CARTA À MINHA AMIGA SOLTEIRA: LIDANDO COM A AUTOCOMISERAÇÃO

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CARTA À MINHA AMIGA SOLTEIRA - HomossexualidadeQuerida amiga, que bom podermos continuar por aqui a conversa que iniciamos aquele dia a respeito do seu “complexo de inferioridade”. Ao ouvir você falar me identifiquei porque eu também percorri esse caminho, por isso me senti impelida a compartilhar com você minha própria experiência a fim de exortá-la em amor, segundo o ensino da Palavra.

Sabe, tal como você, durante muitos anos eu afirmei e reafirmei para mim mesma que eu sofria de um complexo de inferioridade. Eu tinha as causas para tal complexo bem esclarecidas em minha mente, afinal, passei parte da minha infância longe dos meus pais, morando com tios e entes queridos, enquanto meu pai estava em um seminário interno e minha mãe e irmão estavam aguardando a documentação para virem ao Brasil.

Sempre acreditei que esse período de ausência da minha família foi fundamental para que eu criasse esse complexo. Então, eu aceitava como algo normal o fato de me sentir tão incapaz e inferior às pessoas ao meu redor. Como consequência, eu fui crescendo muito tímida, retraída e com um enorme senso de incapacidade.

Sustentei essa mentalidade até o início da minha juventude. Até que em dado momento o Senhor começou a tratar o meu coração e revelar coisas que até então eu desconhecia. Descobri que complexo de inferioridade é um nome bonito que se dá para a AUTOCOMISERAÇÃO, meu verdadeiro mal. Enxergar isso foi chocante pois me tirou da condição de vítima e me colocou na condição de transgressora.

Sabe, minha querida, Satanás é tão vil que pode se transfigurar em anjo de luz para nos enganar; assim também o pecado. O pecado mais vil pode se fantasiar de pensamentos, sentimentos e ações nobres e ficar hospedado por anos sem gerar qualquer infortúnio. Podemos conviver amigavelmente com nossos piores pecados sem darmos conta disso. Assim estava eu até que Deus, por sua misericórdia e graça, mostrou o que estava em meu coração.

A realidade é que meu complexo se apresentava do lado avesso. De inferioridade não havia nada. Meu mal era me sentir superior a tal ponto que não ter essa superioridade reconhecida me matava por dentro. Eu queria que minha infância tivesse sido diferente: cheia de brinquedos, passeios e todo o conforto que eu merecia; e não na condição de filha de um seminarista: vivendo de favor na casa dos tios, recebendo brinquedos doados e longe dos meus pais.

Tudo isso veio à tona no exato momento em que meu ego estava sedo dilacerado porque eu havia sido “dispensada” de um relacionamento. Um relacionamento que deveria ter dado certo, uma vez que eu havia “escolhido esperar”. Eu tinha feito tudo tão certo! De alguma forma, eu sentia que Deus estava sendo injusto comigo, talvez, até mesmo ingrato, depois de tudo o que EU havia feito por Ele! Eu merecia um troféu, eu merecia me casar e não passar por aquela situação humilhante: desprezada.

Embora eu não externasse tais palavras, todo esse conflito estava se passando dentro de mim e Deus me permitiu ver. A essa altura do campeonato, me dei conta de que meu maior sofrimento não era pelo término em si, mas pelo fato de que meu mérito não havia sido reconhecido. Eu trabalhei para Deus e não recebi o salário combinado (?!). Eu estava indignada.

Quando Deus removeu a máscara que eu chamava de complexo de inferioridade, eu finalmente pude ver a feiura do meu coração. Deixei de me ver como vítima, Deus mostrou minhas transgressões.

Essa pecadora que te escreve merecia que a sua feiura fosse exposta para o mundo todo; merecia ser humilhada em público até que todo o seu ego fosse pisoteado. Eu temia que Deus agisse assim comigo. Mas, sabe o que Ele fez? Me atraiu para o seu seio de amor e despiu o meu coração. Ninguém sabia o que estava se passando dentro de mim. Eu sentia como se um furacão tivesse passado pela minha alma. Toda visão que eu tinha de mim mesma caiu por terra. Fiquei um bom tempo perguntando a Deus quem eu era, de fato.

As pessoas olhavam e não entendiam porque eu estava definhando por fora, talvez fosse apenas a dor de um término; mas, a verdade é que Deus estava me quebrando por dentro. Me quebrando para fazer algo melhor. Foram noites escuras, mas o Senhor esteve comigo, vieram dias melhores.

Minha doença ainda não foi erradicada, eu preciso me manter vigilante, preciso me lembrar quem sou, preciso me voltar dia após dia para a Palavra. Você disse que admira a minha devoção, minha disciplina em ler a Bíblia e orar. Mas, por favor, não me admire, meu coração é perverso. Não faço isso porque sou boa, faço porque preciso. Deus sabe no que me torno quando estou longe de Sua Palavra, e sempre que me afasto Ele me permite enxergar a minha feiura. Sei que os pés da cruz são o lugar mais seguro para pessoas como eu, é lá que preciso estar.

A Palavra de Deus é o antídoto certo para desmascarar egos inflados como o meu e, talvez, o seu, ela revela o mais íntimo do coração. Pensamos ser pessoas admiráveis até que Deus nos mostre quem de fato somos. Não somos heróis, mas vilões, os piores. Mas, não se desespere, a boa notícia é que Deus veio para os vilões, ele se agrada em salvá-los, em dar-lhes um novo coração. Na cruz Ele não ficou entre santos, mas entre pecadores; são estes que compõem sua mesa: pecadores redimidos, transformados unicamente por sua graça. Já não há o que reivindicar, tudo quanto recebemos é dádiva.

Por isso, minha querida, deixo aqui estas palavras, rogando a Deus para que Ele descortine o seu coração tal como ele tem feito comigo. Talvez os seus pecados não sejam como os meus, mas que o Senhor o revele e que em meio a todas as suas lutas, Ele te permita enxergar as suas transgressões e te leve ao arrependimento, aos pés da cruz.

Te amo em Cristo.

Sua amiga,

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Feminina ou feminista?

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“Como a água está para o peixe, o feminismo está para o mundo em que vivemos! Ele está em toda parte ao nosso redor.” Esta citação é do livro Feminilidade Radical, da autora Carolyn McCulley, ele trata de um tema bem atual: Feminismo. Você já ouviu falar dele? O que pensa a respeito?

Eu sou uma jovem de 27 anos que cresceu numa sociedade moldada pelo pensamento feminista. Mas, sinceramente, se aos 22 anos de idade alguém tivesse me perguntado o que é feminismo eu não saberia responder, pois, até então, eu nunca tinha ouvido esse termo. Contudo, hoje o feminismo está muito mais evidente em nossa sociedade. É quase impossível que você nunca tenha ouvido falar dele.

Como meninas cristãs, não podemos simplesmente abraçar movimentos que surgem por aí só porque são populares, ou porque nossos amigos estão aderindo. Precisamos ter maturidade para refletir sobre tudo o que vemos, lemos e ouvimos à luz da Bíblia. Por isso, convido você a se juntar a mim para refletirmos juntas sobre o que é o Feminismo e qual deve ser a nossa postura cristã em relação a ele.

Se você fizer uma pesquisa rápida na internet sobre o que é o feminismo, encontrará basicamente a seguinte definição: o feminismo é um movimento que defende a igualdade de direitos entre mulheres e homens. Esta é uma definição bem geral e, a princípio, não parece contrariar aquilo que cremos enquanto cristãs, pois a Bíblia nos mostra que em determinados aspectos homens e mulheres são iguais (Gn 1:26-27). Mas a Bíblia não para aí, ela diz que, se por um lado homens e mulheres são iguais, por outro eles são bem diferentes, porque Deus deu a eles propósitos diferentes (Gn 2:18; Gn 3:20). Vamos falar melhor sobre isso mais adiante.

À primeira vista, o feminismo parece propor uma igualdade entre homens e mulheres, mas, a realidade é que sua proposta central é desconstruir qualquer ideia de feminilidade. Segundo acredita o feminismo, a feminilidade tem oprimido as mulheres em uma condição de inferioridade ao longo da história.  Muitas vezes, o feminismo acusa a Bíblia de promover a opressão contra a mulher por meio de ensinamentos como a submissão, o casamento e a feminilidade. Para que não sejamos enganadas precisamos ter bem claro em nossas mentes no que o feminismo se opõe à Bíblia.

 O papel da Mulher

 O feminismo afirma que o casamento, a família e os papéis sociais, desempenhados por homem e mulher, foram impostos pelo machismo. Como cristãs, nós não cremos assim, pelo contrário, cremos que estes papéis foram idealizados por Deus desde a criação do mundo.

“Disse mais o Senhor: Não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Gn 2:18). Tudo que Deus havia feito era bom, mas Deus disse que não era bom que Adão estivesse sozinho no jardim. Ele precisava de alguém, uma companheira que o auxiliasse, por isso Deus designou a mulher, para ser auxiliadora.

Na nossa cultura o termo auxiliar nos remete a algo inferior, com menos valor, mas não é assim que Deus vê. Ser auxiliador é algo tão valioso que o próprio Deus em diversas passagens bíblicas se designa como o auxiliador do seu povo[1]. Deus não criou a mulher para exercer um papel menos importante, mas um papel por meio do qual ela reflete a glória de Deus.

Igualdade x diferenças

 Deus criou a mulher para ser uma auxiliadora idônea. Isto significa alguém correspondente, igual. Homens e mulheres são iguais porque possuem a mesma essência, compartilham da mesma raça e carregam a imagem e semelhança de Deus.

Por outro lado, ao criar Eva, Deus também criou o casamento, a família e designou os papéis que cada um deles deveria cumprir. Nesse sentido homens e mulheres são diferentes, pois possuem papéis diferentes. Ao homem, Deus deu o papel de liderar, cuidando e protegendo, enquanto à mulher Deus deu o papel de auxiliar, sendo submissa.

Independência, já!

 O feminismo prega que a mulher deve ser independente do homem e considera o casamento um retrocesso, porque ao se casar a mulher se torna dependente do homem. Porém, a Bíblia diz que “No Senhor […] nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da mulher” (I Co 11:11). Deus dotou o homem e a mulher com dons diferentes para que juntos pudessem cumprir a missão de crescer, multiplicar e cultivar a terra.

Deus não nos criou para sermos independentes uns dos outros, mas complementares para juntos construirmos uma sociedade mais saudável para todos.

 Meu corpo, minhas regras.

 O feminismo tem uma máxima que diz “Meu corpo, minhas regras”. Com isso ele defende que a mulher tem total autonomia sobre o seu corpo, ela pode fazer o que bem entende com ele e não deve nenhuma satisfação a ninguém quanto a isso. Mas, a Bíblia mostra uma visão totalmente diferente sobre isso: “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? […] glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” (1 Co6:19,20). Para Deus o nosso corpo não nos pertence, pertence a Ele, e por isso, é Ele quem estabelece as regras que devemos seguir. Ao declarar “meu corpo, minhas regras” as feministas estão negando a autoridade de Deus sobre suas vidas.

Submissão

 É muito comum ouvir feministas dizendo que a Bíblia é um livro machista porque fala de submissão. Aliás, a submissão é uma palavra que as feministas não gostam de ouvir nem de longe! A Bíblia, por outro lado, não vê a submissão como algo ruim, muito pelo contrário! A submissão é uma das umas das expressões mais lindas do amor que temos por Deus, pois Jesus, sendo Deus se submeteu ao Pai em todas as coisas e foi obediente até a morte e morte de cruz (Fp2:8; 1 Co 15:28). Ele é o maior exemplo e submissão que a Bíblia nos dá e devemos nos espelhar em sua atitude de humildade. Exercer a submissão de modo nenhum torna a mulher inferior, muito pelo contrário, ao fazermos isso nos tornamos mais parecidas com Jesus. A submissão não é um castigo, mas um privilégio de Deus para nós!

Machismo e opressão

Não há como negar que a opressão e o machismo contra a mulher existem; e reconhecer isso não nos torna feministas.

O ideal bíblico sempre foi uma liderança amorosa e humilde por parte do homem e uma submissão alegre e gentil por parte da mulher. Porém esse ideal foi subvertido quando o pecado entrou no mundo. O pecado produziu um desequilíbrio no ambiente e nas relações harmoniosas criadas por Deus. O machismo e a opressão contra as mulheres são resultados desse desequilíbrio.

Como cristãs devemos nos posicionar contra os abusos, a discriminação, as injustiças; não somente contra a mulher, mas contra todos, pois diante de Deus homens e mulheres são dignos de cuidado e respeito. Onde houver erros eles devem ser combatidos, e onde houver injustiças elas devem ser denunciadas. Mas, não é preciso ser feminista para lutar contra essas injustiças. Nossa bandeira é muito maior que o feminismo, devemos ser defensores dos valores divinos para toda a humanidade.

Feminina ou feminista, posso ser cristã e feminista?

Não há como abraçar 100% a Bíblia e 100 % o feminismo, pois, eles caminham em direções totalmente opostas. O discurso feminista exige uma igualdade total entre homens e mulheres, anula os papéis designados por Deus para homens e mulheres e relativiza o casamento e a família – que é o núcleo que Deus estabeleceu para a construção de uma sociedade.

Deus nos criou para sermos um tipo de mulher muito diferente daquele que o feminismo diz que devemos ser, por isso, não podemos deixar que o feminismo dite a nossa conduta. Como disse Elisabeth Elliot: “O fato de ser mulher, não me torna um tipo diferente de cristão. Mas, o fato de ser cristã, me faz um tipo diferente de mulher.” Devemos ser um tipo diferente de mulher, e para isso a nossa conduta deve estar pautada nas Escrituras.

“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da nossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Por meio de uma mente renovada Deus nos capacita para que não sejamos levadas pela “onda” do feminismo!

[1] Veja Dt 33:29; Sl 33:20; 70:5; 115:9-11.

No Amor de Cristo,

Prisca Lessa

 

 

CARTA À MINHA AMIGA SOLTEIRA: FEMINILIDADE BÍBLICA NÃO SE RESTRINGE A CASAMENTO E MATERNIDADE

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carta À minha amiga solteira (2)

 Querida amiga,

Fico feliz que sua igreja esteja investindo em seminários, encontros e palestras sobre feminilidade. Em tempos de ondas feministas se faz ainda mais necessário instruir as mulheres de acordo com a Palavra. Mas, entendo seu questionamento, você é uma jovem solteira e a abordagem sobre feminilidade bíblica é quase sempre voltada para o casamento e a maternidade. Isso acaba te deixando um tanto deslocada, pois, é como se sendo solteira não houvesse nada que você pudesse fazer para exercer sua feminilidade segundo os moldes bíblicos.

É verdade que feminilidade engloba casamento e maternidade, mas ela não se restringe a elas. A feminilidade bíblica é cultivada através do relacionamento com a Palavra de Deus, este é o cerne. Quanto mais nos dedicamos em conhecer a Deus por meio de Sua Palavra mais nos tornamos quem Ele nos projetou para ser; e a medida que nos tornamos quem Ele nos projetou para ser nossa feminilidade vai sendo lapidada.

Ser solteira não te torna menos (biblicamente) feminina. Independentemente do seu estado civil, o que te torna mais feminina é sua submissão à Palavra de Deus. É perfeitamente possível que mulheres solteiras, viúvas e estéreis exerçam a feminilidade bíblica de forma tão eficaz – embora em diferentes aspectos – quanto aquelas que desfrutam da companhia de seus maridos e filhos. Deus nos chama a exercer a feminilidade na condição em que nos encontramos.

Quando leio Tito 2, Atos 9:36, Atos 16:15; Lc 1:38, I Pedro 3:1-6, me deparo com aspectos da feminilidade que não se limitam a mães e esposas: a instrução a outras mulheres, a dedicação ao lar, o cuidado para com os seus, a sabedoria, o temor ao Senhor, a hospitalidade, a prática do bem, o serviço aos necessitados, a força, a mansidão, a conduta íntegra que não dá lugar para que a palavra de Deus seja difamada. Você deve buscar ser esse tipo de mulher, e ao fazer isso estará exercendo sua feminilidade.

A mulher casada é chamada a se submeter ao seu marido como a Cristo cuidando em agradá-lo, já a mulher solteira se submete a Cristo, cuidando das coisas do Senhor. Enquanto a mulher casada é chamada a gerar filhos biológicos – e também espirituais – e dedicar-se integralmente à família, a mulher solteira deve gerar filhos espirituais e dedicar-se ao cuidado da família da fé. Ambas estão exercendo sua feminilidade de acordo com a Palavra de Deus e nenhuma está em vantagem ou desvantagem em relação à outra.

Não sinta como se estivesse um passo atrás no exercício de sua feminilidade. Sirva a Deus com alegria e contentamento na condição que Deus te chamou (I Co 7:17) e você descobrirá que há muito para ser feito.A cosmovisão bíblica é aplicável a todas as esferas e etapas da vida, sendo solteira, casada, viúva, gestante ou estéril, sem qualquer prejuízo.

Tenho certeza de que, ao enfatizar o casamento e a maternidade, a intenção não é excluir ou discriminar as solteiras, por isso, não se sinta à margem como alguém que não entrou “no time”. A realidade é que nós pertencemos a um único time, que é o Corpo de Cristo, e nele não existem sub times, pois, Cristo não nos separa por estado civil.

Numa manhã eu estava vivenciando alguns conflitos, minha alma estava aflita e confessei a Deus o meu medo de permanecer solteira. Como uma resposta imediata, esse versículo ecoou em minha mente trazendo luz e consolo ao meu coração:

“[..] nem tampouco diga o eunuco: Eis que eu sou uma árvore seca. Porque assim diz o Senhor: Aos eunucos que guardam os meus sábados, escolhem aquilo que me agrada e abraçam a minha aliança, darei na minha casa e dentro dos meus muros, um memorial e um nome melhor do que filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles que nunca se apagará” (Isaías 56:3-5).

Guarde estas palavras: “Deus promete, àqueles que permanecem solteiros em Cristo, bênçãos que são maiores que as bênçãos de casamento e filhos; e ele os chama para mostrar, pela devoção que exalta a Cristo na solteirice, as verdades sobre Cristo e seu reino que brilham mais claramente através da solteirice do que através do casamento e da criação de filhos”, a saber:

  1. “Que a família de Deus não cresce pela reprodução através da relação sexual, mas pela regeneração pela fé em Cristo;
  2. Que relacionamentos em Cristo são mais permanentes, e mais preciosos, do que relacionamentos em famílias (e claro, é maravilhoso quando os relacionamentos nas famílias são também relacionamentos em Cristo)
  3. Que o casamento é temporário, e finalmente dá caminho ao relacionamento ao qual estava apontando o tempo todo: Cristo e a Igreja – da mesma forma que um retrato não é mais necessário quando você vê face a face;
  4. Que a fidelidade a Cristo define o valor da vida; todos os outros relacionamentos obtêm seu significado final disso. Nenhum relacionamento familiar é definitivo; o relacionamento com Cristo é” (John Piper).

Essas verdades precisam ser lembradas de tempos em tempos, pois há dias em que nos esquecemos das palavras e promessas de Deus. Minha querida, a solteirice não te priva de maiores bênçãos, ela não te priva de ser plenamente feminina ou parte do Corpo de Cristo, antes, concede a oportunidade de desenvolver aspectos da vida cristã que também O glorificam .

É claro que tanto a feminilidade quanto a masculinidade estão relacionadas a aspectos reprodutores, mas não param por aí! Envolvem também aspectos profundos relacionados à nossa espiritualidade, mente e emoções. Temos em Cristo a maior prova de que é possível glorificar a Deus e servi-lo plenamente sendo solteiro.

Por fim, quero lembrá-la que nossa alegria não deve consistir primordialmente em formarmos uma família para amar e servir, mas sim, no fato de que, fazemos parte da família de Deus; devemos amar e servi-la de todo o nosso coração.

Assim como as mulheres (majoritariamente viúvas e solteiras) que serviam a Jesus com seus bens, com seu tempo, abrindo as portas de suas casas, preparando refeições, anunciando as boas novas, prestando assistência a outras mulheres, nós solteiras somos chamadas a cuidar das coisas do Senhor (I Co 7:32). Deus certamente proverá meios para que sejamos santificadas ao longo de nossa vida, para algumas  o casamento será um desses meios de santificação, para outras a solteirice, para outras a viuvez, para outras a enfermidade, para outras o desemprego… Não sabemos os meios que Ele usará para cada uma, mas, uma coisa é certa, ao final da jornada cada filho de Deus atingirá a estatura de varão perfeito (Ef 4:13), este é o alvo.

Não desejo que casamento e maternidade não se tornem pra você uma pedra de tropeço, não permita que isso ocorra. Devemos, sim, amar e incentivar o casamento e a maternidade, mas não como um fim em si mesmo. O equilíbrio consiste em não torna-los ídolos e, por outro, lado não menosprezá-los como o mundo faz.

Desejo do fundo do meu coração que essas palavras sejam consolo e fortaleçam o seu coração. Saiba que essa luta não é só sua, peço a Deus todos os dias que me recorde que Ele é suficiente.

Deus é glorificado por meio da nossa feminilidade, não importa a estação que estejamos vivendo.

Coragem, querido coração.

SÊ VALENTE.

Bíblia, devocional, vida cristã

WhatsApp Image 2019-02-05 at 21.27.45Deus não precisa de pessoas extraordinárias para fazer coisas extraordinárias. Ele realiza sua obra através de pessoas ordinárias.
Essa certeza nos permite abraçar novos desafios com coragem e confiança naquele que realiza todas as coisas pelo decreto de sua vontade.

Ao longo da Bíblia vemos que Deus nunca se agradou de pessoas que estão sempre dizendo: “Deus, não consigo”, “Não sei”, “Não posso”, “Sou incapaz”. Essa suposta humildade, é veemente reprovada por Deus. Revela o nosso medo e falta de confiança no Senhor. É sinal de fraqueza e não força.

Essa timidez também é reprovada por Jesus diante dos discípulos: “Por que sois tímidos, homens de pequena fé?”. O Senhor deseja que sejamos ousados pelo seu poder e façamos coisas extraordinárias em seu nome, pois é Ele quem faz.

Esse ano me vi choramingando diante de novos desafios que surgiram. O novo sempre assusta e é preciso certa dose de coragem para deixar algo que dominamos e (re)aprender. O sentimento de incapacidade assombra, o medo de falhar também. Sinceramente, pensei: “Não tem ninguém melhor pra essa missão?”, “Ah, com certeza há pessoas muito mais capacitadas”. E há mesmo.

Mas, Deus, com seu jeito sempre amoroso, porém firme de mostrar que há muito a ser feito e não há tempo para “mimimi”, me fez refletir sobre as tentativas de Moisés de fugir do chamado, o medo de Gideão e, em contrapartida, a coragem e disposição com as quais Ele dotou Neemias (1-13). Deus só está em busca de pessoas dispostas, nada mais.

Sejamos corajosos, confiantes, não porque somos bons, mas porque Ele é BOM.
Fugir de novos desafios movidos por medo ou insegurança é covardia e covardia, definitivamente, não é um aspecto do fruto do Espírito.

Sê forte e corajoso.
Sê temente.
Sê valente.

De alguém que está aprendendo a coragem.

No Amor de Cristo,

Prisca Lessa

CARTA À MINHA AMIGA SOLTEIRA QUE DECIDIU ESTUDAR

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estudos 2

Querida amiga,

Fiquei muito feliz em saber que pretende começar o Mestrado! Paira no ar uma ideia –  não bíblica – de que as mulheres devem investir menos em sua capacidade intelectual e mais nas habilidades manuais. Ninguém nos ensinou isso, mas, por alguma razão, essa ideia está presente em nosso meio. Lembra-se quando aquela irmã que afirmou que homens não gostam de mulheres que estudam demais? Esse tipo de pensamento é mais comum do que parece. Inconscientemente, acabamos almejando menos para nos adequarmos e não estarmos muito à frente.

Parece que a busca pelo conhecimento nem sempre é bem vista. É como se a inteligência e as virtudes bíblicas fossem antagônicas. Mas quer antagonismo maior do que negligenciar a capacidade com a qual Deus te dotou?

Não me surpreende que não tenha havido tanto entusiasmo de sua família, amigos e os irmãos da igreja. Eles estão apreensivos com o fato de você estar iniciando outro curso e não um namoro. Confesso que achei graça do comentário de sua tia sobre relógio biológico, mas, não leve isso tão a sério, a intenção deles não é magoar você, é apenas zelo.

E por mais que seu desejo também seja estar num relacionamento não há como saber quais os planos Divinos pra a sua vida, nem há como adiantar ou modifica-los. Por isso, não se sinta culpada por não corresponder às expectativas depositadas sobre você.

Respondendo à sua pergunta, eu não acho que fazer o Mestrado seja incoerente com a sua visão de que a prioridade da mulher deve ser o lar e a família. Isso se aplica quando somos casadas; não é o nosso caso. Se hoje o tempo e as circunstâncias te permitem dedicar-se plenamente aos estudos, aproveite! Não negligencie o dom que recebeu pra ficar à espera do amado.

Não se preocupe, investir firme em sua formação não te faz menos feminina, segundo os moldes bíblicos, nem menos espiritual, pois Deus deseja ser glorificado por meio do seu intelecto também.

Minha querida, não retenha o seu crescimento pessoal por medo de se tornar inacessível. “Seja boa, doce menina, e não se esqueça de ser o mais inteligente que puder”[1]

Por fim, quero dizer que compreendo seu medo de se envolver com a vida acadêmica e profissional e acabar se tornando uma mulher de 40 anos com um currículo excelente, um ótimo salário e solteira. Realmente, muitas mulheres acabam consumidas pelo trabalho e a vida acadêmica; ela pode se tornar um grande ídolo. Mas o Senhor não irá desampara-la se você o buscar durante esse processo. Volte seus olhos para Ele, busque a glória dEle, e não a sua. Ande em humildade e Ele te sustentará.

E se o Senhor quiser que você constitua família Ele usará seus próprios meios para que isso; seja daqui um, dois ou 10 anos. E não se preocupe, progredir academicamente não faz de você uma feminista. Fique tranquila.

[1] C.S. Lewis

CONTINUA…

CONTRA O ABORTO.

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No último dia 23 o estado de Nova York legalizou o aborto até o nascimento.
Ficamos perplexos nos questionando como a humanidade chegou a esse ponto. Talvez, no fundo também nos perguntemos como um Deus soberano pode permitir que leis como esta sejam aprovadas.

Lendo Êxodo 1 me deparei com a situação dos hebreus no Egito: “Então subiu ao trono um novo rei, que nada sabia sobre José. Disse ele ao seu povo: ‘vejam! O povo israelita é agora numeroso e mais forte. Temos que agir com astúcia, para que não se tornem ainda mais numerosos (…) o rei do Egito ordenou às parteiras dos hebreus, que se chamavam Sifrá e Puá: ‘quando vocês ajudarem as hebreias a dar à luz, verifiquem se é menino. Se for, matem-no; se for menina, deixem-na viver’. Todavia, as parteiras TEMERAM A DEUS e NÃO OBEDECERAM às ordens do rei do Egito; DEIXARAM VIVER OS MENINOS.

Deus nem sempre impede nem revoga o decreto de faraó, mas, em meio ao caos, Ele levanta parteiras como Sifrá e Puá, pessoas que temem mais à Lei de Deus do que à lei dos homens. Em tempos como esse, minha oração é que Deus gere esse temor nos corações, pois, “mais importa obedecer a Deus que aos homens” (At 5:29)

DISCIPULADO: uma necessidade urgente.

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discipuladoNos últimos anos muitos materiais foram publicados falando sobre o que é discipulado, métodos de discipulado, como ter um discipulado eficaz, e etc. Mas, infelizmente, quando ouvimos falar em discipulado ainda parece ser um tempo muito complexo e distante da realidade da maioria dos cristãos. Muitos cristãos ainda não compreendem o que é discipulado, como discipular e, principalmente, POR QUE discipular.

Falar sobre discipulado e, acima de tudo, pratica-lo é uma necessidade urgente. Precisamos resgatar uma cultura de discipulado bíblico em nossas igrejas. Antes de falar melhor sobre esse assunto gostaria de compartilhar minha experiência pessoal com o discipulado.

Entre os diversos métodos modernos de discipulado existe o MDA (Modelo de Discipulado Apostólico) que consiste basicamente em pequenos grupos, denominados de células, onde as pessoas se reúnem semanalmente e todos os membros são discipulados por alguém. A ideia é que por meio desses grupos menores o cuidado e o crescimento sejam maiores. O método possui muitos aspectos que, se bem utilizados, podem ser muito positivos para a igreja, principalmente se tratando de igrejas muito grandes, pois ele gera proximidade entre os membros e permite um acompanhamento por parte da liderança. Por outro lado, muitos abusos e desvios doutrinários, têm ocorrido dentro dessa visão.

Durante quatro anos eu fiz parte de uma igreja que abraçava esse modelo de discipulado (MDA); fui líder de célula, discipulei algumas moças e também fui discipulada. Na época eu achava o máximo a visão de discipulado que a igreja seguia e eu estava tão imersa nessa visão que reproduzia passo a passo as orientações recebidas. Mas, passado algum tempo percebi que o discipulado parecia não surtir muito efeito na vida das pessoas e muitas vezes acabava se tornando muito mais um meio de exposição, e até mesmo de fofoca, do que de edificação e aprendizado.

Passado algum tempo acabei saindo desta igreja e criando certa aversão a algumas práticas que vivenciei por lá, dentre elas o modelo de discipulado que aprendi. Veja bem, o problema não estava no discipulado, que é um princípio bíblico, mas no modelo que me foi transmitido e que, até então, era o único que eu conhecia. O tempo passou sem que eu cogitasse qualquer possibilidade de me envolver com o discipulado novamente.

Até que em 2018 uma moça veio me perguntar se eu poderia lhe dar estudos bíblicos semanalmente. A ideia me pareceu boa e na semana seguinte iniciamos nossos encontros que incluíam oração, leitura da Palavra, compartilhamento e encorajamento. Esses encontros criaram uma proximidade maior entre nós. Mas, com a correria do trabalho acabei negligenciando um pouco esses encontros, desmarquei algumas vezes e, ao final, fazíamos quando dava, duas ou três vezes por mês.

Em agosto do mesmo ano fui à Conferência Fiel Mulheres e por uma feliz “coincidência” a Renata Gandolfo deu um workshop sobre discipulado. Era exatamente o que eu precisava ouvir, fui profundamente confrontada por Deus em diversos aspectos. Primeiramente, me dei conta de como tinha dúvidas sobre o que é o discipulado e como fazê-lo, minha mente estava cheia de conceitos equivocados que obscureciam o meu entendimento quanto a essa prática bíblica. Eu havia aprendido uma forma equivocada de discipulado e isso fez com que eu criasse uma barreira.

Me dei conta também de que aqueles encontros para estudar a Bíblia que eu vinha tendo com essa moça e a proximidade que criamos nada mais eram do que um discipulado. Por fim, Deus me cobrou acerca da minha negligência para com essa irmã, pois eu não estava dando a devida importância a esse ministério que Ele havia colocado em minhas mãos.

Cada ensinamento daquela tarde na conferência Fiel me fez refletir sobre muitas questões acerca do discipulado e eu gostaria de compartilhar com vocês algumas delas.

Ao falar de discipulado, precisamos responder algumas perguntas.  Primeiramente,

  • O que é discipular?

Segundo o pr. Mark Dever, discipular nada mais é do que ajudar o outro a seguir Jesus. Simples assim.

  • Por que precisamos discipular?

Porque somos discípulos de Jesus, e na qualidade de discípulos é nosso dever fazer outros discípulos. Discípulos fazem discípulos.

  • Qual a origem do discipulado?

A origem do discipulado é bíblica. Encontramos algumas referências de “discipulado” no Antigo Testamento, mas ele é claramente evidenciado através do ministério de Jesus. Além disso, Cristo claramente ordenou que fizéssemos discípulos:

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mateus 28:18 – 20)

  • Quem pode discipular?

A evangelização e o discipulado não são missões para super crentes, mas para pessoas comuns como eu e você. O discipulado é uma ordenança para todos os cristãos. A partir do momento em que seguimos a Cristo é nosso dever trabalhar para que outros o sigam também.

  • Como discipular alguém?

O discipulado não é uma receita de bolo com medidas exatas, mas ele possui alguns ingredientes essências, o principal deles é a centralidade da Palavra de Deus. O cerne do discipulado deve ser a Palavra, sem a Palavra o discipulado perde o seu propósito. Não há como ajudar alguém a seguir a Jesus sem usar a Escritura.

Mas, o discipulado também envolve oração, encorajamento, confronto, confissão, apoio e compartilhamento;

É importante ressaltar que discipular não é moldar o outro à minha imagem, mas à imagem de Cristo;

Discipular não é mostrar ao outro o quão pecador ele é e o quão santo eu sou;

Discipular não é falar de mim mesma, mas de Jesus; não é um chamado para fazer admiradores (meus), mas discípulos de Cristo;

Discipular é uma relação de vida na vida, isto é, chamar alguém para fazer parte da minha vida, pra caminhar comigo lado a lado, assim como Cristo fez com os seus discípulos;

Discipular é compartilhar de mim mostrando minha própria vulnerabilidade – que sou tão falha, pecadora e necessitada da graça e da misericórdia de Deus como qualquer um;

Discipular é assumir os riscos que envolvem um relacionamento de vida na vida, inclusive a traição – da qual nem mesmo Jesus esteve imune.

O discipulado envolve riscos emocionais e é preciso disposição para assumi-los: envolvimento, dedicação e sacrifício são aspectos essenciais.

  • A quem discipular?

É importante que o discipulado seja realizado entre pessoas do mesmo sexo. Além disso, é preciso ter em mente que o propósito do discipulado é ajudar alguém a seguir Jesus. Nesse sentido, ele pode acontecer tanto na igreja quanto fora da igreja. Você pode começar a evangelizar uma colega da faculdade, uma vizinha e, dependendo do interesse dessa pessoa, iniciar o discipulado. A evangelização é geral, é nosso dever pregar a TODA criatura, mas o discipulado é pessoal, não envolve apenas o anúncio, mas o ensino e o compartilhamento contínuo das verdades de Deus.

 Você pode realizar o discipulado mulheres mais novas, em idade similar, ou novas convertidas dentro de sua igreja.

  • O que é preciso para discipular?

Amor, tempo, disposição, sacrifício e serviço. Discipular é servir.

  • Por onde começar o discipulado?

No VEcast o Vinicius Musselman dá três passos importantes para se iniciar o discipulado:

  1. Ore por uma pessoa específica
  2. Convide-a para um encontro informal para gerar uma aproximação
  3. Proponha o discipulado

É importante observar esses três passos. A oração é primordial, precisamos buscar a Deus em todas as coisas e sondar as nossas motivações a fim de corrigi-las, ninguém melhor do que Deus para fazer isso. Além disso, muitas vezes somos movidas por emoções, iniciamos, mas não damos continuidade, por isso, é preciso buscar a Deus antes de tudo. É importante também que direcionemos nossas orações para uma pessoa específica, alguém que nós já conhecemos e observamos.

É preciso ter algum nível de proximidade com essa pessoa porque o discipulado é antes de tudo um relacionamento, não é algo impessoal, então, é preciso promover uma aproximação, conhecer a pessoa e se deixar conhecer também. Só então, certos de que estamos prontos e dispostos a assumir essa responsabilidade devemos fazer a proposta do discipulado.

É importante ressaltar que pode ocorrer que a pessoa não queira ser discipulada, e devemos encarar isso com maturidade, sem ressentimentos, colocando tudo diante de Deus. Talvez não seja o momento, ou a pessoa indicada. Enfim, Deus sempre conduzirá todas as coisas para a sua glória, devemos descansar nessa certeza.

Exercendo o nosso papel: influenciadoras do bem

Frequentemente reclamamos da falta de mulheres mais velhas para discipular as mais jovens nas igrejas, mas a pergunta a ser feita é: e quanto a mim? Eu tenho desempenhado o meu papel? Quantas mulheres, jovens e adolescentes há em minha igreja que eu poderia discipular?

Talvez a sua igreja não possua uma cultura de discipulado, mas você pode dar o primeiro passo. Tenho certeza de que há pelo menos 5 mulheres ao seu redor que você poderia começar a discipular este ano.

Vivemos em um tempo em que há muitos “influenciadores digitais”, infelizmente, a influência exercida por eles é quase sempre negativa. Mas nossas jovens e adolescentes têm consumido todo o lixo tóxico produzido por eles. Elas têm sido mais influenciadas por mulheres ímpias do que por mulheres cristãs! Você já parou pra pensar em quão lastimável é isso? Nos efeitos que isso causará daqui a cinco, dez, ou quinze anos? Nos prejuízos que isso poderá acarretar a elas e às futuras famílias? Continuaremos assistindo passivamente a isso? Ou iremos exercer o nosso papel?

Como bem disse a Renata Gandolfo, “cristãs moldadas pela cruz devem influenciar e moldar outras à cruz de Cristo”. Esse é o nosso papel, ser influenciadoras do bem, ou, numa linguagem bíblica, mestras do bem (Tito 2:3).

Como podemos fazer isso na prática?

 Quando observamos o modelo de discipulado de Jesus aprendemos aspectos muito interessantes. O discipulado de Jesus não tinha dia, hora ou local previamente marcado. O discipulado de Jesus era muito dinâmico, fazia parte de sua vida e rotina. O que isto significa? Não devemos marcar dia e hora para o discipulado?

Não, significa que precisamos entender que discipular não é uma fórmula; não é ficar trancado numa sala olhando para a Bíblia. A Palavra de Deus é viva e dinâmica e nós devemos seguir o exemplo de Jesus, Ele conseguia ensinar a partir de situações corriqueiras, elementos do cotidiano e realidades conhecidas, trazendo a Bíblia para o dia a dia das pessoas.

Talvez essa seja uma das maiores falhas do discipulado moderno, estamos “formando” cristãos que não conseguem aplicar sua fé na vida cotidiana. Elas só conseguem enxergar sua fé no contexto de sábado e domingo. Ao sair para seus trabalhos, faculdades e lazer deixam a Bíblia de lado para “viverem suas vidas”.

O discipulado moderno tem criado um abismo entre as coisas de Deus e as coisas dos homens. Abismo que Cristo rompeu ao manifestar em si mesmo a natureza de Deus e do homem.

Cristo mostrou a pescadores como a Palavra de Deus é vida e como se aplica à nossa realidade, seja varrendo a casa atrás de uma dracma – quem nunca perdeu uma moeda e procurou até encontrar? – Seja no seu trabalho, cuidando de ovelhas, ou se tratando de conflitos familiares entre pais, filhos e irmãos.

O discipulado deveria ser uma coisa viva, real e contínua. Discipular não envolve quatro paredes, não há problema nisso, mas a questão é que ele é mais do que isso, ele precisa ir além disso.

O discipulado deve ser um meio de fazer com que as pessoas percebam a conexão entre a Palavra de Deus e a vida delas. Caso contrário, a Bíblia continuará sendo aquilo que é para muitos que estão dentro da igreja, apenas um livro religioso usado aos sábados e domingos.

Um discipulado genuíno traz a Palavra para a vida das pessoas.

Para concluir, quero deixar algumas observações sobre o discipulado:

  • Ele precisa ser intencional. Como? Se tornando parte da sua rotina, com dia, horário e local marcados e mantendo uma frequência, semanal ou no máximo quinzenal.
  • Deve haver transparência e um desejo mútuo de que ele aconteça. Ninguém deve ser forçado ao discipulado.
  • A partir do momento em que você assume a responsabilidade de discipular você assume também a responsabilidade de orar. Então, ore por esta pessoa.
  • Fuja do orgulho, lembre-se que somos meros instrumentos nas mãos de Deus. Discipular não nos torna melhores ou mais espirituais, afinal somos servos inúteis, fizemos apenas o nosso dever (Lc 17:10)

“Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido?” (1 Co 4:7)

  • Comprometa-se e disponha-se. Nem todos os dias haverá ânimo para o discipulado, mas mesmo nesses dias precisamos nos lembrar do nosso compromisso, primeiramente diante de Deus e honrá-lo.

“Quanto fizeres algum voto ou promessa, cumpre-os sem demora, pois, somente os tolos desagradam a Deus. Cumpre, pois a tua palavra! Portanto, é melhor não prometer do que fazer um voto e não cumprir a palavra empenhada. Não permitas, pois, que tua boca te conduza ao pecado.” (Ec 5:4-6)

  • Lembre-se que você é servo e não senhor. Sua função não é comandar a vida dessa pessoa, mas orientá-la no temor do Senhor. Quanto mais dependente de Deus e menos dependente de você ela se tornar melhor. Isso significa que está indo no caminho certo.
  • Perdoe e exerça misericórdia. Nossa tendência ao discipular é nos envolvermos de tal maneira que nos sentimos pessoalmente ofendidas quando a pessoa a quem discipulamos falha ou ignora nossos conselhos e exortações. Devemos direcionar a ofensa para Deus e não para nós. Não nos cabe exercer o juízo, mas orar, perdoar e exercer o ministério da reconciliação levando-a aos pés de Cristo.
  • Seja sigilosa. Discipular é lidar com vidas, vidas que são preciosas para o Senhor; é cuidar dos pequeninos de Deus, e ai daquele que fizer um deles tropeçar. Por isso, não exponha as conversas entre vocês, nem as use como arma de acusação, chantagem ou manipulação. Isso é diabólico.
  • O propósito do discipulado não é falar da vida alheia! Não transforme esse tempo precioso em encontro para fofocas. Não dê lugar a maledicência.
  • Esteja disposta a compartilhar sua vida, suas fraquezas, lutas e dificuldades, isso gera intimidade e crescimento mútuo. Lembre-se que antes de tudo vocês são companheiras de peregrinação.

E, por fim, mas não menos importante,

  • Não se prenda a estereótipos de discipulado, Jesus discipulava comendo, pescando, caminhando, no templo, no monte, no mar… O discipulado não precisa e não deve ser uma coisa engessada, pode haver variações. Vocês podem tomar um café da tarde juntas, almoçar, fazer uma caminhada ao ar livre (uma forma de incentivo à atividade física enquanto compartilham das coisas de Cristo), ler e estudar um livro juntas. Talvez, em algum dia vocês sintam uma necessidade de dedicar mais tempo à oração, ou você sinta que sua irmã em Cristo desabafar, ser ouvida e chorar. O discipulado engloba todas essas situações e precisamos ser sensíveis a elas. O mais importante não é o formato, mas o conteúdo, o propósito do discipulado.

Precisamos deixar de lado nossos medos e inseguranças, “Cristo é suficiente para fazer de nós discípulas e discipuladoras”[1], a capacidade não vem de nós, mas dEle.  Pra concluir, deixo aqui as palavras do apóstolo João dirigidas a Gaio, seu filho na fé: “Não tenho maior alegria do que esta, a de ouvir que meus filhos andam na verdade.” (III João 1:4). Essas palavras me trouxeram motivação, quero experimentar essa mesma alegria que o apóstolo sentiu ao ver seus filhos andando na verdade. Creio que esse é um dos maiores gozos que o Senhor nos concede na vida cristã: discipular e ver os frutos.

            Eu quero experimentar isso este ano, e você? Eu tenho duas pessoas em mente que eu gostaria de discipular e tenho pedido a Deus para que isso se concretize. Eu gostaria de te discipular a iniciar um discipulado este ano. Pense em algumas mulheres, ore por elas e se aproxime. Que possamos desfrutar dessa graça que é ajudar outras pessoas a seguirem Jesus.

Que Deus nos capacite para o louvor de sua graça.

No Amor de Cristo,

Prisca Lessa

Conteúdos sobre DISCIPULADO:

Vídeos:

Discipulado: O que é e como discipular? (Parte 1/2) https://www.youtube.com/watch?v=N6BspHRcfAk

Discipulado: Desculpas para não discipular e abusos no discipulado (Parte 2/2) https://www.youtube.com/watch?v=4hUL6KitsMk

Artigos:

Como começar um discipulado com mulheres: https://voltemosaoevangelho.com/blog/2015/07/como-comecar-um-discipulado-com-mulheres/

Material recomendado sobre discipulado (Voltemos ao Evangelho): https://voltemosaoevangelho.com/blog/2017/08/discipulado-desculpas-para-nao-discipular-e-abusos-no-discipulado-parte-22-vecast-11/

Como promover discipulado entre mulheres de diferentes gerações: https://voltemosaoevangelho.com/blog/2017/01/como-promover-discipulado-entre-mulheres-de-diferentes-geracoes/

Discipulados de mulheres: ensinando ovelhas a serem ovelhas: https://voltemosaoevangelho.com/blog/2017/03/discipulado-de-mulheres-ensinando-ovelhas-serem-ovelhas/

Livros:

Ministério de Mulheres: amando e servindo a igreja por meio da Palavra, Gloria Furman e Kathleen Nielson https://www.editorafiel.com.br/ministerio-de-mulheres/443-ministerio-de-mulheres.html

Discipulado: como ajudar outras pessoas a seguir Jesus, Mark Dever https://vidanova.com.br/812-discipulado-9marcas.html?utm_source=ve-link&utm_medium=ve-link&utm_campaign=ve-link

A Treliça e a Videira: a mentalidade de discipulado que muda tudo, Tony Payne e Colin Marshall https://www.editorafiel.com.br/igreja-e-ministerio-pastoral/602-a-trelica-e-a-videira.html?utm_source=ve-link&utm_medium=ve-link&utm_campaign=ve-link

[1] Frase proferida por Renata Gandolfo na Conferência Fiel Mulheres 2018

CARTA À MINHA AMIGA SOLTEIRA PRESTES A MORAR SOZINHA

Carta à minha amiga solteira, Feminilidade, solteirice

cartas À minha amiga solteira (2)

Querida amiga,

Quando você compartilhou seu receio de ir morar sozinha e dar novos rumos à sua vida, senti que deveria lhe escrever estas palavras.

Lembra quando eu fui morar longe da minha família? Foi uma mudança difícil no início, mas foi umas das melhores escolhas que fiz. Eu pude ver a providência de Deus como nunca antes: aluguei a casa não tendo nada além de alguns itens de cozinha, uma cama e uma panela de pressão. Mas, Deus foi tão generoso que ganhei muito mais do que esperava: uma máquina de lavar roupa, televisão, guarda-roupa, fogão; e com o tempo fui adquirindo as outras coisas. No fim eu tinha tudo o que precisava.

Eu não sabia administrar minhas finanças, não sabia pagar contas, nunca tinha cuidado de uma casa sozinha; não sabia o valor (monetário) das coisas, mas aprendi a valorizar cada centavo nas idas e vindas ao supermercado, banco e lotérica. Aprendi a cozinhar de verdade e ter prazer em cuidar da casa. Também descobri a alegria da hospitalidade, como é bom receber pessoas em casa!

Confesso que também passei por muitas crises. Enfrentei a saudade, a solidão, privações. Me vi lutando contra a incredulidade. Longe de casa, muitas vezes questionamos a fé que recebemos de nossos pais. Mas essa dolorosa crise foi necessária. Aquela fé vacilante da menina de 19 anos foi quebrada, moída, desconstruída – como doeu, mas a dor faz parte do crescimento. Não há como fugir.

Depois de 6 anos entendi que era tempo de voltar pra a casa dos meus pais. Foi outra escolha difícil, mas precisamos entender o tempo e as estações. Não voltei de mãos vazias, na bagagem eu trouxe todo o aprendizado que adquiri nesses anos longe. Me tornei uma mulher e essa experiência isso foi fundamental para o meu crescimento.

Por isso, eu lhe escrevo como um incentivo. Se há oportunidade e condições para morar fora, então, confie em Deus e vá! Eu sei que morar sozinha aos 26 anos parece ser uma mudança de planos permanente e isso te assusta um pouco. Mas, independentemente do que aconteça, não deixe que o medo seja sua motivação.

Sei que lá no fundo você está pensando que permanecer é mais seguro e garantido, pois, se você sair do ninho estará limitando os planos de Deus para sua vida. Mas essa é uma ideia tola demais pra alguém que pertence a um Deus tão grande como o nosso. Tire isso da sua cabeça. Voe, minha querida, voe alto e seja qual for a vontade de de Deus para sua vida, a providência se encarregará de cumpri-la seja nos ares ou em terra firme.

Voe.

 

CONTINUA…

CARTA À MINHA AMIGA SOLTEIRA

Carta à minha amiga solteira, Feminilidade, Papo de amiga, solteirice

cartas À minha amiga solteira

Querida amiga,

Sei que você está passando por um momento de muitas mudanças e questionamentos. Você está com 27 anos e parece que quando ultrapassamos a casa dos 25 a pressão interna e externa aumenta.

Sei que você planejou estar casada 25 anos e lá se foi mais um ano sem ver nem a sombra daquele que poderia ser seu futuro esposo. O tempo está passando, as demandas da vida estão surgindo e você não pode ficar na janela esperando a figura de um belo jovem despontar no horizonte.

Sei que lá no fundo o que mais te dói é fato de você se sentir totalmente preparada pra abraçar essa nova fase de casamento. Você é madura, prendada, dedicada, inteligente, ama a vida do lar e tem resistido às tentações do mundo. Parece que todos os seus instintos estão prontos pra iniciar uma família, mas a realidade não condiz com os seus sentimentos. Isso é frustrante.

Aliás, por falar em frustrações, foram tantas até aqui, não é mesmo?! Sei que com a sua idade sua mãe já estava casada e com pelo menos um filho. Mas, por favor, não faça mais essas comparações. Deus tem caminhos diferentes para cada uma de nós.

Sei que está em conflito: você traçou sua rota e no meio do caminho se se viu diante da necessidade de reprogramar. Não tenha medo de dar um novo passo e se abrir para as outras possibilidades. Sei que será doloroso no começo, mas saiba que nada do que fizer a partir de agora significará um atraso em sua vida.

Às vezes temos medo de tomar decisões e atrapalhar ou perder aquilo que Deus havia planejado pra nós logo à frente. É como se estivéssemos diante de duas portas e a nossa vida dependesse de uma única escolha: qual das delas escolher? Nosso maior medo é escolher a porta errada e perder tudo o que Deus havia preparado pra nós atrás da outra porta.

Quero confortar seu coração lembrando-lhe que a vida cristã não é um jogo de sorte ou azar. Graças a Deus! Sei que você é uma mulher aplicada ao estudo da Teologia, então, lembre-se da doutrina da soberania de Deus! O Deus que rege todo o Universo rege também a sua vida. Não deixe que essas preciosas doutrinas sejam mero conhecimento intelectual, aplique-as ao coração, isso será doce ao seu paladar.

 

CONTINUA…

UMA REFLEXÃO PARA 2019: NÃO SE PREOCUPE.

Ansiedade, Bíblia, devocional, Dicas, Estudo Bíblico, Teologia, vida cristã

NÃO SE PREOCUPE

 

“Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus próprios cuidados; basta a cada dia o seu próprio mal” (Mateus 6:34)

 

É bem conhecido o texto do Sermão do Monte onde Jesus fala sobre a ansiosa solicitude pela vida; nele somos exortados a confiar em Deus, pois se Deus cuida das aves e das flores, quanto mais de nós! Mas, não há como negar o quão difícil é viver essa verdade na prática porque somos sempre movidos pelas circunstâncias. Deveria ser óbvio que se Deus cuida dos lírios são tão efêmeros, Ele cuidará ainda mais de nós que somos seres eternos, mas geralmente o óbvio escapa à nossa compreensão. Diante das circunstâncias nos abalamos, tememos, nos desesperamos, e, só depois, muito depois, conseguimos confiar no fato de que o Senhor é quem cuida de nós.

Não sei como você chegou a 2019. Pode ser que tudo em sua vida esteja em ordem, ou, pode ser que você esteja preocupada com o que comer e vestir, preocupada com o futuro, com o emprego, estudos, namoro, casamento, contas a pagar, problemas de saúde. Enfim, não sei qual a sua situação, mas na passagem do ano, parei para refletir nas palavras proferidas pelo Senhor em Mateus 6:34. Já li esse texto tantas vezes, mas nunca havia parado para refletir no fechamento desse pequeno sermão sobre ansiedade.

Após falar que não devemos andar ansiosos e mostrar a soberania e o cuidado de Deus sobre suas criaturas, Jesus conclui nos dando uma razão bem objetiva do porquê não devemos nos preocupar: “o amanhã trará os seus próprios cuidados; basta a cada dia o seu próprio mal”. O que isto significa? Dependendo da versão bíblica esse texto pode apresentar um sentido bem diferente do pretendido. A NVI[1] traz a seguinte versão: “Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal”. Ao ler essa versão, a impressão que fica é a de que “não devemos nos preocupar com o amanhã, pois o amanhã em si já trará motivos o bastante para nos preocuparmos. Sendo assim, por que adiantá-los? Ao invés de se preocupar com os problemas de amanhã, preocupe-se com os de hoje, pois amanhã eles estarão lá te esperando”. Mas, se assim fosse, não faria muito sentido à luz daquilo que Jesus vem ensinando ao longo desta passagem, Jesus vem ensinando justamente o oposto: Não se preocupem. Portanto, não faria sentido ao final de tudo Ele dizer: “preocupem-se somente com o hoje e deixem para se preocupar com os problemas de amanhã quando amanhecer”. Se assim fosse, onde estaria a paz que Jesus está propondo? Se os problemas estarão lá amanhã, então, por que não adiantá-los? Quem sabe se, ao fazer isso, eu não conseguiria resolver alguma coisa antes da hora?!

Felizmente, não é isso que Jesus está propondo! Ele não está dizendo: “preocupe-se amanhã”, pelo contrário, Ele está dizendo: “Não se preocupe porque Deus cuida de você”. E como Deus cuida de nós? Ele cuida tal como faz com as plantas de as aves: provendo o necessário para cada dia. É justamente isso que o versículo 34 está dizendo. Não que você deva se preocupar com os cuidados que tomará para solucionar os problemas de amanhã, mas que Deus já providenciou esses cuidados; não só para o dia de amanhã, mas em todos os dias em que viveremos nesta vida (e na vindoura).

De uma forma muito especial e misteriosa, Deus outorgou a cada dia os cuidados necessários para os desafios que ele acarreta, em outras palavras, as soluções não serão concedidas antes que você enfrente a situação, antes que o dia chegue. Sendo assim, Jesus nos adverte que não faz sentido ficar quebrando a cabeça por soluções que Deus ainda não nos concedeu, pois a seu tempo elas virão.

Jesus usou o termo merimnao, as melhores traduções para esse termo são as seguintes: 1) estar ansioso, 1a) estar preocupado com cuidados; 2) cuidar de, estar alerta com (algo), 2a) procurar promover os interesses de alguém, 2b) cuidar ou providenciar para. Em outras palavras, é que o amanhã cuidará de si mesmo, ele promoverá os cuidados necessários. Quando paro para analisar a vida vejo o quão verdadeiro é isso.

Você já percebeu que momento em que ocorrem os problemas sempre parecem grandes e intransponíveis? Mas, muitas vezes, no dia seguinte, ou passado algum tempo, ao olharmos novamente para a mesma situação ela deixa de ser tão assustadora quanto parecia! Ou, aquela conversa terrível que você sabe que precisa ter com determinada pessoa; ela parece um monstro de sete cabeças, mas só até que você dê o primeiro passo e a inicie. Logo toda aquela dor de barriga, angústia e noites mal dormidas perdem o sentido. Às vezes até rimos do sufoco que passamos.

Quando você recebe a notícia de uma demissão, naquele instante surge um medo terrível de não conseguir emprego e não ter condições de se sustentar. Parece o fim, mas passado algum tempo, você se dá conta do quão inútil era o medo; ele não fez nada por você, apenas te paralisou e, no fim, tudo deu certo.

Quando você rompe um relacionamento e parece que você nunca mais será feliz outra vez; que não se casará e seus sonhos ficarão despedaçados para sempre. Parece que aquele instante é tudo o que existe, mas, passado algum tempo, você olha ao redor e tudo está perfeitamente como estava, o mundo não desmoronou e você sobreviveu. A vida segue e quando menos espera, o amor lhe sorri outra vez. Essa “mágica do dia seguinte” realmente acontece. Às vezes é preciso mais que um dia, semanas, meses e até mesmo anos, mas ela acontece a seu tempo. Não se trata de uma coincidência, são dádivas de Deus. Cada dia cuidará de si mesmo. Não se preocupe.

Deus proverá os cuidados e soluções que precisaremos, então descanse.

Em contrapartida, preciso ressaltar que não se preocupar com o amanhã não significa que devamos ser negligentes com o nosso futuro. A preocupação da qual Jesus está se referindo neste sermão é aquela que nos desestabiliza emocionalmente, que traz sobre o hoje uma carga que não compete ao dia de hoje. Como disse o Dr. Martyn Lloyd-Jones: “[…] você precisa viver 24 horas de cada vez, e não mais do que isso. Essa é a nossa cota diária […]. Não fixemos os pensamentos sobre o dia de amanhã. Amanhã trará a sua própria cota, mas então já será amanhã, e não mais hoje”. Podemos investir, poupar e planejar. O que não podemos fazer é sobrecarregar o hoje pensando nas angústias do amanhã.

Segundo o nosso Senhor, não devemos sofrer por antecipação, pois cada dia traz seus dilemas, aflições e também soluções. Sendo assim, por que se angustiar com coisas que estão fora de nosso alcance? Não se preocupe.

É infantil o nosso intento de cuidar do amanhã. Nós não temos controle nem sobre as nossas vidas, que dirá sobre o amanhã que envolve uma série de fatores que estão além do nosso alcance?! Supor que temos por, nós mesmos, o poder de mudar tudo ao nosso redor é insensatez. Deus não nos concedeu esse poder.

[…] basta a cada dia o seu próprio mal”.

Deus estabeleceu limites. Imagine se tivéssemos acesso irrestrito ao futuro? A vida seria angustiante e desesperadora; não teríamos relacionamentos, não suportaríamos viver. 2019 pode ser um ano cheio de possibilidades empolgantes. Ainda assim, é fato, os problemas surgirão. Não há como fugir disso. Mas, a boa notícia é que Deus não permitirá que o mundo inteiro caia sobre você. Quando as lutas forem tão pesadas e você se sentir abandonada por Deus, lembre-se das palavras do nosso Senhor: basta a cada dia o seu próprio mal.

Basta. Reflita nesta palavra. Ela nos lembra de que Deus estabeleceu um limite para todas as coisas, inclusive para o mal que insiste em nos assolar. Há um limite para o sofrimento que enfrentaremos. Ele nunca será irrestrito e desenfreado, sempre haverá misericórdia, sempre haverá um basta – ainda que seja naquele momento ao virar do dia em que você fechará os olhos por algumas horas e descansará esquecendo-se do mundo ao redor. Ali Deus estará contigo, trazendo alívio em meio ao sofrimento.

Saiba que Deus tem a medida certa e exata de sabores e dissabores, alegrias e tristezas para cada dia desse ano que iniciamos. Nada nunca passará da sua medida. Sempre haverá um basta.

Com essa reflexão quero te motivar a confiar em Deus, a não tomar sobre si um peso que não lhe compete carregar. Viva confiante na bondade, graça e misericórdia de Deus. Não torne pesado o teu fardo. Viva, um dia de cada vez, é só o que podemos carregar. Respeite os limites que Deus estabeleceu: se é um dia, então, viva esse dia. Se é um ano, então, viva esse ano.

Não se preocupe com o dia de amanhã, Deus já proveu e dentro das possibilidades que Ele nos tem concedido, conseguiremos enfrentar os desafios e vencê-los. É preciso fé para confiar que o amanhã já está sob os cuidados de Deus. Não há com o que se preocupar. Confesso que escrever isso é muito mais fácil do que aplicar em meu dia a dia, mas, como disse Lloyd-Jones, precisamos aprender a pregar sobre a nossa fé à nossa alma, lembrá-la das promessas de Deus; do Deus a quem servimos. Esse é um esforço diário e constante. Assim como cada dia traz seus desafios, com ele devemos relembrar a nós mesmos o Deus em quem cremos. Todos os dias, de novo e de novo.

Sabem, queridas, uma coisa eu aprendi, até mesmo o sofrimento deve/merece ser desfrutado exclusivamente em seu momento. Sem fugas, sem subterfúgios. Quanto mais demoramos a encará-lo mais ele se alastra. Então, se hoje – enquanto todos estão sorrindo – você tiver que chorar, chore mesmo. Chore o quanto precisar, mas depois prossiga, enfrente e em frente vivendo um dia de cada vez. Respeitando os dias e os momentos que Deus estabeleceu, sejam eles de luto ou de alegria. Há um propósito para cada um deles e eles são benéficos para nós no fim das contas. Viva cada momento, e não se preocupe, Deus estará com você.

Que essa palavra possa nutrir e fortalecer os nossos corações e nos dar ânimo para os dias que estão por vir. E, se você estiver passando por dias difíceis, acredite: Dias melhores virão!

Um grande abraço,

No Amor de Cristo,

Prisca Lessa

[1] Nova Versão Internacional