um bom número de mulheres ensinando Teologia à outras mulheres em suas igreja, em suas casas ou instituições. Em segundo lugar, essa frase reflete o meu anseio de ver mulheres tão mergulhadas nas Escrituras que isso se refletirá em suas atitudes, escolhas, relacionamentos, profissões, conversas. Mulheres cheias da Palavra e cheias de sabedoria. Pra isso, não é preciso passar 4 anos, ou menos, em um seminário, basta começar a usar os recursos disponíveis. Com isso, quero enfatizar tanto o conhecimento quanto a piedade que deve resultar dele; as duas coisas devem andar lado a lado.

Por que estou dizendo isso? Bem, embora o blog ainda esteja dando seus primeiros passinhos, uma das minhas preocupações é que ele não perca essa característica, esse propósito inicial, levar Teologia para mulheres, inserir cada vez mais temas e práticas que trarão crescimento àquelas que estão aqui. Por isso, tenho pensado na melhor forma de servir vocês por meio deste espaço. Gosto muito de escrever textos práticos, meditações, falar sobre vida devocional, feminilidade entre outros assuntos. Boa parte dos meus posts são resultado de momentos que estou vivendo ou alguma reflexão que tive e desejo compartilhar aqui. Isso é bom, porém acho que este ano pode ser melhor. Por isso, tenho trabalhado algumas ideias a fim de tornar o blog mais dinâmico. O propósito é que além dos textos práticos que escrevo costumeiramente aqui, eu consiga desenvolver temas bíblicos com vocês buscando simplificar ao máximo algumas abordagens para que seja interessante e instrutivo. Em suma, em 2018 quero que haja mais Teologia nas mulheres que têm acompanhado o blog, este é o meu sonho e para tanto quero pedir a colaboração de vocês para que façamos isso juntas!

Elaborei este pequeno questionário com perguntas rápidas e objetivas para ter uma noção das necessidades mais gerais de vocês que acompanham o blog e também uma noção de por onde devo começar este trabalho. Meu desejo é mudar o blog, mas organizá-lo e manter um plano mensal que inclua: texto (livre), estudo, devocional, poesia cristã <3, ocasionalmente resenhas, indicações ou textos respondendo a algumas perguntas de vocês. Portanto, esse questionário tem dois propósitos básicos, primeiro me ajudar no planejamento anual do blog e, segundo, para que eu conheça melhor o perfil de quem tem acompanhado o blog e possa adequá-lo da melhor forma possível.

São 10 questões simples, a maioria de múltipla escolha e no final sugestões são bem vindas 🙂

Obrigada!

No amor de Cristo,

Prisca Lessa