7 VERDADES ESPIRITUAIS SOBRE AS CRIANÇAS

devocional, Educação infantil, Estudos, Teologia, vida cristã

“Então, lhe trouxeram algumas crianças para que as tocasse, mas os discípulos os repreendiam. Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele. Então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava.” (Marcos 10:13‭-‬16)

Jesus não via as crianças como sendo menos humanas ou menos dignas que os adultos, através desse texto, o Senhor nos ensina pelo menos 7 verdades espirituais sobre as crianças:

  1. As crianças são igualmente dignas e portadoras da imagem de Deus;
  2. As crianças são igualmente pecadoras e carentes da graça de Deus;
  3. As crianças são igualmente capazes, pelo poder do Espírito Santo, de acolher as boas-novas em seus corações;
  4. As crianças precisam ouvir o evangelho, não as impeçamos.
  5. Nunca é cedo demais para pregar o evangelho aos pequeninos;
  6. As crianças precisam de salvação e precisamos encarar isso com seriedade;
  7. O Reino dos céus está aberto para as crianças desde agora, não é preciso esperar que elas atinjam a idade adulta para levá-las até Cristo.

Muitas crianças passam mais tempo na escola desaprendendo a fé de seus pais. Infelizmente, os pais só se dão conta disso na adolescência ou na juventude.

Pais, aproveitem esse tempo precioso para pregar o evangelho aos seus filhos.

Que abracemos com bravura a missão de evangelizar às nossas crianças.
E que Deus nos ajude.

No Amor de Cristo,

Prisca Lessa

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7 Verdades Espirituais Sobre As Crianças

A (AGRIDOCE) BÊNÇÃO DA MATERNIDADE

Feminilidade, Maternidade, vida cristã

Esta semana nosso filho completou seu primeiro mês aqui fora. Tê-lo conosco tem sido uma das maiores bênçãos de nossas vidas! Temos experimentado um amor crescente e desafiador. Sua vida, tão pequena e frágil tem sido uma grande bênção para nós.

Por falar em bênção, de uns dias pra cá, tenho refletido muito sobre o significado dessa expressão. Afinal, o que, de fato, significa ser abençoado? Gozar de felicidade sem perturbação, de prazeres sem sofrimento? Bem, a maternidade tem me ensinado que não.

A bênção de ter um filho não diz respeito somente a alegria e prazer que ele nos proporciona, mas aos desafios que ele nos impõe e aos sacrifícios que esse relacionamento, quase unilateral, exige de nós. E, talvez seja justamente esse o ponto principal do que é a bênção, na perspectiva bíblica: o sacrifício.

A bênção não é somente a emoção, o abraço quentinho, os sons fascinantes e o riso frouxo que nos enchem de alegria e derretem o coração. A bênção é aquilo que acontece nas madrugadas insones quando o nosso corpo não quer se sujeitar a mais um sacrifício. É aquilo que acontece nos primeiros dias de amamentação, quando o desejo do coração é simplesmente retroceder. Quando precisamos nos sujeitar a uma rotina que não nos traz benefícios e prazeres imediatos. Quando nossas refeições ficam sobre a mesa para alimentarmos o filho que chora. E quando nossas terríveis e egoístas misérias são reveladas diante da luz.

Os filhos são bênção, não só por aquilo que são, mas por aquilo que impõem a nós.

Nunca vou me esquecer da primeira noite que passamos com o nosso filho em casa. Eu dormi o mínimo e acordei extremamente frustrada por isso. Ainda deitada na cama, o quarto escuro e de costas para o meu marido, minha frustração irrompeu em lágrimas. No meu íntimo eu pensei: minha vida mudou para sempre (aqui nasce uma mãe). Me senti perdida, consternada, meio no automático peguei o celular e, ao desbloquear a tela, me deparei com a postagem de uma amiga, que também é mãe, e aquilo foi como um abraço de Deus. A postagem trazia a seguinte legenda:

“O trabalho de uma mãe é espiritual. Não espiritual num modo pseudo-sacramental que as mães ‘conscientes’ alegam (como se o resto de nós fôssemos robôs desalmados sem intenções), mas espiritual porque estamos lidando com almas o dia todo. Às vezes, o tamanho de uma criança pode nos fazer esquecer que sua alma é tão grande quanto a nossa.” (Rebecca VanDoodewaard)

“Às vezes, o tamanho de uma criança pode nos fazer esquecer que sua alma é tão grande quanto a nossa”, essa frase me capturou de tal forma; foi a resposta de Deus às minhas lágrimas e ao meu sentimento de perda. Renunciar dói, mas ali, diante dos meus olhos, estava o consolo de Deus. Deus estava me esticando já naquela primeira noite com o nosso bebê em casa; frustrando minhas expectativas, remodelando o meu coração, expondo minhas misérias e, sim, de uma forma antagônica ao pensamento do mundo, Ele estava me abençoando.

Quando meu marido acordou, percebendo o meu choro, ele colocou a mão no meu ombro e perguntou se eu estava bem.
– Sim, só estou cansada. Foi uma noite difícil – respondi.

Ele não sabia o que estava em meu coração, mas o Senhor sabia e o usou para dizer aquilo que eu precisava ouvir:
— Eu olho para o nosso filho e sei que a maioria das coisas que faremos por ele nesse momento ele não se lembrará. Ele nunca saberá, a menos que contemos a ele. E não é assim que Deus age também conosco? Nossa consciência em relação ao que Ele faz por nós é mínima, mas, ainda assim, Ele está sempre empenhado em cuidar de nós. Seu trabalho, silencioso e oculto, é o que nos sustenta. Nós devemos fazer o mesmo pelo nosso bebê.

Essas palavras me marcaram profundamente e, desde então, tenho vivido à sombra delas.
Nesse primeiro mês, Deus tem me esticado de todos os lados e me ensinado a olhar muito além das minhas próprias necessidades. Então, se alguém me perguntar como tem sido ter o Asaph aqui fora eu vou responder, sem hesitar: bênção. E essa palavra expressará todas as alegrias, desafios, sacrifícios, amores e temores que a maternidade trouxe. Posso encarar cada uma dessas nuances como bênção porque elas fazem parte da amorosa porção do Senhor para mim.

A bênção do Senhor é muito mais larga do que ousamos imaginar, muito mais profunda do que as limitações de nossa mente. A bênção do Senhor é tão grandiosa, por vezes, pode ser esmagadora, assustadora e sacrificial, mas é sempre graciosa.
Posso dizer, sem dúvidas: Deus está me abençoando diariamente.

No Amor de Cristo,

Prisca Lessa

CARTA À MINHA AMIGA SOLTEIRA: A ESCOLHA DO HOMEM COM QUEM VOCÊ SE CASARÁ NÃO TEM A VER SOMENTE COM VOCÊ.

Amor, Ansiedade, Papo de amiga, solteirice, vida cristã


Querida amiga, após nossa última conversa, me senti no dever de lhe escrever, a fim de que esta carta seja como um lembrete de tudo quanto lhe falei.

Sendo assim, lembre-se de que a escolha do homem com quem você se casará não tem a ver somente com você. Talvez hoje pareça que essa questão tem a ver somente com você, mas quero que saiba que esta escolha não impactará somente a você, mas à gerações depois de você. Portanto, não diminua, nem ignore o tamanho de sua responsabilidade.

O homem com quem você se casará impactará a sua vida, a vida dos seus filhos e dos filhos dos seus filhos. Em nossas últimas conversas falamos muito sobre masculinidade bíblica, tecemos críticas à condição dos homens da nossa geração, mas, e quanto a nós? Não podemos nos esquecer de que como futuras esposas e mães temos a responsabilidade de formar e deixar homens (e mulheres) melhores para as futuras gerações. Se você deseja que seus filhos sejam homens de honra e suas filhas tenham um padrão saudável do tipo de homem com quem devem se casar, comece dando a eles um pai que, por meio da graça de Deus, será um exemplo de masculinidade bíblica para eles.

Entendo que você não tenha tido em seu pai uma boa referência de masculinidade bíblica, e que mesmo sendo um homem crente, ele não tenha sido um bom testemunho dentro do lar (tanto quanto aparentava ser fora). Eu entendo, você não teve escolha quanto a isso e não há nada que se possa fazer para mudar essa realidade. Mas, hoje, enquanto solteira, você tem a escolha de dar a seus filhos um bom pai.

Por isso, a grande pergunta é: que tipo de pai você quer dar a seus filhos? Que tipo de exemplo você deseja que eles tenham em casa? Que tipo de homem você quer que seus filhos se tornem futuramente e que tipo de homem você deseja que suas filhas almejem se casar e se relacionem futuramente?

O homem por quem você se sente atraída hoje é o tipo de homem que você deseja que seu filho se torne amanhã? Ele é o tipo de homem com quem você deseja que sua filha se case?

Nossa sociedade está clamando por homens de força, não mera força física, mas força de caráter, força espiritual, força moral. Não precisamos de mais homens fracos, o mundo já está cheio deles. A sociedade louva a fraqueza masculina como se fosse uma virtude; homens que diante da primeira crise, desistem de tudo e incapazes de assumir e manter suas responsabilidades diante das dificuldades estão por todos os lados. Mas ainda há homens fortes por aí. Há sim. Não haja como se não houvesse.

Querida, não seja refém dos seus sentimentos, ou da atenção de um homem que não está disposto a assumir um relacionamento sério contigo. Não seja refém dos elogios, das promessas vãs, das migalhas de atenção, ou das cantadas com ares de espiritualidade que que em nada te edificam.

Não coloque seus sentimentos à frente dos princípios que a Bíblia apresenta. Busque um homem bíblico e você e seus filhos serão abençoados.

Seja sábia, seja criteriosa. Não tenha medo de dizer não, não tenha medo de quebrar esse ciclo de carência, defraudação e dependência emocional. Deus não te resgatou para ser escrava de seus medos, sentimentos ou de promessas. A vontade de Deus, por vezes, é mais óbvia do que supomos. Ela está diante de nós.

Sei que minhas palavras não são fáceis de digerir. Sei que hoje o cenário pode parecer nebuloso, mas, não tenha medo. Como eu já disse, não se una a alguém por medo, carência, ou insegurança. Esse não é um bom caminho.

Minha querida, que o Pai das luzes ilumine o seu coração. Até que haja uma certeza quanto ao seu futuro, não cesse de orar a Deus por um bom marido, o Senhor não sonega nenhum bem àqueles que o buscam. Se Ele se agradar, Ele assim o fará.

Seja fiel à Sua Palavra.

Receba meu abraço fraterno, e conte com minhas orações.

No Amor de Cristo,

Prisca Lessa

Estudo de Teontologia: O Ser de Deus e seus Atributos.

Estudo Bíblico, Estudos, Teologia

Chegou o nosso novo Estudo de “TEONTOLOGIA: o ser de Deus e seus Atributos”.

Embora não seja um termo muito conhecido, a Teontologia, ou a Teologia propriamente dita, diz respeito ao estudo do ser de Deus e os seus atributos.

Na Teontologia nós estudamos temas como o conhecimento de Deus, a existência de Deus (argumentos), o ser de Deus, o caráter de Deus (seus atributos), a Trindade, a Criação e a Providência.

A disciplina que engloba a Teontologia é a Teologia Sistemática, que se propõe a sintetizar e explicar o que a Bíblia, como um todo, ensina sobre os principais temas da fé cristã.

A Teontologia não diz respeito sobre o descobrimento de Deus por parte do homem, mas do estudo do conhecimento de Deus conforme ele próprio revelou sobre si. Sendo essa porção, de sua revelação, suficiente para nos instruir para que nos relacionemos com ele.

O estudo da doutrina de Deus é fundamental, não somente para um entendimento correto sobre Deus, mas para a prática da vida cristã.

Todos nós temos uma visão sobre Deus, a grande questão é saber se essa visão está de acordo com sua autorrevelação. A forma como vivemos nesse mundo e adoramos a Deus dependerá fundamentalmente desta visão.

Esse estudo é um convite para que estudemos mais sobre a doutrina de Deus; é também a singela contribuição do Teologia Para Mulheres para que você e seu pequeno grupo de mulheres possam conhecer um pouco mais sobre o ser de Deus e possam crescer nesse conhecimento.

Eu espero de coração que vocês sejam abençoadas e edificadas por esse estudo! E desde já, quero encoraja-las a fazerem esse estudo com suas amigas, grupos de estudo, grupos de discipulado, com seus filhos e filhas e a compartilharem com o maior número de mulheres que puderem para que esse material chegue ao maior número de pessoas.

Vamos crescer juntas na Palavra!

Link para download AQUI

Deus abençoe!

CONSOLO A UMA GESTANTE: Deus está trabalhando em você e apesar de você.

Sem categoria

O choro veio de repente. Enquanto conversávamos sobre nossos planos futuros, meus olhos se encheram de lágrimas, aquelas emoções acumuladas ao longo dos meses transbordaram inesperadamente. Sem compreender muito bem o que se passava, meu marido se achegou e me abraçou, chorei ainda mais, ele perguntou a razão do meu choro e aguardou pacientemente pela minha resposta.

– Me sinto inútil – finalmente desabafei.

Só Deus sabe o quão doloroso foi, para o meu ego, confessar isso. Me sinto inútil. Desde o início da minha gestação este sentimento vinha sendo uma companhia silenciosa em meu coração e, embora eu já soubesse disso, me doeu confessá-lo, pois, ao fazer isso, eu assumi minha própria fraqueza.

Poder gerar uma criança em meu ventre, e ser o seu lar tem sido uma das maiores experiências e bênçãos que o Senhor me concedeu nesta vida, constantemente me assombro tentando compreender esse caminho divinamente misterioso (Ec 11.5). Contudo, apesar de saber o quão maravilhoso e glorioso é esse propósito, confesso que compreender a vontade de Deus para mim nesse momento particular de minha vida não foi tão simples.

Nos últimos anos eu me acostumei a um ritmo de vida no qual estou sempre fazendo muitas coisas; ser produtiva, em casa e no trabalho, servir as pessoas ao meu redor, escrever, ler, ensinar, e estar sempre disponível quando as pessoas precisam, são coisas que me trazem um enorme senso de realização e propósito. De repente, com o início da gestação me deparei com uma nova realidade, uma realidade na qual até mesmo guardar as compras do supermercado havia se tornado um desafio para mim. Eu não tinha forças para fazer quase nada, mal conseguia cozinhar e manter a casa minimamente limpa. Era frustrante ter que escolher entre uma atividade e outra; um golpe e tanto para as minhas expectativas de dona de casa.

Não bastassem as limitações físicas, também me deparei com as limitações intelectuais; foram meses de frustração por não poder ler e escrever como de costume, cada vez que me forçava a seguir o mesmo ritmo, me sentia ainda mais incapaz. A frustração por não poder ler, escrever e produzir o tanto quanto gostaria ou deveria – simplesmente porque minha mente não conseguia produzir tanto quanto antes – era constante. Parecia que eu não estava fazendo absolutamente nada, que minha vida estava parada, enquanto o restante do mundo girava em ritmo acelerado. Foi assim, que o sentimento de inutilidade foi crescendo e ganhando terreno em meu coração, e me vi chorando copiosamente nos braços do meu marido naquela noite.

Após ouvir todo o meu lamento, ele pacientemente respondeu:

– Meu bem, você está gerando uma criança no seu ventre. Como isso pode ser insignificante? Como você pode concluir que não está fazendo nada? Seu corpo está mais cansado, é óbvio, afinal, ele está trabalhando como nunca em prol de outra vida além da sua. Você está ocupada fazendo a coisa mais importante que você poderia estar fazendo nesse momento, algo que ninguém mais pode fazer por você: você está gerando uma vida! Isso não é e não te torna inútil. O mundo continuará girando sem o seu trabalho, livros continuarão sendo publicados sem sua leitura, textos continuarão sendo escritos sem sua contribuição. Embora cada uma dessas atividades seja importante, elas não são indispensáveis e você não é indispensável na realização delas. A casa pode ser limpa por outra pessoa, a comida pode ser preparada sem você, tudo em volta continuará acontecendo, não porque você não é importante, mas porque não é você quem sustenta o mundo ao seu redor. Mas, Deus confiou a você uma missão que somente você pode cumprir nesse momento, missão para a qual você é indispensável agora: ser mãe. Então, abrace essa missão com contentamento e alegria, não pensando naquilo que você está deixando de fazer, mas naquilo que você está fazendo. Essa é a sua tarefa mais importante nesse momento.

Essas palavras foram um consolo, e também um confronto ao meu coração. A partir de então, passei a refletir sobre como eu estava associando o meu senso de valor e utilidade a coisas mensuráveis. E cá estou, esse momento, enquanto aguardo a chegada do nosso primogênito, Deus tem me ensinado sobre como tendemos a medir nossa utilidade com base naquilo que podemos ver, com base em resultados mensuráveis. Poder observar e mensurar aquilo que estamos fazendo e ver os resultados disso nos traz a sensação de dever cumprido, um senso de satisfação e utilidade. Mas, e quando não conseguimos mensurar aquilo que estamos realizando? E quando não é possível ver ou medir os resultados daquilo que estamos realizando? Creio que este é um dos desafios da gestação, não há como mensurar o trabalho que está sendo realizado aqui dentro, não há como dar um check na lista de “tarefas gestacionais”.

As palavras do apóstolo Paulo ecoam em minha mente: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.” (1 Co 15.58). Saber que o nosso trabalho não é vão no Senhor é um lembrete de que mesmo que não consigamos medir ou ver o fruto do nosso trabalho, Deus o vê. O nosso trabalho não é em vão no Senhor pois, por mais simples que seja, ele está ecoando na eternidade. Essa é a realidade de todos aqueles que trabalham para o Reino.

De fato, esse versículo é consolador para todo o cristão, independentemente de sua realidade, ele oferece consolo tanto ao pastor que semanalmente se dedica à sua congregação, sem muitos frutos aparentes, quanto às mães que diariamente se dedicam à criação de seus filhos, sem muitos resultados visíveis, e, também, a nós, mães que estão gerando dia e noite; cujos corpos estão trabalhando ativamente no sustento de uma vida. Quão cansativo isso pode ser; nós não conseguimos mensurar os resultados. Ao chegar ao final do dia, não olhamos para dentro dos nossos úteros e vislumbramos tudo o que foi feito, mas podemos crer, pela fé, que a cada dia Deus está usando nossos corpos limitados para realizar o trabalho necessário para a manutenção da vida dos nossos bebês, estamos cooperando com a obra de Deus, ainda que não possamos ver, ainda que não pareça relevante. Deus está trabalhando através de nós, e apesar de nós para a sua glória.

Descanse e encontre contentamento em Deus, independentemente daquilo que você consegue fazer.

Permita-me deixar aqui também uma observação, de forma alguma, quero dizer que o fato de uma mulher estar gerando um filho em seu ventre significa que ela não possa ou deva fazer nenhuma outra coisa, ou que deva viver esta fase sem se responsabilizar por mais nada. Não, não é essa a intenção, mas, quero aplicar aqui o seguinte princípio bíblico: o que quer que você faça, faça conforme as tuas forças (Ec 9.10).

Se você é uma gestante superprodutiva em diversos níveis, glorifique a Deus e faça conforme as tuas forças, com diligência e sabedoria, lembrando-se que sua maior prioridade, neste momento, é gerar e nutrir – e mudanças fazem parte do processo. Mas, se você é uma gestante que sente sua capacidade de trabalho completamente reduzida – e isso tem trazido um peso e tristeza ao seu coração – descanse no Senhor; saiba que você está fazendo algo importante para Deus. Fuja da comparação, olhe para Cristo e você encontrará satisfação e propósito. Nos dias em que puder fazer muitas coisas mensuráveis, glorifique a Deus, e nos dias em que não puder – nos dias em que se sentir cansada e indisposta, glorifique-o também, pois Ele é digno disso.

A graça vem dele, não de você.

Saiba que não está em você gerar e sustentar essa vida, portanto, não deixe que a maternidade alimente seu ego, te fazendo sentir-se uma mulher superpoderosa ou superior às outras. A maternidade é dom da graça, e essa graça vem do Senhor, e não de você. Cada limitação é uma oportunidade.

Celebre as pequenas vitórias. Depois de meses com muitos enjoos, lembro-me do dia em que, finalmente, consegui refogar o alho e a cebola sem enjoar. Foi uma grande vitória e eu celebrei com grande alegria. A gestação nos limita em vários sentidos, mas cada limitação é uma oportunidade de conhecermos mais a respeito do Deus que é ilimitado, em quem podemos descansar sem medo e reconhecer nossas limitações. Longe do discurso de supermães, ou de que podemos dar conta de tudo, a maternidade é, sem dúvida, uma escola que nos ensina o quão limitadas somos; tenho aprendido isso, mesmo antes de ter o nosso bebê em meus braços. Não poderemos ser tudo que nossos filhos precisam, mas Deus é e sempre será tudo o que eles necessitam. Quanto antes compreendermos isso, mais cedo reconheceremos nossas limitações e colocaremos nossas cargas maternais sobre aquele que pode todas as coisas.

Eu sou apenas uma mamãe de primeira viagem tateando nesse novo e vasto universo, mas gostaria de encorajar você, mãe com seu bebê no ventre ou nos braços: não se sinta inútil por não fazer tudo o que fazia. Nós não vamos dar conta de tudo, esqueça isso! Não coloque sobre seus ombros um fardo que Cristo não colocou, entenda o seu chamado, entenda o seu propósito e viva-o com contentamento e alegria. Lembre-se que, por mais que façamos tudo, sem Cristo, nada disso será o bastante; sem Cristo, somos servos totalmente inúteis, e nosso trabalho é inútil, mas nele, a menor das tarefas, seja dar um copo de água para saciar a sede de um necessitado, ou o alimento para o seu bebê, se torna algo de valor eterno e digno de recompensa.

Deus está trabalhando através de nós, e apesar de nós – há pleno consolo em sua obra.

No Amor de Cristo,

Prisca Lessa

GASTE-SE PARA A ETERNIDADE.

devocional, Reflexões

“É para esse fim que eu me empenho, esforçando-me o mais possível, SEGUNDO o poder de Cristo que opera poderosamente em mim.” (Colossenses 1:29)

Na parte final de Colossenses 1, o apóstolo Paulo compartilhou com esses irmãos o objetivo de sua missão: fazer conhecido o mistério do evangelho aos gentios, a saber, “Cristo em vós, a esperança da glória”. Para isso, Paulo não media esforços, a fim de tornar conhecido esse mistério, cujo alvo final era apresentar todo homem perfeito em Cristo.

No entanto, ainda que essa fosse uma obra totalmente espiritual, Paulo não deixou de expressar o seu labor no cumprimento dessa missão. No verso 29, ele fez uso de expressões fortes para demonstrar isso: “para isso é que também me afadigo, esforçando-me o mais possível”. Embora a finalidade de sua missão fosse espiritual, ela não excluía sua participação ativa, afinal, Deus o chamara para trabalhar no cumprimento dessa missão e para que ela acontecesse, Paulo precisava se dedicar.

Conquanto a missão seja de Deus, nós somos participantes dela; sabemos do triunfo final da missão, contudo, isso não exclui o penoso caminho que precisamos trilhar para isso. Em nome do chamado que recebera, Paulo se afadigava, dando tudo de si, esforçando-se ao máximo, mesmo tendo plena convicção de que, no fim das contas, não era o seu esforço que garantiria o sucesso da missão, mas a eficácia do poder de Deus atuando EFICIENTEMENTE nele. Ele sabia que não estava em si mesmo o aperfeiçoamento dos santos, mas, o poder de Deus é que tornava o seu trabalho eficiente para a obra.

Veja que não há contradição entre a dedicação e o esforço constante e intencional de Paulo e seu entendimento de que a eficácia de todo o seu labor dependia do poder de Deus. Como servos de Cristo, é nosso dever nos esforçarmos o máximo possível; usando todas as nossas forças a seu serviço, não sendo preguiçosos, nem omissos, mas dedicados; tendo fé que a eficácia e a suficiência do nosso trabalho não virá por nosso empenho ou mérito, mas segundo a vontade e o propósito de Deus.

Parece um paradoxo, mas as duas perspectivas que se completam de forma perfeita. (1) Não podemos ser preguiçosos ou omissos no trabalho que Deus conferiu a nós. Ainda que estejamos a serviço de uma missão bem-sucedida, ela exige de nós esforço e dedicação. (2) Não basta orar, é preciso trabalhar com afinco. Nossa dedicação, por si, é insuficiente para o sucesso dessa missão, por isso, não basta trabalhar, precisamos confiar e depender do agir de Deus para que esta missão se cumpra.

Como disse também o apóstolo Paulo em 1 Pedro 4:10‭-‬11: “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!” É nosso dever, como cristãos, fazer o melhor que podemos em nossas vocações, pois, importa que dediquemos nossas vidas à obra de Deus, afinal, fomos criados e chamados para isso.

Sabe quando você compra algo precioso para si e tem medo de gastar? Você quase não usa aquilo ou, quando o faz, é com muita dó de gastar? Por vezes, agimos exatamente assim com as nossas vidas, queremos poupá-las ao máximo, pois temos medo de gastá-las. Para isso, evitamos tudo que possa exigir de nós demasiado sacrifício, demasiado cansaço, esforço, fadiga ou estresse.

Veja bem, não é justamente essa a mensagem que a cultura prega? Se poupe o máximo que puder, guarde sua vida, se ame mais, não vale a pena empenhar esforços naquilo que não te traz conforto e alegria imediata. Se o trabalho te desgasta, saia dele (sem considerar as consequências), se o casamento te desgasta, se divorcie, se a maternidade te desgasta, não tenha filhos, ou terceirize-os, aplique essa regra a todos os seus relacionamentos (inclusive dentro da igreja), se poupe. Viva para o seu prazer.

Mas, a Bíblia, nos mostra um caminho diferente, um outro tipo de cultura, ela diz: se gaste, se dedique, se sacrifique, saia do conforto e dê tudo o que puder para a glória de Deus, porque se “gastar” nessa vida a fim de glorificar a Deus não é perda, é ganho, pois, à medida que nosso exterior se “gasta”, nosso interior se renova (2 Co 4:16-18). Aliás, não é justamente esse um dos paradoxos da vida cristã? Quanto mais “nos usamos” e nos deixamos usar por Deus, mais aumentamos em largura e estatura (Ef 4:12-13), nossas possíveis perdas se tornam em ganhos. A matemática de Deus é perfeita!

Se esse corpo e essa vida é tudo o que temos, de fato, faz sentido privá-lo de tudo que possa gastá-lo; e temos mais é que economizá-lo e poupá-lo das fadigas desta vida. Mas, se aguardamos a promessa de um corpo glorificado, sabemos que há um tesouro muito mais elevado, não precisamos ser mesquinhos enterrando nossos talentos na terra para que ninguém nos importune. Estamos trabalhando para a eternidade.

Portanto, não tenha medo dos desafios que a vida possa trazer, sei que pode ser assustador, mas não estamos sozinhos diante deles. Veja, Paulo, um homem fisicamente cansado por causa de seu trabalho, mas espiritualmente alegre, renovado e disposto. Não há contradições. O cansaço faz parte de nossa natureza física, mas a perseverança faz parte de nossa natureza espiritual. Deus está conosco.

É inevitável não aplicar essa reflexão ao meu contexto de maternidade. Sei que a maternidade é bastante desgastante e, sinceramente, confesso meus temores, tenho medo de me “gastar”. Se eu pudesse gostaria de passar por ela intacta, preservando meu sono, meu corpo e meus interesses a salvo de qualquer infortúnio, mas não será assim. Essa é a missão de Deus para mim nesse momento, e como Paulo quero poder me esforçar o máximo possível, segundo a eficácia do poder de Deus. Fazendo tudo o que eu puder, mas sabendo que a eficiência do trabalho das minhas mãos não depende do meu desempenho, mas da obra da graça de Deus; quero mãos fortes para servir e quero joelhos fortes para orar.

Quero que o Pai me ensine e me ajude a ser uma mulher forte, que me ajude em minhas fraquezas e no meu cansaço. Que eu trabalhe com dedicação e confie com oração.

E que Deus nos ajude, minhas irmãs, em nossos chamados e em nossa missão, pois todas nós estamos à serviço do Reino, cada uma em sua frente de batalha, todas para a glória do Rei. Que Deus nos abençoe.

No Amor de Cristo,

Prisca Lessa

Deus Auto suficiente #podcast

natal, Teologia, vida cristã

Olá, queridas! Tive o prazer de gravar um podcast falando sobre um dos atributos de Deus: sua autossuficiência. Foi um bate-papo muito bom! Você pode conferir lá no Spotify do @pdcpodcast, ou acessando o site que deixarei ao final da descrição. Que Deus abençoe 💜

“Hoje o atributo de Deus que estudaremos é a sua Auto-Suficiência. Esse é um atributo incomunicável de Deus, ou seja, Ele é e nós não somos! Creio que essa é uma das coisas mais difíceis para aceitarmos… que não somos auto-suficientes.
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Em seu livro “Incomparável”, a Jen Wilkin diz o seguinte: “Nós fomos criadas para necessitar tanto de Deus quanto dos outros. Nós negamos isso para o nosso próprio perigo. Não temos necessidades por causa do pecado; somos necessitadas por um propósito divino. Certamente podemos ter necessidades de forma pecaminosas e, frequentemente, confundimos a necessidade com o querer, mas não fomos criadas para sermos auto-suficientes. Tampouco fomos recriadas em Cristo para tal. A santificação é o processo de aprender a crescer em dependência, não em autonomia.”
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No episódio de hoje, a Prisca Lessa nos guia no estudo desse atributo que teimamos em querer imitar, mas no qual deveríamos aprender a descansar e nos alegrar. Então vamos aprender mais sobre nosso Deus Auto-Suficiente.
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Os episódios estão disponíveis no Spotify, no Deezer, no Apple Podcasts, no CastBox e em qualquer aplicativo agregador de podcasts . Se quiser escutar diretamente do site, clique no link do perfil e depois em “episódio dessa semana”

Link do site para ouvir ao podcast: https://projetodocoracao.com/deus-auto-suficiente/

TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE

devocional, Reflexões, vida cristã

TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE

Em Filipenses 4:11-13, o apóstolo Paulo escreveu que:

  • Aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação;
  • Aprendeu a lidar com a honra, assim como a humilhação;
  • Aprendeu a lidar com a fartura, assim como a fome;
  • Aprendeu a lidar com a abundância assim como a escassez;
    Por fim, ele resumiu toda a experiência adquirida por meio dessas circunstâncias em uma frase: “tudo posso naquele que me fortalece” (v.13). Esta é uma realidade inegável na vida cristã: em Cristo podemos todas as coisas; podemos passar por todas as circunstâncias, as melhores e as piores, porque é o Senhor quem nos sustenta.

Mas, o apóstolo Paulo não parou por aí, ele continuou falando aos filipenses, nos versos 14 a 16:
“Todavia, fizestes bem, associando-vos na minha tribulação. E sabeis também vós, ó filipenses, que, no início do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja se associou comigo no tocante a dar e receber, senão unicamente vós outros; porque até para Tessalônica mandastes não somente uma vez, mas duas, o bastante para as minhas necessidades.”

O mesmo Paulo que afirmou veementemente: “tudo posso naquele que me fortalece” é quem na sequência demonstrou a importância do apoio e do serviço no Corpo de Cristo, deixando claro que tal afirmação não era de independência ou arrogância.

Veja, depender de Deus não significa desprezar o auxílio que chega até nós por meio de mãos humanas. “Tudo posso naquele que me fortalece” não está em desacordo com aceitar e receber ajuda humana. Como cristãos devemos estar humildemente prontos a perceber a providência de Deus agindo por meio de pessoas, oportunidades e recursos que Deus coloca diante de nós. Não devemos desprezar isso.

Deus em sua maravilhosa providência usa pessoas para suprir às nossas necessidades e atender às nossas orações. Nem sempre as respostas caem do céu, por vezes, vêm por meio de uma ligação, uma mensagem perguntando se você está precisando de algo. Não devemos desprezar as mãos que se estendem a nós em nome de uma suposta “dependência exclusiva de Deus”. Dizer que dependemos unicamente de Deus enquanto desprezamos a ajuda de outros pode ser pura manifestação de orgulho.

Em Cristo existe um perfeito equilíbrio entre saber que tudo vem de Deus e perceber Deus agindo por meio de pessoas e circunstâncias naturais para atender às nossas necessidades. Isso se chama discernimento, e é um fruto da sabedoria.

Também devemos aprender com essa igreja que generosamente supriu às necessidades do apóstolo Paulo em mais de uma ocasião. Como cristãos precisamos ter plena consciência de que Deus nos chama a servir. Nossos recursos devem estar à disposição do Reino de Deus e seus propósitos. Deus generosamente enviou seu Filho Unigênito ao mundo para suprir nossa maior necessidade, de redenção. Semelhantemente, devemos estender graça e generosidade ao próximo.

Nesse tempo em que há tantas pessoas passando por toda sorte de necessidades, que sejamos prontos a receber ajuda e ter nossas necessidades supridas com humildade de espírito; e que sejamos prontos a doar com um espírito generoso, assim como o nosso Pai, em Cristo Jesus.

Que Deus nos abençoe.

No amor de Cristo,

Prisca Lessa

202UM

Reflexões, vida cristã

Então, vimos o fechar de mais uma década e hoje iniciamos uma nova contagem, chegamos a 2021.

Sem nenhum tipo de supertição, confesso que gosto da data, gosto de saber que fechamos dez anos e começamos mais um ano “um”. Aliás, devo confessar também que gosto de contar os meus anos pelas décadas, é um bom exercício, se você parar para pensar, os eventos mais significativos de nossas vidas são marcados por décadas.

Os primeiros 10 anos de vida caracterizam nossa formação básica; a segunda década marca a passagem da infância para a vida adulta; a terceira década é a fase em que tomamos as principais decisões de nossas vidas, onde basicamente, definimos quem queremos ser. No final dela, geralmente, nossa senso de identidade já está formado, e assim prosseguimos, década após década.

Enfim, tudo isso é só para dizer que, independentemente de qual década de vida estejamos vivendo hoje, o Senhor que nos guiou até aqui continuará a nos guiar neste e nos próximos anos de nossas vidas. Que aprendamos a contar os nossos dias e anos para que alcancemos um coração sábio. Aliás, creio que esta seja, sem dúvidas, uma boa resolução de ano novo: um coração sábio. Que possamos buscá-lo, nEle, por Ele e para Ele.

Feliz Ano Novo, queridas irmãs, seguimos aqui, juntas, por mais Teologia nas Mulheres e mais Mulheres na Teologia. Um abraço fraterno.

Prisca Lessa.

Os chamados ordinários são necessários

Sem categoria

Em seu livro Simplesmente Crente, Michael Horton escreve: “É bem mais fácil me entregar a um projeto de servir os pobres do que dar mais atenção à minha esposa e meus filhos. Isso é corriqueiro. Não consigo ver o impacto da dúzia ou mais de pequenas conversas, correções, risadas e tarefas que acontecem em um dia – ou mesmo em uma semana.” Eu não poderia estar mais de acordo.

Frequentemente, ansiamos por chamados extraordinários, chamados que irão produzir um grande impacto no mundo; chamados cujos resultados serão visíveis, mensuráveis e nos trarão um senso de propósito e realização. Mas, a realidade é que, na maioria das vezes, nossos chamados são mais ordinários do que realmente gostaríamos que fossem, nossas realizações diárias quase imperceptíveis e nossas vidas anônimas para a maior parte das pessoas ao nosso redor.

Quantas vezes o anseio por algo maior produziu descontentamento, murmuração e ingratidão em nossos corações? Ansiamos pela grandeza, e nos deparamos com uma pia cheia de louças para lavar, ansiamos por um trabalho empolgante e desafiador, enquanto a realidade nos espreme dentro de um vagão de trem para mais um dia de trabalho fatídico. A vida ordinária com seus chamados opacos parece desprezível à luz de nossas aspirações por chamados extraordinários. Mas, embora não haja holofotes para a mãe que acorda vez após vez para amamentar o seu bebê, nem para o jovem que cochila no ônibus após uma aula exaustiva, a realidade é que são os chamados ordinários que dão ritmo à vida e fazem dela o que ela realmente é; no fim das contas, os chamados ordinários não são desprezíveis, mas necessários.

Lamentavelmente, nossa cultura viciada em grandeza, transformou o ordinário em algo indesejável, algo indigno de ser mencionado. Contudo, houve um homem na História, que mesmo tendo o mais extraordinário de todos os chamados, viveu de modo ordinário neste mundo, entre a poeira das ruas de Nazaré, suor e a serragem numa carpintaria. Ele não julgou que ser grande era algo ao qual deveria se apegar, ao invés disso, se esvaziou e viveu da forma mais ordinária possível, até a morte e morte de cruz.

Na vida de Cristo enxergamos um chamado (extra)ordinário, Ele sabia para que veio, sabia que sua vida seria marcada por momentos de tirar o fôlego e que entre esses grandes momentos ele viveria o ordinário: faria os deveres de casa, obedeceria aos seus pais, criaria e consertaria peças na carpintaria, ensinaria repetidamente um grupo de homens tardios em aprender e dependeria da provisão de Deus da forma mais ordinária possível – não pense que Jesus multiplicava pães e peixes a todo tempo (Jo 4.27-31, Mt 16.5-7).

Jesus sabia de seu chamado extraordinário, mas ele viveu de modo ordinário neste mundo. Ele foi um homem comum, você o veria no metrô, você o veria comprando água na fila do ônibus – enquanto também estaria oferecendo água viva para a vendedora ambulante, você o veria tomando vinho e se alegrando no casamento de um primo ou esperando o almoço ficar pronto na casa de amigos queridos, e em cada uma dessas circunstâncias ele estaria sendo plenamente Deus, plenamente extraordinário.

Se até mesmo o mais extraordinário de todos os chamados neste mundo foi construído sobre dias ordinários, dias de cansaço e rotina, por que insistimos em desvalorizar o ordinário?

Vivendo à luz de um chamado extraordinário

Nos capítulos 5 e 6 da Epístola aos Efésios, o apóstolo Paulo apresentou diversas orientações práticas aos cristãos da comunidade de Éfeso:

“As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor; porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido. Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama […] Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. […] E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor. Quanto a vós outros, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus; […] E vós, senhores, de igual modo procedei para com eles, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como vosso, está nos céus e que para com ele não há acepção de pessoas.” (Efésios 5.22-25, 28 – 6.1, 4-6, 9)

Em cada uma dessas orientações distintas ecoa um chamado em comum: o chamado à uma vida ordinária EM CRISTO. De fato, somente em Cristo nossos chamados ordinários podem ser vividos à luz de um propósito muito maior. O chamado à uma vida ordinária apresentado pelo apóstolo Paulo não é em nada inferior, sabemos disso porque em capítulos anteriores ele expressou o mais alto e sublime chamado que os cristãos receberam da parte de Deus: a eleição em Cristo, a adoção de filhos e dádiva de todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo Jesus. Que chamado pode ser mais extraordinário do que esse?

Não obstante, Paulo expressou como esse chamado extraordinário deveria ser vivido de forma ordinária pelos mais diversos grupos de pessoas presentes na comunidade de Éfeso: maridos, esposas, pais, filhos, servos e senhores. Imagino que depois de ouvirem tantas coisas gloriosas acerca da nova vida em Cristo havia uma enorme expectativa: “E agora, como devemos viver à luz desse chamado grandioso?”, “Quais coisas extraordinárias devemos fazer?”, “Como Paulo, será que devemos abandonar tudo e pregar o Evangelho ao redor do mundo?”, “Viver radicalmente à sombra da espada?”, “Abandonar nossas esposas, maridos e filhos?”, “Que chamado grandioso nos aguarda nas próximas linhas escritas pela pena de Paulo?”

Ao contrário do que se poderia esperar, Paulo não convocou os maridos a um chamado heroico, saírem de suas vidas ordinárias de trabalho e cuidado familiar para uma vida extraordinária, erradicando a pobreza ao redor do mundo; ele não chamou os filhos a viverem radicalmente à sua própria maneira desbravando o mundo, mas a obedecerem seus pais dia após dia. E quanto aos servos? O apóstolo Paulo é duramente criticado por não ter ordenado que eles se rebelassem contra o sistema da época, mas, que, ao invés disso, cumprissem suas tarefas comuns com maior empenho, como ao Senhor e não a homens. A verdade é que ao apresentar esses chamados à luz da obra de Cristo, Paulo elevou o ordinário, mostrando que aquilo que seria apenas comum e, talvez, inferior para muitos, deveria expressar uma realidade muito maior: a obra extraordinária de Cristo.

É à luz desse chamado extraordinário, e somente por meio dele, que a vida ordinária encontra sentido e propósito, é somente porque Cristo viveu ordinariamente como homem, sendo extraordinariamente Deus, que nossa vida sob o sol eclode em graça. Somente em Cristo nossas aspirações pelo extraordinário podem ser saciadas, independentemente daquilo que fazemos, do quanto ganhamos e do quão reconhecidas somos por isso; o ordinário continua sendo ordinário, mas somos impulsionados a vivê-lo para glória de Cristo.

Servindo ordinariamente para um fim extraordinário

Mas, e quanto a parte de vivermos radicalmente por Cristo? E quanto à vida do próprio apóstolo Paulo, marcada por tantos feitos marcantes pela causa de Cristo? Estou certa de que Paulo compreendia o seu chamado e sabia de sua missão, e embora quisesse que todos fossem como ele (1Co 7.7), não impôs que cada homem e mulher cristão deixasse tudo para viver como ele viveu, antes, encorajou que os cristãos servissem ordinariamente para um extraordinário, os solteiros cuidando das coisas do Senhor, os casados das coisas de casados, os presbíteros cuidando das igrejas locais, as mulheres mais velhas servindo e aconselhando as mais novas, os jovens servindo aos seus irmãos com respeito e amor, todos com o fim de glorificar a Cristo.

Queridas, apesar da impopularidade destas palavras, não existe nada mais radical nesse mundo egoísta do que amar a Deus e ao próximo, não existe nada mais radical do que servir. Você aspira por uma vida extraordinária? Então, sirva. Se você puder obedecer a Cristo servindo ao seu próximo, você expressará genuinamente o chamado extraordinário de Deus em sua vida. Sei que isso pode parecer pequeno demais, mas se você já tentou, você sabe o quão difícil é servir. Não é um chamado fraco, é um chamado forte, forte demais para nós, por isso, em cada uma de suas orientações, Paulo aponta para Cristo, o alicerce de uma vida ordinária, servimos nele, por ele e a ele. Essa visão faz com que nossos chamados mais simples tenham valor, ir ao mercado fazer compras semanais ganha propósito se com isso estamos buscando o fim extraordinário de servir a Cristo acima de tudo; as noites insones de estudos para a faculdade, seguidas de uma jornada de trabalho intensa ganham propósito se apontam para a extraordinária glória de Deus na face de Cristo.

Desejamos fazer coisas grandes e tudo o que encontramos é uma pilha de roupas de crianças para lavar e brinquedos espalhados pela sala, de novo, refeições para preparar, de novo, relatórios para entregar, de novo, disciplinas e exames para realizar, de novo, mensalidades e boletos, de novo, de novo e de novo. Isso pode ser desanimador, mas, imagine Jesus, de novo e de novo, aquele que não precisava fazer nada DE NOVO o fez até o último dia de sua vida aqui nessa terra.

Sei que nossos dias não têm sido fáceis, em muitos deles desejamos uma vida totalmente diferente da que temos, uma vida mais… extraordinária, mas que esse anseio nos impulsione para Deus e não para nossas próprias aspirações. Sei também que a vida ordinária parece muito mais empolgante nas telas do que realmente é fora delas, talvez, por isso, as redes sociais nos cativem tanto, elas são uma forma de tornar as coisas ordinárias um pouco mais interessantes; o momento ordinário do café se torna mais cativante visto a partir de uma tela, o relacionamento com os filhos mais empolgante diante de curtidas e reações, mas reações viciam e a vida requer ação mesmo quando não há interações. Por isso, precisamos encontrar em Deus a verdadeira motivação para viver o ordinário quando tudo se torna cansativo e desestimulante.

Exultantes em meio à monotonia

G.K. Chesterton escreveu que Deus exulta na monotonia, por isso Ele faz com que todos os dias o sol se levante e se ponha, Ele faz com que os movimentos da terra sejam repetitivos e as estações se repitam ano após ano; porque aquilo que é monótono aos nossos olhos é belo aos olhos de Deus, é um reflexo embaçado de sua própria constância e exultação. É, talvez seja isso que nos falte: exultação. A exultação não ocorre apenas quando saímos do ordinário, mas quando conseguimos enxergar um Deus extraordinário através das coisas ordinárias, quando cada refeição preparada nos lembra da bondade e criatividade de Deus, quando cada passeio com o cachorro nos lembra que apesar do pecado, ainda podemos nos relacionar amigavelmente com esses seres tão diferentes de nós; quando todo o cansaço da maternidade nos lembra que que o amor de Deus é ainda maior e mais sacrificial que o amor de uma mãe, e que podemos repousar em seus braços tal como nossos filhos repousam tranquilamente nos braços maternos. São momentos como esses, minhas irmãs, em que o extraordinário invade o ordinário, que podemos enxergar com mais clareza que chamados ordinários não são chamados menores, chamados ordinários são o caminho diário para o destino extraordinário que Deus tem para nós. Ocasionalmente, na caminhada Ele nos permite ter grandes vislumbres, ventos extraordinários para que ansiemos ainda mais pelo destino final, mas eles ainda não são a realidade final. Ainda não, mas, chegaremos lá, e até que esse dia venha, Deus nos chama a arrumarmos nossas camas DE NOVO com vistas no extraordinário.

No amor de Cristo,

Prisca Lessa

Esse texto originalmente publicado no blog Voltemos ao Evangelho