REFLEXÕES DE NATAL: HERODES E A SOBERANIA DE DEUS

Mais amor, por favor!Queridas irmãs, estamos às vésperas do Natal. É tempo de celebrar a vinda do nosso Salvador, Jesus!  Por isso, ao longo das próximas semanas vamos refletir acerca deste acontecimento tão especial. Teremos três reflexões abordando o nascimento de Jesus a partir da perspectiva de três personagens bíblicos: Herodes, o anjos e os pastores. Espero que estas reflexões possam edificá-las!

“Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém. E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo. Tendo ouvido isso, alarmou-se o rei Herodes, e, com ele, toda a Jerusalém; então, convocando todos os principais sacerdotes e escribas do povo, indagava deles onde o Cristo deveria nascer. Em Belém da Judéia, responderam eles, porque assim está escrito por intermédio do profeta: E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as principais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar a meu povo, Israel.

Com isto, Herodes, tendo chamado secretamente os magos, inquiriu deles com precisão quanto ao tempo em que a estrela aparecera. E, enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide informar-vos cuidadosamente a respeito do menino; e, quando o tiverdes encontrado, avisai-me, para eu também ir adorá-lo.

Depois de ouvirem o rei, partiram; e eis que a estrela que viram no Oriente os precedia, até que, chegando, parou sobre onde estava o menino.

E, vendo eles a estrela, alegraram-se com grande e intenso júbilo. Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra. Sendo por divina advertência prevenidos em sonho para não voltarem à presença de Herodes, regressaram por outro caminho a sua terra.

Tendo eles partido, eis que apareceu um anjo do Senhor a José, em sonho, e disse: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito e permanece lá até que eu te avise; porque Herodes há de procurar o menino para o matar. Dispondo-se ele, tomou de noite o menino e sua mãe e partiu para o Egito; e lá ficou até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor, por intermédio do profeta: Do Egito chamei o meu Filho.

Vendo-se iludido pelos magos, enfureceu-se Herodes grandemente e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos. Então, se cumpriu o que fora dito por intermédio do profeta Jeremias: Ouviu-se um clamor em Ramá, pranto, [choro] e grande lamento; era Raquel chorando por seus filhos e inconsolável porque não mais existem.”(Mateus 2:1-18)

Afinal, quem era Herodes?

Herodes era rei da Judéia, um dos homens mais poderosos do seu tempo. Ele também era muito cruel com seus inimigos e chegou a matar a própria esposa e filhos devido a interesses pessoais. Mas, ele viu o seu reinado ameaçado ao saber que um novo rei havia nascido. Ao receber a notícia através dos magos (v.2) de que o Rei dos judeus havia nascido, Herodes não apenas temeu, mas ficou enfurecido ao ponto de mandar matar todos os meninos menores de dois anos. Herodes tramou um plano “perfeito” – aos seus olhos – para matar Jesus, sacrificando a vida de muitas crianças. Mas, assim como Deus livrou Moisés da matança dos meninos no Egito, Deus livrou seu próprio filho Jesus da matança de Herodes.

Herodes foi astuto e arquitetou um plano: por meio dos magos ele descobriria onde Jesus estava, mas, ao invés de ir adorá-lo, seu plano era eliminar aquele que ele temia ser seu oponente. O que Herodes não entendia é que, embora Jesus fosse o verdadeiro Rei dos judeus, seu reino não era deste mundo e nada nem ninguém poderia impedir sua missão.

Inutilmente Herodes tentou convencer os magos a voltarem trazendo notícias do Rei. Antes mesmo que eles pensassem e retornar a Jerusalém, os magos foram prevenidos em sonho para que não voltassem à presença de Herodes e assim fizeram (v.12).  Embora Herodes tivesse poder humano para agir, ele estava lidando com um poder infinitamente maior, Deus estava muito à frente dos seus planos.

Não satisfeito com esta primeira tentativa, Herodes maquinou um segundo plano: a matança dos inocentes. Ele decretou que todos os meninos de dois anos para baixo, de Belém e arredores, fossem mortos. A ordem de Herodes foi executada, mas seu limitado poder não atingiu o Messias, pois o próprio Deus, por meio de um anjo ordenou a José e sua família que fugissem para o Egito e ali permanecessem (v.13).  Passado alguns anos, o rei Herodes morreu e seu reinado acabou.

É interessante refletirmos sobre alguns fatos nessa narrativa. Por mais que Herodes tenha sido um homem mau, podemos aprender muitas coisas com as atitudes e escolhas que esse homem fez e também acerca do poder e da soberania de Deus em todas as circunstâncias.

Herodes se destaca como um rei tirano, que tinha tudo o que queria, e capaz de tirar do caminho qualquer um que tentasse atrapalhar os seus planos – ele mandou degolar dois de seus filhos por suspeitar de uma conspiração contra o seu reinado! – Ele era capaz de sacrificar vidas para se manter como soberano. Embora ele enganosamente se achasse soberano, Deus prova por meio dos acontecimentos relacionados à vida de Jesus que o único Rei e Soberano sobre toda a terra é o Senhor. Por mais que Herodes se empenhasse em planejar, subornar e tramar algo contra a vida de Jesus, seu poder era fraqueza diante de Deus, pois não existe poder e autoridade maior que o poder do nosso Deus! Saber disso é um grande consolo. Temos vivido tempos difíceis em nosso país, por vezes nos vemos à mercê de governantes maus e corruptos que não temem a Deus. Pode até parecer que eles têm autoridade para fazer o que quiserem enquanto estão no governo. Assim como Herodes, eles se acham soberanos, mas eles não são. Sua esfera de atuação só vai até onde o verdadeiro Governante da terra permitir. Eles não podem frustrar os planos de Deus e nem atingir a vida daqueles que Deus escolheu sem que Ele permita! Assim como Herodes o governo destes homens é passageiro. Eles não reinarão para sempre, mas, Cristo sim! (Sl 143:13). A morte de Herodes também nos ensina que nenhum mal dura para sempre. Por maior que seja a dificuldade e oposição que estejamos enfrentando, tudo tem seu início e fim. Podemos descansar sabendo que todo o mal é passageiro.

É interessante ver também que mesmo quando tudo parece fora de controle, Deus está no controle de todas as coisas. Se analisarmos bem o texto veremos que a cada acontecimento marcante, a Bíblia nos diz que aquilo aconteceu para que se cumprisse o que já havia sido anunciado pelos profetas (Mt 2:6, 18 e 23). Ou seja, nenhum daqueles acontecimentos pegou Deus de surpresa, pelo contrário, muito antes que Herodes pudesse nascer Deus já havia anunciado que aquilo aconteceria. Não é maravilhoso servir a um Deus que conhece todas as coisas? Ele sabe o nosso passado, presente e futuro. Não temos o que temer!

Assim como Jesus estava seguro nos braços do Pai, se estamos em Jesus, estamos seguros, haja o que houver. Quais dificuldades você tem enfrentado hoje e que tem trazido medo ao seu coração? De que forma essa passagem te motiva a confiar em Deus?

Deus abomina o orgulho e a soberba. O orgulho de Herodes o levou a ficar cada vez mais frio e distante da vontade de Deus. Ao invés de viver uma vida de sujeição a Deus, ele preferiu viver uma vida em busca de seus próprios interesses. Ele sempre queria mais e mais poder, ao ponto de fazer qualquer coisa para obtê-lo. Quanto mais nos afastamos de Deus, mais cegos pelo pecado nos tornamos. O pecado nunca nos sacia, sempre queremos mais. Por mais poder que Herodes tivesse, isso não lhe bastava. Ele era capaz de fazer qualquer coisa por “um pouco” mais. Ele terminou sua vida buscando poder, mas nunca obteve tudo o que queria. Sempre que buscamos algo fora de Deus nos deparamos com um infinito vazio. Somente Deus pode nos saciar completamente. Como está a sua vida diante de Deus? Será que existe algo que você tem desejado mais do a Deus? Existe algo que você deseja tanto e que seria capaz de fazer qualquer coisa – mesmo desobedecendo a Deus – para obter? Se sim, peça a Deus para que te ajude a vencer esse desejo e te faça amá-lO sobre todas as coisas. Que você encontre plena satisfação em servir e obedecer a Deus, pois somente no Seu amor somos realmente preenchidos.

Se esse texto te edificou, compartilhe-o!

Um abraço carinhoso.

No Amor de Cristo,

Prisca Lessa

 

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“MAIS AMOR, POR FAVOR”: falando de amor a uma geração sem amor [1]

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Há uma famosa música da minha adolescência que diz o seguinte:

O que há de errado com o mundo, mãe?

Pessoas vivendo como se não tivessem mães

Acho que o mundo se viciou em drama

Atraído apenas por coisas que lhe trazem trauma […]

Mas se você só tem amor pela sua própria raça

Então só sobra espaço para discriminar

E discriminar só gera ódio

E quando você odeia, então, você está destinado a ficar zangado, sim

Maldade é o que você demonstra

E é exatamente assim que a raiva funciona

Cara, você tem que ter amor para se endireitar

Tome controle da sua mente e medite

Deixe sua alma levitar para o amor, todos voes, todos vocês

Pessoas matando, pessoas morrendo

Crianças feridas e você escuta elas chorando

Você consegue praticar o que prega?

E você viraria a outra face?

Senhor, Senhor, Senhor, nos ajude

Envie alguma orientação dos céus

Porque as pessoas me fazem, me fazem questionar

Onde está o amor?

Onde está o amor? (O amor)

Onde está o amor, o amor, o amor?

Nunca é a mesma coisa

Está mudando constantemente

Os novos dias são estranhos

O mundo enlouqueceu?

Se o amor e a paz são tão fortes

Por que há partes do amor que não usamos? […]

Então, pergunte a si mesmo

O amor realmente se foi?

Então eu poderei perguntar a mim mesmo

O que está errado de fato?

Neste mundo em que vivemos

Pessoas estão desistindo

Tomando decisões erradas

Apenas visando seus próprios ganhos

Sem respeitar um ao outro

Negando o seu irmão […]

A verdade é mantida em segredo, varrida para debaixo do tapete

Se você nunca conhece a verdade

Então você nunca conhece o amor

Onde está o amor? Todos vocês, vamos lá (Eu não sei)

Onde está a verdade? Todos vocês, vamos lá (Eu não sei)

Eu sinto o peso do mundo nos meus ombros

Quanto maus eu envelheço, mais as pessoas ficam frias

A maioria de nós só pensa em ganhar dinheiro

O egoísmo está nos guiando para a direção errada

Informações erradas sempre mostradas pela mídia

Imagens negativas são o critério principal

Infectando as mentes jovens mais rápido do que bactéria

As crianças querem agir como elas veem no cinema

O que foi que aconteceu com os valores da humanidade?

O que foi que aconteceu com a justiça na igualdade?

Ao invés de espalharmos amor, estamos espalhando animosidade

Falta de conhecimento deixando vidas longe de uma unidade

É por isso que às vezes eu me sinto pra baixo

É por isso que às vezes eu me sinto mal

Não é de se admirar que às vezes eu me sinto pra baixo

Tenho que manter minha fé viva até que o amor seja encontrado

Então, pergunte a si mesmo?

Onde está o amor?

Nós temos um mundo

É tudo que nós temos

E tem algo errado com ele (sim)

Tem algo errado com ele (sim)

Tem algo errado com o mundo

Nós só temos um mundo

É tudo o que nós temos (Where is the Love, The Black Eyed Peas)

Eu ouvia tanto essa música na minha adolescência, mas confesso que nunca havia me atentado para o que a letra diz. É uma crítica a um sistema e, obviamente, por não ser cristão, o autor da letra coloca a culpa da falta de amor em diversos aspectos: a política, a ganância, o racismo, a guerra, o egoísmo, a religião, entre outros. Mas, o que chama a minha atenção é que mesmo sendo um ímpio, o autor consegue diagnosticar que existe um problema: “O que está errado de fato?”, as coisas não estão como deveriam estar. Ele não sabe qual é a causa, mas reconhece os efeitos. “você tem que ter amor para se endireitar”, ele entende que, de alguma forma, o amor tem o poder de redimir; “O amor realmente se foi?”, ele percebe que o amor não se encontra no mundo. Ele percebe a condição da humanidade: “Apenas visando seus próprios ganhos”, e por alguma razão, mesmo tendo nascido em um mundo egoísta, algo em seu coração lhe diz que visar os seus próprios ganhos não é correto. “Se você nunca conhece a verdade, então você nunca conhece o amor”, em certo sentido, ele entende que a verdade é o caminho para o amor (Jo 8:32). “O que foi que aconteceu com os valores da humanidade? O que foi que aconteceu com a justiça na igualdade?”, ele percebe que a humanidade perdeu algo de essencial, apesar disso, ele preserva a consciência de valores eternos como a igualdade e a justiça. “Tenho que manter minha fé viva até que o amor seja encontrado”, ele tem esperança de que o amor será encontrado no fim das contas; aquela esperança de que tudo dará certo no final. “Nós só temos um mundo, é tudo que nós temos. Tem algo errado com o mundo” essa é a triste conclusão do autor: o mundo é tudo o que temos. Aparentemente, ele não crê que exista algo além do aqui e o agora. A música termina com a triste sentença de que um mundo errado é tudo o que temos. E agora? Numa narrativa secular e materialista, é assim que tudo termina. No entanto, numa narrativa bíblica, é justamente aqui que entra a esperança do Evangelho, esperança que o autor da canção desconhece. É justamente nesse ponto de desalento e desesperança que a mensagem salvífica reluz.

A Bíblia diz que por causa do pecado, um mundo errado é tudo o que a humanidade tinha. Mas Deus proveu a salvação para este mundo: Cristo veio para transformar a humanidade e o mundo dos homens; trazendo justiça, paz, igualdade e o tão desejado AMOR! Enquanto o mundo pergunta “Onde está o amor?” A Bíblia apresenta a encarnação do amor: Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Eis o amor!

“Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (I Jo 4.10).

Veja, se você parar, aleatoriamente, uma pessoa na rua e lhe disser: “vamos falar de amor?” é certo que ela irá aceitar o convite e terá todo um conceito de amor para te apresentar. Ela apresentará ideias, soluções e criticas à sociedade na qual vivemos (assim como o autor da música). Se você parar outra pessoa e lhe disser: “vamos falar sobre Deus?”, é provável que você obtenha certa atenção, pelo menos se a conversa for geral e superficial. Afinal, em nome do respeito às crenças, hoje as pessoas apresentam certa abertura ao diálogo – reitero, desde que seja superficial ou não “radical”, como alguns definem. Mas, se você parar alguém e lhe disser: “vamos falar de Jesus?”, é bem provável que você seja ignorado, dispensado, ou até ofendido por isso. Afinal, na concepção de muitos, Jesus foi um radical extremista. O Jesus bíblico não se encaixa na ideia de amor que a sociedade exalta. A menos, é claro, que seja um falso Jesus como o pregado em alguns púlpitos; um Jesus paz e amor, cujo amor não passa de mero sentimentalismo.

A verdade é que se analisarmos a nossa sociedade veremos que as pessoas querem falar de amor, elas amam falar sobre o amor. Às vezes, elas querem até mesmo falar sobre Deus ou um deus qualquer. Você pode ser perpetuamente amigo do mundo falando sobre amor e sobre Deus/deus, de modo geral, mas, se você ousar falar sobre a pessoa de Jesus Cristo, você imediatamente, passará a ser visto com outros olhos. Você será colocado no grupo dos religiosos, radicais, intolerantes, entre outros adjetivos. Nem sempre nos damos conta, mas o mundo que rejeitou Jesus no passado é o mesmo mundo que o rejeita hoje. Isso é evidente nas ruas, nas salas de aula, na política, nas artes e em tantas outras esferas. Jesus ainda é a pedra rejeitada por muitos, mas Ele é também a pedra angular, sem a qual nenhum edifício espiritual pode ser construído. Fale de amor, e o mundo te amará, fale de Cristo e ele te odiará!

É preciso que sejamos muito prudentes e sábios na maneira como nos relacionamos com o mundo. Hoje muitos cristãos se unem ao coro do mundo, por “mais amor, por favor”; eles se sentem tão relevantes e aceitos que ignoram o fato de que a única razão pela qual o mundo aceita todo esse discurso de amor é o fato de que Cristo nunca é mencionado. Mas, se Cristo não está sendo mencionado, é evidente que não estamos falando do mesmo amor. Pois, se não há Cristo, há tudo, menos amor.

Em 1 João 4:1-2 o apóstolo João diz aos seus leitores que eles deviam provar os espíritos para saber se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas estavam saindo pelo mundo afora. João diz a esses cristãos como eles poderiam colocar à prova esses espíritos: “Nisto reconhecereis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus”. (I Jo 4:2). A solução é categórica: se você quer saber se aquele pensamento, discurso ou ação procede de Deus, basta verificar qual a relação que ele tem com a pessoa de Cristo. Cristo é sempre a prova real. Uma pessoa pode falar de amor, amar a humanidade, odiar as injustiças e ainda assim ser um anticristo – no sentido de ser contrário à verdade de Cristo – em sua conduta e pensamento. Isso vale não somente para pessoas, mas para pensamentos e ideologias também. Há tantos cristãos confundido belos discursos de amor com o Evangelho! Falar de amor simplesmente não é o Evangelho. Mas essa tem sido ser uma armadilha perigosa para muitos.

Há muitos ímpios que falam de amor com profunda paixão. Chega a ser admirável, mas devemos provar os espíritos. Portanto, sabe aquele seu amigo ou colega super legal, que faz o bem a todos, cheio de discursos de amor e que reprova toda e qualquer forma de ódio, violência e injustiça? Se ele não confessa a Cristo como Senhor, o Deus que veio em carne e habitou nesse mundo a fim de nos remir de todo o pecado, ele não procede de Deus, por mais belas que sejam suas palavras e ações. Parece duro, mas é exatamente isso que o apóstolo João está dizendo. Leiamos:

“e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo […] eles procedem do mundo; por essa razão, falam da parte do mundo, e o mundo os ouve” (I Jo 4:3).

É interessante notarmos que o apóstolo João começa dizendo: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (I Jo 4:1). Havia no meio dessa comunidade pessoas que vinham com um discurso muito atrativo. Eles enveredavam até mesmo os fiéis com suas palavras sutis, mas não passavam de falsos profetas. Há falsos profetas em nosso meio. Não somente nos canais da Igreja Universal ou da Mundial, mas há pensamentos entrando em nossas igrejas que parecem tão bíblicos, éticos e humanos, mas que são falsos! Ocultam a verdade do Evangelho, desprezam a santidade de Deus e omitem Cristo. O mundo pode falar de amor o quanto quiser, mas se rejeita a Cristo, caminha na direção oposta ao amor, pois o amor procede de Deus e nos é revelado em Cristo.

“Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.” (I Jo 4:7)

O apóstolo João nos leva a uma lógica: o amor procede de Deus. Se o amor procede de Deus, logo, todo aquele que ama é nascido de Deus. Sendo assim, para se amar é necessário que antes haja um novo nascimento. O nascimento ao qual João está se referindo é a ação íntima que o Espírito de Deus realiza em nossos corações tirando o coração de pedra e nos dando um coração de carne pronto a receber a Cristo.

“A isto respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez? Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer da água e do espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo.” (João 3:1 – 7)

O que João está nos mostrando é que para que o homem ame a Deus e a seu próximo é preciso que tenha nascido de Deus. Nesse ponto, precisamos parar para refletir um pouco sobre esta afirmação: para se amar é necessário que antes haja um novo nascimento. Talvez você esteja se perguntando:

  • Será que apenas os cristãos amam?
  • Um ímpio é incapaz de amar ao seu próximo?
  • Nas relações entre não cristãos (sejam elas familiares ou não) não existe amor?

Para compreendermos bem a questão, precisamos ler a epístola de João como um todo e não apenas versículos à parte. Em todo o contexto da epístola, vemos o apóstolo falando sobre o amor. Mas, é preciso ressaltar que João fala de um amor diferente do amor que o mundo está em busca, não é o mesmo amor que The Black Eyed Peas está procurando em sua canção. É um amor que tem início em Deus. Muito diferente do amor do mundo, que coloca a si mesmo em primeiro lugar: hedonista e egoísta.

Gênesis 1:26 e 27 afirma que todos fomos criados à imagem e semelhança de Deus, mas, Gênesis 3 nos mostra que por causa do pecado essa imagem foi maculada, ela não é mais perfeita. Está manchada. Com isso, desde a Queda, a humanidade tem se distanciado cada vez mais do ideal Divino estabelecido na Criação. Apesar disso, nem mesmo o pecado pôde mudar o fato de que carregamos a imagem de Deus em nosso ser, e a imagem de Deus inclui o Seu amor. Deus é amor, diz I Jo 4:8, e como seres criados à Sua imagem e semelhança nós carregamos em nós a imagem do amor de Deus. Isso é um fato imutável. É por isso que, apesar não serem nascidos de Deus, os ímpios conseguem amar seus cônjuges, filhos e ao seu próximo, de modo geral.

Então, os ímpios também amam? Sim, mas não segundo o padrão que Deus requer dos homens. Por isso, essencialmente, até mesmo o amor que os ímpios têm é condenável. Por causa do pecado, o homem já não ama como deveria. Seu amor não é genuíno, pois não tem suas raízes no amor de Deus, mas em seu amor próprio. Imagine você que, mesmo tendo recebido um novo coração da parte de Deus, amar é uma das coisas mais difíceis para nós cristãos. Se mesmo sendo filhos de Deus, essa tarefa é tão difícil para nós, quanto mais para aqueles que não são filhos de Deus?! Quão distantes eles estão do verdadeiro amor!

A essência do amor é o próprio Deus, por isso aquele que não O conhece não pode amar verdadeiramente: “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (I Jo 4:8). Poderíamos simplificar da seguinte maneira, aquele que não conhece a Deus tem, no máximo, uma cópia falsificada do amor; seu amor é amor segundo o padrão dos homens, mas não segundo o padrão de Deus.

Quando o mundo fala de amor, ele não está preocupado com a essência do amor, que é Deus, mas consigo mesmo. O mundo “ama o amor”, pois reconhece que o amor é benéfico para o homem, benéfico para a humanidade. Quando as pessoas clamam por mais amor elas não estão preocupadas com o fato de Deus estar sendo desonrado, mas com o fato de o homem não está sendo valorizado o bastante. As pessoas amam a humanidade, mas não amam o Deus que a criou. Em nome do bem da humanidade elas buscam o amor; porque o amor serve aos interesses da humanidade.

Mas, se o amor não servisse aos interesses da humanidade, apenas aos interesses de Deus, será que as pessoas ainda o buscariam? Não.

O amor por si só não traz salvação, mas, ainda assim, a humanidade deposita nela a sua fé. O amor é a salvação que os homens esperam.

Apenas aquele que é nascido de Deus pode amar a Deus ainda que isso não lhe traga benefício algum nesta terra, e, pelo contrário, apenas prejuízo. Vemos isso ao longo de toda a Escritura, em nome da glória do Senhor, o povo de Deus sempre sofreu, pondo em risco a sua própria existência, porque o verdadeiro amor os movia.

O cristão não faz do bem da humanidade o seu ídolo, ele está primeiramente preocupado com a glória de Deus e se for necessário que a humanidade inteira sofra para que Deus seja glorificado, então que o nome de Deus seja glorificado acima do bem dos homens.

Isso é tão inerente à fé cristã que Deus não poupou nem mesmo a humanidade em Cristo por amor a Sua glória. O amor de Deus está acima da própria vida! Mas, se disser isso a algum dos seus amigos da justiça social, eles te odiarão. Sabe por quê? Porque, infelizmente, o amor pela humanidade é o deus deles. Por isso, precisamos ter muita cautela ao abraçar certos discursos que parecem cristãos. Precisamos investigar. Assim como disse o apóstolo João, devemos provar os espíritos, para ver se procedem da parte de Deus.

O cristão é alguém que ama a humanidade? SIM, pois ela carrega a imagem de Deus! Mas seu amor a Deus está muito acima do seu amor pela humanidade. Por isso, ele não é um humanista, mas, sim, um cristão.

Dito isso, quero deixar claro que minha intenção aqui não é exaltar os cristãos como seres superiores, mas, num primeiro momento, chamar a atenção para os discursos que temos abraçado sem critérios bíblicos. Mas, além disso, minha intenção é também trazer uma exortação para nós; pois, que o mundo clame por amor, e não ame é de se esperar. Mas, que o cristão não clame por amor, e também não ame é totalmente incoerente. A epístola de João foi destinada a cristãos. João está falando sobre o amor para o povo da cruz, para mim e para você. Ele não é nenhum pouco dúbio em suas palavras, mas categórico em chamar a nossa atenção para o dever que temos: o dever de amar. Para nós, o amor não é uma escolha, mas um mandamento. O maior de todos.

{Continua…}

Leia a segunda parte do texto aqui

“MAIS AMOR, POR FAVOR”: falando de amor a uma geração sem amor [2]

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“Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão” (I Jo 4:21)

Amar não é só mais uma coisa em nossa lista de “coisas a fazer”, mas é a coisa principal a se fazer. É algo tão vital à vida cristã que testifica se somos, de fato, filhos de Deus: “Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte” (I Jo 3:14) O apóstolo João é muito duro ao falar do amor que devemos ter. Esse amor nada tem a ver com o sentimentalismo que esta geração chama de amor. Nada tem a ver com fraqueza. Nas palavras de Tiago Cavaco, o amor é uma força, uma força na qual transpiramos! É um lutar diário, um morrer contínuo, para um viver eterno.

Amar é morrer diariamente para viver eternamente!

Somos chamados a uma imensa responsabilidade: ser portadores do amor de Deus neste mundo.

Deus é manifestado ao mundo através do amor que demonstramos uns pelos outros (I Jo 4:12). Diante disso, a pergunta que devemos fazer a nós mesmos é: que tipo de amor temos demonstrado ao mundo? Será que é o amor de Deus ou um amor genérico, muito parecido com aquele que o mundo professa? É um amor que está na luz ou que está entre sombras? Nosso amor tem sido visto e demonstrado, ou, assim como o mundo, não passa de um discurso bonito, mas vazio?

Ao ler a primeira epístola de João, tenho sido muito confrontada sobre a minha própria fé. É muito fácil nos tornarmos bons oradores, falar da pessoa de Cristo, das doutrinas, das Escrituras, e não ter amor nas questões simples do dia a dia. Que grande desafio nós temos da parte de Deus: amar. Falamos tanto disso, mas na maior parte das vezes não aplicamos isso. Ao fazer isso temos sido apenas como bronze que ressoa e címbalo que retine.

Na realidade, o mundo está sedento de amor. Não um amor humanista, mas o amor Divino que desce dos céus e faz morada no coração dos homens. Quando o mundo pergunta Onde está o amor? Nós deveríamos trazer a resposta, como canta Lucas Souza:

 Eis o amor, vasto oceano.

Doce fonte a jorrar.

Quando o Príncipe da Vida

Sangue deu para nos salvar

Deste amor quem não se lembra?

Seu louvor quem cessará?

Pelos céus, dias eternos

Ninguém dEle esquecerá

Sobre o monte do Calvário

Larga fonte se abriu

Mar de graça e piedade

Dos portões de Deus fluiu

Graça e amor qual vasto rio

Flui do alto sem cessar

Paz de Deus, pura justiça

Os perdidos veio amar

Amor tão grande no mundo não há

Outro amor tão profundo não há

Amor como o Teu não há (Eis o amor, vasto oceano, Lucas Souza)

Eis o amor: Cristo. Ele é a fonte inesgotável, a água que saciará a sede do mundo.

As pessoas buscam um falso amor porque isso é tudo o que elas têm, é tudo o que conhecem. Como diz a canção que vimos no início, esse mundo quebrado e sem amor é a única referência que as pessoas têm. Mas, elas precisam de mais. Precisam ouvir falar do vasto oceano do amor de Deus, do vasto oceano da graça, assim como nós um dia ouvimos. A única razão pela qual o amor quebrado do mundo já não nos tem alimentado, é que recebemos uma comida infinitamente melhor.

 Minhas irmãs, como cristãs, devemos apontar o amor de Cristo ao mundo. Devemos pregar a Cristo; não falar meramente sobre o amor, mas apontar a fonte e a essência do amor, para que o mundo saiba quem é Deus.

Falar do amor é tarefa nossa e não do mundo. Porém, não devemos apenas falar, mas manifestar esse amor genuinamente. Essa é nossa responsabilidade: pregar o amor. Não um amor fraco e passivo, mas um amor que transpira e luta pela verdade; um amor que é paciente e benigno; que não arde em ciúmes; que não se ufana; não se ensoberbece; não se conduz inconvenientemente; não procura seus interesses; não se exaspera; não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça; mas regozija-se com a verdade; que tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Um amor jamais acaba. O verdadeiro e infinito amor de Deus.

O amor é o que há de mais valioso neste mundo. O amor é maior que a fé e a esperança (I Co 13:13), ele é transpõe a vida (I Co 13:3) e até mesmo a morte (Ct 8:6). Somente o amor pode romper o aguilhão da morte. Não por acaso, o sábio escreveu: “o amor é forte como a morte”. As muitas águas não poderiam apagá-lo, nem os rios, afogá-lo; e, ainda que alguém desse tudo quanto possui para obtê-lo, seria desprezado, pois o amor não pode ser comprado, apenas recebido, é um dom.

I Coríntios 13:3 diz “Ainda que eu distribua todos os meus…” Ora, não é exatamente isso que o mundo faz? As pessoas tentam de alguma forma encontrar amor nas boas obras, elas entregam os seus bens, acolhem os necessitados. É possível que elas encontrem reflexos ofuscados de amor nestas coisas, pois elas refletem o amor, mas são coisas passageiras que produzem sentimentos passageiros. Há pessoas vivem uma vida de total abnegação, mas, sem o amor, nada disso tem valor algum. Percebe a triste condição dos homens sem Deus? Não importa o que eles façam, o quanto se esforcem e se dediquem, sem o amor que vem do alto, de nada vale.

Enquanto o mundo tenta dar tudo o que tem para garantir uma porção de amor, a Bíblia aponta que Deus concede o seu amor, gratuitamente, como disse o profeta Isaías “sem dinheiro e sem preço” (55:1).

Quando penso em nossa sociedade atual, imagino um filme pós-apocalíptico, todos querem água e não encontram. Mas, nós temos a fonte (Jo 4:14). O que faremos, então? Deixaremos o mundo padecer de fome e sede?

O amor é o tesouro mais valioso que Deus deixou neste mundo. Um tesouro guardado em vasos de barro: eu e você. Nosso desafio diário é mostrar aos sedentos e famintos onde encontrar alimento para o corpo e refrigério para a alma.

Que em tempos sentimentalismo e pensamentos desconexos, façamos dos discursos aleatórios sobre o amor uma oportunidade de pregar Cristo e apontar o verdadeiro amor.

Que Espírito de Deus nos leve a viver o amor de Deus genuinamente. Que respondamos positivamente ao desafio diário de exercer o amor de Deus neste mundo necessitado. O mundo não necessita de mais amor, meramente, necessita de redenção e isso, só amor de Deus pode conceder. Sejamos porta-vozes desse amor.

Antes de concluir, quero deixar um desafio: Leia a I Epístola de João. Este é um dos menores livros que temos no Novo Testamento, mas é inversamente profundo. Homens que viveram depois do apóstolo João escreveram livros de dezenas e centenas de páginas para falar do amor, algo que, inspirado pelo Espírito Santo, João falou em tão poucas palavras, mas com profundidade sem igual. Faça este favor a si mesmo, não deixe 2018 terminar sem que você tenha lido esta epístola. E, depois, volte e me conte como foi.

Que Deus abençoe e sustente nossas vidas.

Um abraço fraterno

No amor de Cristo,

Prisca Lessa.

“Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (I Jo 4.10)

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Queridas irmãs (e irmãos que acompanham) o blog, ando um pouco ausente nos últimos tempos. Não tenho conseguido escrever com a frequência que gostaria, mas louvo a Deus ao ver que textos antigos têm sido lidos e tem servido para a edificação de vocês. Não quero me deixar levar pela urgência do tempo ou pela mera necessidade de produzir algum conteúdo; esse não é o meu objetivo. Por isso, espero que não se aborreçam com o blog caso não haja textos semanais, quinzenais ou mensais. Espero que façam bom proveito do conteúdo disponível por aqui e, conforme o tempo e as forças me permitirem, espero edificá-las por meio das palavras aqui partilhadas.

 

Em Cristo,

Prisca Lessa

siga o seu coração não é um lema aceitável

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“Porque a mensagem que ouvistes desde o início é esta: que nos amemos uns aos outros. Não como Caim, que era do maligno e assassinou a seu irmão; e por que assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas” (I João 3.11-12)

Creio que se pudéssemos resumir toda a mensagem bíblica em uma única palavra esta seria AMOR. Toda a Escritura nos fala acerca do amor: do amor de Deus para com os homens –  manifestado aos homens na Criação, na Queda e por meio da Redenção –, dos homens para com Deus e para com seus semelhantes. Cristo resumiu toda a Lei e os Profetas neste único mandamento: amar. Não há como fugir, o amor é a marca essencial do cristão. Uma marca que está em total contraste com o mundo no qual vivemos. O apóstolo João faz esse contraste de modo muito claro ao longo dessa epístola. Ele está sempre mostrando como as obras daqueles que estão na luz destoam das obras daqueles que estão das trevas. Ele nos convoca a praticar o amor em um mundo cheio de ódio e interesse próprio. Essa antiga mensagem de amor é imutável, é aquilo que temos ouvido desde o início. É aquilo que nossos irmãos no passado também ouviram. Passe o tempo que passar esta sempre será a essência da mensagem de Deus: Ame, a Deus e ao seu próximo.

O apóstolo João gostava de expor suas ideias por meio de contrastes e ao falar de amor, ele falou também sobre o ódio. No v. 12 ele compara o amor bíblico ao ódio que moveu o coração de Caim a se tornar um homicida. Caim matou Abel porque suas obras eram más. Com base nessa conclusão[1], podemos afirmar que somos naturalmente movidos a agir de acordo com o que está em nosso coração. Nossas ações não são meros acidentes, mas espelham o nosso interior: “Como na água o rosto corresponde ao rosto, assim o coração do homem ao homem” (Pv 27:19). Portanto, é nosso dever refletir sobre a condição de nosso coração. Quem sabe se Caim tivesse feito isso, não teria resistido à tentação de assassinar seu próprio irmão?!

Caim não matou Abel porque sua oferta foi recusada. Tal recusa só serviu de mola propulsora para revelar o seu coração. De igual modo, os conflitos que enfrentamos diariamente, em casa, no trabalho, com cônjuge ou amigos, apenas revelam o que está em nosso coração.

Há alguns dias, me irei com minha mãe e com um amigo. Na ocasião eu estava convencida de que tinha motivos justos para estar irada. Afinal, eles haviam falhado comigo; não fizeram aquilo que eu esperava deles. Entrei no quarto e chorei de raiva. Foi então que o Espírito fez com que eu analisasse o meu coração. Por que eu estava irada? Quando Caim ficou irado, ele culpou Abel. Essa é sempre a nossa tendência pecaminosa, encontrar um culpado (à parte de nós, é claro, que somos sempre as vítimas incompreendidas). Mas, a atitude de Deus para com Caim não foi de condolência, mas de confronto. Deus chamou-lhe a atenção: “Por que estás irado, e por que descaiu o teu semblante?” (Gn 4:6). Essa pergunta ecoou em minha mente. Comecei a refletir acerca do meu próprio coração e as motivações por traz da minha ira. Minha ira teria sido provocada meramente pela atitude de minha mãe e amigo para comigo ou havia algo oculto em íntimo que precisava ser revelado?

Sabe, Deus é especialista em revelar coisas. Ele faz isso como ninguém; e, quando faz não encontramos lugar para nossas justificativas. O Senhor me deu o diagnóstico preciso do meu mal súbito: a minha ira havia sido movida por um ego ferido. Sentir que havia sido deixada em segundo plano foi um golpe fatal. Afinal, lá no íntimo era inadmissível que eu não estivesse em primeiro lugar na vida de todas as pessoas que me cercam. Fiquei irada porque os planos que havia combinado com minha mãe não se concretizaram. Minha vontade não foi feita! Isso também era inadmissível. Ter as vontades frustradas é uma tremenda ofensa ao coração cheio de si mesmo. É humilhante para esse coração deparar-se com a verdade de que Deus é o único que pode dizer “farei toda a minha vontade!” (Is 46:10). Entre lágrimas fui confrontada por Deus. Ele revelou o que estava em meu coração e, confesso, doeu. Doeu, mas aprendi que enquanto criatura, não ter minha vontade feita deve causar humildade ao invés de ira. Além disso, eu não devo destilar minha ira sobre as pessoas, mas levá-la a Deus para que Ele me restaure. O contrário disso é orgulho e como podemos ver na vida de Caim, o orgulho só traz ruína (Pv 16:18)

Planos frustrados nos lembram de quem não somos: Deus.

As coisas nem sempre sairão conforme planejamos; isso pode ser frustrante, mas é um fato. Tiago é enfático, podemos dizer que hoje ou amanhã faremos isto ou aquilo, mas a verdade é que só faremos aquilo que o Senhor nos permitir (Tg 4:13-17). Devemos reconhecer humildemente que todos os nossos planos estão sujeitos à vontade de Deus. Dói quando as circunstâncias gritam em nossos ouvidos que somos apenas pó, mas Deus usa dessas circunstâncias para nos livrar da cobiça que cerca os nossos corações.

            Estamos tão acostumados a tratar superficialmente nossos conflitos, colocando a culpa nos outros, nas circunstâncias e até mesmo em Deus, que perdemos a oportunidade de enxergar a feiura do nosso coração e correr para o trono da Graça a fim de obter cura. Não matamos com nossas mãos, mas nos iramos de tal forma que chegamos a sentir ódio. Ódio este que nada mais é do que matar alguém em seu coração (v.15). Se você tem sido influenciado pelo mundo a ponto de crer que o coração do homem é bom e que “siga seu coração” é um lema de vida aceitável, você precisa parar e atentar para o que João está dizendo: o seu coração é tão confiável quanto um assassino. Não confie nele, ele é traiçoeiro. Tão traiçoeiro e enganador que quando está prestes a ser desmascarado, ele logo trata de apontar um culpado para sair ileso. Dificilmente admitimos que o conflito se iniciou porque deixamos de amar a Deus sobre todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmos. Somos orgulhosos, e por isso, frequentemente, estamos combatendo pessoas, ao invés de combater o pecado.

Precisamos combater o pecado e não as pessoas.

Encarar nossos conflitos analisando quais pecados eles estão revelando não significa que eles deixarão de existir, ou que nossos relacionamentos serão perfeitos. Somos pecadores, e embora saibamos que devemos fazer o bem, nem sempre fazemos (Tg 4:17; Rm 7:15). Reagimos sem pensar e quando nos damos conta, já falhamos. Portanto, encarar nossos conflitos analisando quais pecados eles estão revelando significa que:

  • Dispomos-nos a reconhecer as nossas próprias falhas em primeiro lugar.

Nesse processo somos movidos pelo Espírito a humildemente reconhecer que falhamos e a pedir perdão. Nunca é fácil e nem sempre estamos dispostos a dar este passo, por isso, essa é uma obra contínua de Deus em nossos corações e não um passe de mágica! Eu posso até tentar me justificar diante dos homens, mas, em meu coração sei que não terei justificativas perante Deus.

Sabe aquele pai que diante de uma atitude errada de seu filho faz com que ele volte para se desculpar com o vizinho ou colega a quem ofendeu? Deus age assim conosco, Ele mostra onde falhamos e ordena que nos arrependamos e busquemos reconciliação.

Além disso, passamos a ter maior consciência dos pecados contra os quais precisamos lutar. Se descubro que a minha ira é movida pelo excesso de amor próprio, devo reconhecer que preciso amar mais a Deus, menos a mim mesmo e exercitar mais o amor ao próximo. Com a ajuda do Espírito devo combater esse pecado em meu coração.

  • Tomamos maior consciência de que o maior ofendido em nossos conflitos é Deus.

Somos movidos pelo Espírito a deixar de avaliar a gravidade da ofensa pelo que o outro fez a mim e passamos a avaliar na perspectiva de que toda ofensa é feita primeiramente contra Deus.

Sendo assim mais do que buscar perdão para nós mesmos, devemos nos colocar diante de Deus em arrependimento por pecarmos contra Ele e também incentivar nossos ofensores a se reconciliarem com Deus.

Pequei contra Ti, disse Davi. Ele não menosprezou seu pecado contra o próximo, nem se justificou ou procurou a quem culpar, mas reconheceu que todo pecado é primeiramente cometido contra o Deus que é Santo (Sl 51:4).

Quando passamos a enxergar nossos conflitos sob essa ótica de pecado, logo somos levados à questão principal: o maior ofendido não sou eu, mas Deus.

O inimigo de nossas almas odeia a justiça, odeia quando andamos retamente. Ele, tenazmente, nos incita por meio do pecado em nosso coração a criarmos guerras, não contra o pecado, mas, contra o nosso próximo. Ele vibra quando ignoramos o pecado do nosso coração e nos concentramos tão somente naquilo que o outro está fazendo.

No fim, eu confessei à minha mãe e ao meu amigo o que havia se passado em meu coração. Não tentei justificar, apenas admiti aquilo o Senhor havia tratado comigo. Não foi fácil reconhecer, mas, sabem de uma coisa? Senti grande alívio e alegria por isso. Um peso foi tirado de meus ombros e a reconciliação foi promovida, graças a Deus.

Queridas irmãs, nossa sociedade nos diz que devemos seguir o nosso coração, como se ele fosse um guia seguro para nossas vidas. Mas a Palavra de Deus nos mostra justamente o oposto, não devemos seguir o nosso coração pois ele nos conduzirá à ruína, assim como foi com Caim e com tantos outros homens e mulheres que desprezaram a sabedoria de Deus. Precisamos nos revestir da Palavra de Deus para que não sejamos presas fáceis para o Maligno.

Só existe uma cura para os nossos corações: amar a Deus com todo nosso ser, força e entendimento. Somente assim deixaremos de ser enganadas por nosso coração corrupto e estaremos prontas para amar ao nosso próximo como a Palavra nos ordena.

Concluindo, se o nosso coração é tão corrupto quanto a Bíblia nos diz e, de fato, ele é, então “siga o seu coração” não é um lema de vida aceitável. É como dar um tiro no próprio pé. A Bíblia nos ensina justamente o contrário: Não siga o seu próprio coração, pois “O que confia no seu próprio coração é insensato, mas o que anda sabiamente escapará” (Pv 28:26).

Queridas irmãs, não podemos amar verdadeiramente sem que conheçamos o nosso coração e as limitações que ele nos impõe. Precisamos saber quais são as barreiras que nos impedem de amar como Deus requer, para então derrubá-las pelo poder do Espírito Santo. Somos muito mais propensas a seguir o nosso coração do que a amar verdadeiramente. Enquanto o mundo exalta o amor próprio, a Escritura exalta o amor a Deus e ao próximo; e é neste tipo de amor que devemos nos focar.

Essa reflexão seja bastante desafiadora. Acreditem, escrever sobre isso é infinitamente mais fácil do que viver na prática, por isso minha oração ao fim deste texto é que o bondoso Deus nos ajude a digerir e aplicar estas palavras em nosso viver diário. Pois, se não for por Ele, por meio dEle e para Ele, nada conseguiremos.

No próximo post continuaremos falando sobre o amor, analisando um pouco o contexto no qual nossa geração está inserida. Mais amor, por favor, é o grito da multidão, mas será que amor é o que as pessoas realmente querem? Será que esse amor que a multidão deseja é o mesmo do qual o apóstolo João está falando? Vamos analisar juntas! Que deus nos abençoe.

OBSERVAÇÃO: Vou me esforçar para não deixar intervalos longos entre as postagens para que vocês possam acompanhar a sequência.

Abraços fraternos

No amor de Cristo,

Prisca Lessa

[1] Uma das regras da interpretação bíblica é que nunca devemos interpretar um texto bíblico isoladamente, mas à luz de todo o pensamento bíblico. Em outras palavras, a interpretação de um único texto bíblico deve estar sempre de acordo com o pensamento bíblico geral sobre esse determinado assunto.

Simple Greyscale Photo Biking Instagram Post (1)Queridas irmãs (e irmãos que acompanham), ando um pouco ausente nos últimos tempos. Não tenho conseguido escrever com a frequência que gostaria, mas louvo a Deus porque textos antigos têm sido lidos e tem servido para a edificação de vocês J. Não quero me deixar levar pela urgência do tempo ou pela mera necessidade de produzir algum conteúdo; esse não é o meu objetivo. Por isso, espero que não se aborreçam com o blog caso não haja textos semanais, quinzenais ou mensais. Façam bom proveito do conteúdo já disponível aqui no blog e, segundo as minhas forças e conforme o me permitir, espero edificá-las por meio das palavras aqui partilhadas.

Eu já disse algumas vezes aqui no blog o quanto fazer devocionais sequenciais em livros inteiros da Bíblia é edificante. Minha vida cristã tem sido profundamente marcada pelos períodos em que me dispus a meditar em livros inteiros da Bíblia em meus momentos devocionais. Os devocionais diários – mesmo os mais excelentes, como Alegria Inabalável, Dia a dia com Spurgeon, Catecismo Nova Cidade, ente outros) – têm o seu valor, mas não podem substituir nosso contato pessoal e direto com a Palavra de Deus. Eles nos proporcionam aquilo que Deus falou com estes amados irmãos em Cristo; no entanto, precisamos ter nossa experiência pessoal com a Palavra de Deus sem intermediações. É um bem necessário para nossa alma.

Há algum tempo iniciei minhas reflexões devocionais na Primeira Epístola de João. Embora já tivesse lido a epístola outras vezes, nunca havia lido de forma devocional. Esta epístola tem sido um confronto à minha fé; me leva a analisar e avaliar a qualidade dela. Dessas leituras e meditações nasceram algumas reflexões que gostaria de compartilhar aqui no blog com vocês. Não com o intuito de ser mais um devocional para acompanharem, mas para incentivá-las a ler e meditar com esmero nas Sagradas Letras. Portanto, farei uma mini série de reflexões nesta epístola de I João. Acompanhem os próximos posts. Que Cristo nos auxilie nessa jornada.

No amor de Cristo,

Prisca Lessa

Vida cristã não é comercial de margarina.

111-e1534433380796Há algumas semanas tive a oportunidade de sair para conversar com uma amiga muito querida, e entre um gole e outro de chocolate quente falamos de diversos assuntos e compartilhamos um pouco das experiências que a vida nos trouxe. Todos nós enfrentamos em algum (senão em todos) momento da caminhada cristã a frustração de não ser um crente perfeito.

O apóstolo Paulo vivenciou esse mesmo sentimento:

Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra a lei do meu entendimento, e me levando cativo à lei do pecado, que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? (Romanos 7:18-24, grifo meu)

Felizmente, ele encontrou seu alívio: “Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor!” (v.25). Graças a Deus, pois Cristo é perfeito e Ele foi perfeito em nosso lugar, isso alivia o peso dos nossos ombros e nos lembra que o Evangelho não é um processo seletivo onde Deus está observando nossa conduta para ver se somos bons candidatos para preencher as vagas celestiais. Na verdade, nós nunca seríamos aceitos, não fosse Cristo. Por isso, as palavras do apóstolo Paulo são um alívio para mim, porque me fazem olhar para Cristo sempre que me sinto fraca e imperfeita.

Talvez você esteja se perguntando: o que tudo isso tem a ver com o título deste texto? Pois bem, não existe nada mais clichê do que comercial de margarina: eles são todos iguais – uma família feliz sentada ao redor de uma linda mesa de café da manhã cheia de utensílios e frutas, crianças bem vestidas e comportadas pela manhã (!). É quase um conto-de-fadas! Todos estão felizes, bem humorados e com seus sorrisos perfeitos. Certo comercial de margarina dizia que “para o dia nascer FELIZ” era preciso consumir tal marca no café da manhã. É claro que isso não passa de marketing. É óbvio que a vida representada nos comerciais não é real, sabemos disso. Mas, às vezes, a vida cristã nos é apresentada com esse formato de comercial de margarina – seja por pastores, amigos ou conhecidos – como se tudo fosse perfeito.

Infelizmente, ou felizmente, a vida está bem longe dessa perfeição ilusória. Nem todos os dias nós acordamos felizes e sorrindo, nem sempre as crianças se portam com etiqueta e comem como deveriam. Nem sempre o dia “nasce feliz”, às vezes ele nasce nublado. Às vezes o coração amanhece tão pesado que não há forças nem para levantar da cama. Há dias que as nossas orações parecem nem passar do teto, mas, nem por isso somos menos crentes.

Mesmo quando exclamamos: “Miserável homem que sou!”, não deixamos de ser alvos da graça, de fato somos crentes imperfeitos todos os dias, até no melhor dos nossos dias! Há dias em que encostamos nossa cabeça no travesseiro com aquela sensação de dever cumprido: “Ufa, hoje fui uma boa mãe, não gritei com as crianças, fui uma esposa submissa e consegui manter a casa em ordem”. Mas, há dias que o nosso “pé esquerdo” decide dar o primeiro passo para fora da cama e não vemos a hora do dia terminar. Mesmo nesses dias devemos dar graças, graças a Deus por Cristo Jesus.  

Somos crentes imperfeitos todos os dias, até no melhor dos nossos dias.

O ponto que quero ressaltar é que essa é a luta de todos nós, estamos juntos nessa. Mas nem sempre as pessoas admitem suas fraquezas e dificuldades, e isso acaba afastando umas das outras. Se mais esposas “perfeitas” compartilhassem que nem todos os dias “nascem felizes” em suas casas, menos esposas se sentiriam um fracasso. Se as pessoas se reunissem não só para contar suas vitórias, mas também para contar derrotas e sentimentos reais, teríamos mais cristãos consolados por saber que as pedras e tropeços fazem parte da caminhada de todo peregrino. Se mais moças solteiras e piedosas compartilhassem que nos dias que elas se sentem fracas espiritualmente também são atormentadas pela incerteza, talvez outras moças não se sentiriam tão “menos espirituais”. Percebe?

O ideal seria que todos fossem vitoriosos todos os dias, que a mãe que ora para que seu filho seja liberto das drogas estivesse sempre bem e convicta disso, mas há dias em que ela simplesmente não tem forças para lutar e nesses dias em que ela não desce para a mesa farta de café da manhã e prefere ficar encolhida no quarto, ela ainda é vitoriosa em Cristo. Ainda que não se sinta assim. Talvez por isso os grupos de apoio sejam tão úteis na vida das pessoas, ali as pessoas se sentem acolhidas nas suas fraquezas, não se sentem julgadas. Elas não precisam esconder quem são porque todos ali também precisam de ajuda e é de fato isso que os une, eles tem consciência de que estão todos no mesmo barco e remam juntos para sobreviver.

A igreja é em algum sentido grupo de apoio para aqueles que estão lutando contra o pecado e os males deste mundo. Ninguém vai à igreja porque não precisa de ajuda, porque é santo, perfeito, e autossuficiente, mas o irônico é que quando chegamos lá simplesmente fingimos que não precisamos de ajuda. É como ir ao AA e não admitir que tenha problemas com álcool, porque, afinal, todos nós estamos nessa luta contra o pecado.

Que bom seria se aquele casal forte com toda a sua experiência de 40 anos de casamento compartilhasse com esse jovem casal como fizeram para sobreviver às crises do matrimônio. Ambos seriam fortalecidos! O capítulo dois de Tito traz um sábio conselho: as mulheres mais velhas devem “orientar as mulheres mais jovens a amarem seus maridos e seus filhos, a serem prudentes e puras, a estarem ocupadas em casa, e a serem bondosas e sujeitas a seus próprios maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja difamada.” (v.4,5) Com o passar do tempo, parece que esse princípio tem se perdido na vida da igreja, o individualismo tem feito com que as pessoas se fechem em suas vidas privadas e aparentemente perfeitas.

Particularmente, me sinto muito feliz quando alguém que já passou pelo que eu estou passando separa algumas horas do seu dia para compartilhar isso comigo, isso me traz tanto alívio, tenho aprendido a ter prazer em fazer o mesmo para com outras pessoas, o crescimento é mútuo. Essa mutualidade cristã é bíblica e necessária para todos nós.Na vida real, fora do comercial de margarina, pais cristãos também se frustram com os filhos por não corresponderem 100% às suas expectativas pessoais e profissionais. A Bíblia é um livro incrível pois ela não mostra só o lado bonito da vida, ela mostra os bastidores sem as luzes e o figurino arrojado, mostra os atores cansados e com olheiras, mostra o flagrante do grande rei pego em adultério, mostra o discípulo fiel negando seu Mestre, mostra até mesmo o Filho de Deus cansado e com lágrimas. Ela nos mostra o outro lado da vida que tentamos abafar.

Com isso não quero dizer que devemos viver as nossas vidas de qualquer jeito, quando alguém vai a um grupo de apoio vai para obter ajuda e melhorar, não é mesmo? A vida cristã também é assim, hoje eu estou aqui, mas, amanhã não estarei mais e poderei ajudar aqueles que passarão pelas mesmas lutas que eu e assim prosseguimos.

Só quem enfrentou um rigoroso inverno é capaz de dizer aos que estão no fim do outono como devem se vestir para enfrentar o frio, é o ciclo natural da vida.

O evangelho proporciona muitos momentos felizes ao redor da mesa e momentos assim nos fazem sentir um gostinho do céu, mas ele não é feito só de momentos felizes, ele é real e feito para pessoas reais. Que possamos ser um canal que manifesta a graça de Deus para pessoas comuns, quebrando a teologia sutilmente triunfalista que ensina que se recebermos a Cristo todos os nossos dias nascerão felizes, o casamento será perfeito, os filhos serão transformados em anjos, e tudo será mais fácil. Lamentavelmente, isso tem feito com que muitas pessoas abandonem o Evangelho quando essas “promessas” não se cumprem. Que a nossa vida cristã seja genuína, com seus altos e baixos. Fujamos da superficialidade.

Talvez você, assim como eu, também deseje que as pessoas tirem as máscaras e sejam mais reais e acessíveis dentro da igreja, mas aprendi que devemos ser a diferença que almejamos ver. Por onde começar? Você pode começar com um bate-papo franco acompanhado de uma caneca de chocolate quente numa tarde de inverno. Falar da vida como ela é com outros cristãos, compartilhar nossas lutas e fraquezas, é um meio de edificação mútua. No fim das contas percebemos que a estrada é sempre a mesma; mudam-se os personagens, mudam-se as paisagens e as estações, mas todos nós passamos pelas “quatro estações da vida” e percorremos o mesmo caminho rumo à cidade celestial. Que tal compartilhar os lugares por onde você já passou com aqueles que ainda vão passar? Que tal falar de onde você está agora? Você pode se surpreender ao descobrir que tem mais gente nesse mesmo lugar. Somos grandemente fortalecidos em nossa caminhada quando podemos compartilhar e crescer uns com os outros longe das máscaras de perfeição e de superficialidade.

Concluo com uma famosa frase atribuída ao reformador Martinho Lutero, que há muito tem sido um lembrete na minha caminhada: “Sei que não sou o que deveria ser, mas sei que, pela graça, já não sou quem fui”. Ainda sou fraca, nem sempre reajo ou creio como deveria, mas graças a Deus por Cristo Jesus, pois já cheguei até aqui e sei que um dia estarei assentada numa linda mesa, rodeada por pessoas perfeitas, onde todos estarão sorrindo e todos os dias nascerão felizes!

No amor de Cristo
Prisca Lessa

Este post foi publicado no blog do Ministério Graça em Flor, neste link.