Conhecer e prosseguir em conhecer também vale para o casamento.

tim keller

Quando um casal inicia um relacionamento, há tantas coisas em comum e tantos assuntos a ser conversados que, às vezes, o tempo parece inimigo. O tempo se torna pouco diante de tantos assuntos. Ainda que houvesse um dia todo livre, ele não seria suficiente para satisfazer o desejo de conhecer e ser conhecido pelo outro. As despedidas no portão, na rodoviária ou no aeroporto são sempre dolorosas e o final das ligações traz consigo um misto de alegria e saudade.

Até que um dia os dois, finalmente, se casam e não há mais despedidas dolorosas. Finalmente eles têm tempo para conhecer um ao outro. Porém, mais uma vez o tempo parece um inimigo, pois, a rotina acaba consumindo boa parte do tempo e sem perceber eles deixam de lado a deliciosa experiência de prosseguir conhecendo (intencionalmente) um ao outro; partilhando sonhos, desejos, projetos, medos e angústias. Aqueles interesses, que outrora uniram e fascinaram, continuam a existir, no entanto, vão sendo deixados de lado e substituídos pelas coisas urgentes da vida diária, tal como, o vencimento da próxima fatura do cartão.

As coisas corriqueiras passam a ocupar mais tempo e aqueles momentos de caminhadas e conversas intermináveis se tornam cada vez menos frequentes. Com o passar do tempo, o interesse parece diminuir. Não por falta de amor, mas por falta de investimento, dedicação e criatividade no relacionamento – como programar coisas juntos, separar tardes para tomarem um café e falar da vida, da música, arte, filmes; assuntos que encantavam durante o período em que se cortejavam.

É maravilhoso quando descobrimos o outro – de fato, é o interesse nessa descoberta que aproxima duas pessoas inicialmente -, a vontade de conversar e de ouvir o outro só aumenta, porém, não deve se restringir a esse período inicial, ela deve ser cultivada ainda mais no matrimônio. Meu irmão sempre usava um termo interessante quando ia conversar ao telefone com a namorada ou visitá-la. Ele dizia: “preciso ir cultivar o jardim”.

Pois, é necessário continuar cultivando o jardim depois de casados. Não há como esperar belas flores nem bons frutos sem água, carinho, sol, tempo, dedicação e boas ferramentas. Que haja um esforço contínuo em estreitar os laços, em seguir conhecendo ao outro. O amor é fruto do conhecimento. Durante o cortejo e o noivado conheça o outro tão bem quanto isso for possível e prossiga nessa mesma dedicação após o “sim”.

Outro ponto importante, que vale ressaltar é que se você é uma mulher casada (isso também vale para os homens) seu esforço deve ser em conhecer e descobrir coisas em comum com o SEU cônjuge e não com outros homens. Podem existir outros homens divertidos e interessantes por aí, mas a partir do momento em que você se casa, nenhum deles deve ser mais interessante do que o seu marido, nenhuma conversa deve ser mais atrativa e capturar mais os seus pensamentos do que aquelas que você tem com o homem que escolheu para o resto da vida. E se, as conversas entre vocês não têm sido tão interessantes, invista tempo, planeje assuntos e dialogue sobre tudo, mesmo que sejam apenas tolices da vida que, no fim das contas, renderão bons momentos e boas risadas. Conheça e prossiga em conhecer (intencionalmente) o seu cônjuge.

Como disse Edith Schaeffer:

“O amor crescerá à medida que as razões para o amor forem sendo descobertas, analisadas cogitadas, expressas verbalmente e lembradas. Com o passar do tempo, as recordações ficarão mais ricas, vívidas e calorosas”.

P.S. Escrever sobre casamento sendo solteira é sempre um GRANDE desafio. Sinto que não estou devidamente qualificada para tanto, porém, tenho aprendido que a sabedoria proveniente da Palavra de Deus nos capacita a falar, não com base na experiência, mas no conhecimento bíblico. Essa certeza é o que me permite colocar meus pés, ainda que de modo tímido e desajeitado, nesse mar sobre o qual ainda ainda não naveguei. Oro a Deus para que essas palavras sejam úteis não só para casados, mas também no preparo de solteiros incluindo eu mesma. Que o Senhor nos ajude.

Nele, por Ele e para Ele,

Prisca Lessa

Contentamento.

Se há uma palavra que pode definir esse casal, tal palavra é “CONTENTAMENTO”. 

Há contentamento nas mínimas coisas. Minha cunhada é a noiva mais desapegada que eu já vi. Para ela tudo está bom, ela não entra em crise, não bate o pé… Ela celebra o recebimento de uma xícara com a mesma alegria que uma geladeira, não despreza nada nem ninguém.

Fui com ela à loja onde foi feito o vestido de noiva e fiquei pasma com a serenidade: “Gente, é só um vestido, calma que vai dar tudo certo”, era ela é quem tranquilizava as funcionárias da loja. O amor e respeito que ela demonstrou com as funcionárias fez com que elas se empenhassem ainda mais e fizessem até além das expectativas. 

Com os dois olhos inchados, às vésperas do casamento, ela se ri até das “desgraças”: “Qualquer coisa uso uma franja emo”. 

Na escolha do local pra viagem dos noivos: “Pri, o importante é sairmos, pode ser até em Lácio” (quem mora em Marília e região sabe que Lácio não é destino pra ninguém 😅😋)” mas, pela graça  de Deus eles não vão pra lá rs.

Meu irmão disse: “Pri, glorificar a Cristo no casamento não é ter um momento na cerimônia para declarar quem Ele é. Glorificar a Cristo é honra-lo nas pequenas coisas, ser grato, ser ponderado, não entrar em dívidas só pra ter ‘O CASAMENTO’, mas é fazer tudo discernindo a vontade de Deus”.

E, de fato, ao buscar o reino de Deus em primeiro lugar, as demais coisas são acrescentadas nos mínimos detalhes. O Senhor tem acrescentado, tudo o que eles não bateram o pé pra receber. Tudo o que eles abriram mão para não gastar além dos seus recursos, eles receberam como dádiva. 

“DÁDIVA” é o que temos visto diariamente, minuto a minuto. Como disse meu irmão, tudo foi feito contando as moedas, mas, pela graça de Deus, as “moedas” não param de surgir! Sim, Deus é um Deus de Providência, Ele multiplica farinhas, azeites, pães e outros recursos para suprir o seu povo. Ele não desampara aqueles que voltam os seus olhos para Ele. Não há dúvidas disso! 

Vivenciar esse momento é um aprendizado e tanto! De fato, o CONTENTAMENTO é uma bênção que o Senhor concede para aqueles que nEle descansam. Tenho aprendido muito nestes dias.  Que o Senhor os abençoe. 

Soli Deo Gloria.

No Amor de Cristo.

Prisca Lessa. 

Não desperdice sua solteirice!

imagesingle17Talvez você já tenha ouvido, ao menos uma dezena de vezes, que a solteirice é um dom de Deus para nós e que, portanto, não deve ser encarada como um fardo ou algo desagradável e sim, como uma bênção. Mas, nossa primeira reação ao ouvir isso, principalmente vindo de mulheres casadas, é pensar: “Ora, é fácil dizer isso, uma vez que você já se casou”. É muito bom ouvir conselhos de mulheres casadas que, assim como nós, já foram solteiras algum dia. Isso nos traz esperança. Mas é verdade também que ao receber incentivo de uma mulher solteira nos sentimos animadas e consoladas por saber que ela está enfrentando as mesmas lutas e desafios que nós. Sendo assim, aqui vão algumas palavras de uma solteira que, após muito “brigar” com Deus compreendeu que ser solteira não é estar no banco de espera, não é estar sobrando ou ser ignorada por Deus, mas é o alicerce de uma vida frutífera. Enquanto solteiras, nossa tendência é desprezar esse momento tão precioso e útil de nossas vidas. Acredite, esse tempo é mais útil do que você imagina.

Uma das melhores coisas que uma solteira pode fazer é conviver com mulheres casadas. Desde o ano passado tenho tido o privilégio de passar o domingo com algumas famílias da minha igreja e tem sido uma oportunidade de aprendizado sem igual. Um dos conselhos que mais ouço das mulheres casadas é: aproveite seu tempo de solteira.

Embora o casamento seja uma grande bênção e algo desejável, ele é um compromisso que exige total dedicação. Ao dizer “sim”, dizemos “não” a certos aspectos da nossa vida e, por isso, a solteirice, é o momento ideal para cumprirmos determinadas prioridades. Ao invés de passar dias, meses e anos sonhando acordada, esse é o momento propício para aprofundar sua vida devocional. Creio que uma das maiores bênçãos na vida de solteira é o tempo que temos com Deus: tempo pra orar, ler a Bíblia, estudar e crescer em profundidade. Após o casamento a demanda de tempo e atividades se torna cada vez maior, pois o lar requer nossa ação diária e constante e, por vezes, nosso tempo com Deus se torna restrito. Por isso, as sementes que você tem plantado hoje em sua vida devocional são fundamentais em sua jornada; elas darão bons frutos dos quais não somente você, mas seu marido e filhos também usufruirão. Se você não tem semeado um relacionamento profundo com Deus hoje, não espere se tornar uma esposa sábia num passe de mágica. O que você tem semeado nesse período de solteira é o que colherá em sua vida de casada.

A solteirice também é um tempo de investir em si mesma e aprofundar o relacionamento com sua família – aproveite, pois, futuramente, você sentirá muita falta deles – e amigos. Estude, trabalhe, faça cursos diversos, viaje, aprenda a cozinhar e a fazer coisas relacionadas ao lar. Já ouvi meninas solteiras afirmarem que não pretendem fazer faculdade, ou qualquer outro curso porque um dia vão se casar (!). Não faz sentido pensar assim, uma coisa não anula a outra e todas as sementes plantadas hoje serão úteis no futuro. Se você é solteira, viva como uma solteira, estude e trabalhe para a glória de Deus – até porque, você também não sabe o quanto tempo permanecerá nessa solteira e à medida que o tempo passa a vida vai exigindo de nós certa autonomia (não dá pra depender dos pais a vida toda).

Enquanto escrevo essas palavras, me lembro da parábola da cigarra e da formiga. Enquanto a cigarra passou o verão cantando, a formiga esteve trabalhando. Talvez, lá no fundo, ela gostaria de estar simplesmente cantando e “curtindo a vida” sem compromisso algum como a cigarra, mas ela era sensata; ela sabia que, cedo ou tarde, o inverno chegaria e ela precisava estar preparada. Então, ela se abasteceu, se preparou, sem desperdiçar um dia sequer. E, por fim, o que parecia desperdício de tempo, no momento certo trouxe seus frutos. O inverno chegou e a cigarra insensata não estava preparada para essa nova fase, mas a formiga sim. Essa pequena ilustração me faz refletir sobre os seguintes questionamentos: Como você tem encarado seu tempo de solteira? Quais têm sido suas prioridades? Deus nos preparou esse tempo precioso para que o desfrutemos da melhor forma. Aprenda a otimizá-lo, pois uma das bênçãos que a solteirice nos proporciona é o tempo. Saiba aproveitá-lo.

Há muitas solteiras ansiosas por se casar, mas as mesmas também dizem: “Não sei/Não gosto de cuidar de crianças”, “não sei/não gosto de cozinhar”, “não sei/não gosto de cuidar da casa”. Pois bem, se ainda não sabe, esse é o tempo de aprender, pois, uma vez casada essas atribuições serão parte de sua rotina. Por isso, invista seu tempo em coisas úteis para sua formação integral, não somente acadêmica, mas também doméstica. Por vezes, investimos quatro, cinco e até mais anos de nossas vidas nos preparando para exercer determinada profissão e negligenciamos a preparação para o matrimônio, precisamos ser sábias e aprender a remir o tempo. Deus é tão bom que nos concedeu os anos de nossa solteirice como preparo para exercer uma carreira para o resto de nossas vidas: ser esposa e mãe.  Agora é o melhor momento o melhor para nos prepararmos sem grandes pressões e cobranças.

Leia tudo o que puder e o quanto puder, conheça mais a si mesma, aprenda a cozinhar, a cuidar da casa, a costurar (nem que seja um botão), a passar roupas (e camisas sociais!), aprenda a lavar roupas na mão (afinal, nem tudo se resolve com máquina de lavar), aprenda a exercer o dom da hospitalidade, a ser cuidadosa, amável, dedicada; aprenda a dominar suas palavras. E se você tem dificuldades com a submissão, é tempo de começar a exercitá-la, cultive um espírito de mansidão.

“[…] seja, porém [o adorno da esposa], o homem interior do coração, unido ao incorruptível trajo de um espírito manso e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus.” (I Pedro 3:4)

Há muito a ser trabalhado em nós e Deus, melhor do que ninguém o sabe e, por isso nos concede tempo útil para nos moldar e aperfeiçoar para Sua glória. Ao invés de listas intermináveis do que você espera em um marido, há itens suficientes para listar aquilo que você precisa aprender, bem como as qualidades e virtudes que precisa cultivar. Diante disso, o tempo de solteira até parece pouco, mas, não se desespere, pois Deus é tão bom que dá a cada uma de nós tempo suficiente. É claro que, por mais que nos preparemos agora, há coisas que só serão aprendidas depois de casadas, mas até lá, há muito trabalho a ser feito e não há tempo a perder.

Compreender que a solteirice é uma bênção de Deus para nós, produz um espírito de gratidão.

Sou grata a Deus pelos sábados quando posso me levantar tarde, pois sei que um dia, quando houver tarefas matinais e crianças lindas e agitadas, me acordando logo cedo, essa mordomia irá terminar.

Sou grata a Deus quando desfruto dos meus períodos de silêncio, leitura e meditação em minhas devocionais, pois sei que um dia outros sons farão parte das minhas manhãs e não terei tanto tempo disponível, mas essas palavras sobre as quais me debruço hoje estarão em meu coração e me fortalecerão.

Sou grata a Deus por ter um tempo para ler meus livros diariamente e o louvo, pois sei que um dia meus livros serão mais coloridos. Ao invés de Teologias Sistemáticas, passarei mais tempo lendo e me deliciando com histórias infantis.

Sou grata a Deus por poder dedicar mais tempo servindo à minha igreja, pois sei que um dia o Senhor me chamará para servi-lo me dedicando ao meu marido, filhos e lar e Ele será proporcionalmente glorificado nisso.  

Sou grata a Deus quando me sento para tomar meu café da manhã sem pressa, e igualmente grata quando me sento para escrever meus textos sem compromisso com o tempo.

Sou grata a Deus por ter minha mãe em casa e desfrutar do seu cuidado, que me permite viver minha solteirice sem grandes pressões e com quem posso aprender diariamente a ser uma esposa excelente.

Enfim, há muitas razões para ser grata a Deus hoje enquanto solteira; assim como haverá muitas outras para ser grata quando eu for esposa, dona de casa e mãe. Quando esse momento chegar, poderei louvar a Deus ao me recordar dos anos de minha juventude e dar graças porque me lembrei do Senhor em todos eles e me foram prazerosos (Ec 12.1). Por isso, lembre-se do seu Criador hoje enquanto você é solteira. Seja grata pelos pequenos vislumbres da graça Deus em seu dia a dia – como ter suas roupas lavadas e passadas sobre sua cama, encontrar uma refeição pronta à tua espera após chegar do trabalho ou da faculdade e poder, simplesmente, se “jogar” na cama sem maiores preocupações. Alegre-se, essas são dádivas do Senhor pra você no dia de hoje.

Por fim, quero deixar dois desafios, o primeiro é um desafio de gratidão: Pelo que você é grata a Deus sendo solteira? Compartilhe conosco e faça desse ato de gratidão um exercício diário.

A lista de coisas a fazer e aprender enquanto solteiras é grande e, por isso, eu quero de desafiar incentivar a fazer a sua própria lista de coisas que você deve a aprimorar: seja em questões espirituais, aperfeiçoamento de caráter, mudança de hábitos, novos aprendizados. Gaste um tempo para se autoanalisar. Muitas jovens fazem listas daquilo que esperam e desejam num homem, mas faça a lista daquilo que você almeja ser como mulher de Deus, e ore a Deus pedindo sabedoria e direção para que, com Sua graça, você alcance isso. Hoje é o tempo propício. Se você souber desfrutar de sua solteirice como a Bíblia ordena, cuidando em agradar ao Senhor, certamente, saberá desfrutar de sua vida de casada, pois a mulher que dedica sua solteirice em agradar ao Senhor (e não a si mesma), certamente agradará ao seu marido. Que o Senhor nos ajude a enxergar a graça que Ele nos tem concedido enquanto solteiras. Não desperdice sua solteirice, desfrute-a para a glória de Deus!

No Amor de Cristo,

Prisca Lessa

É preciso paciência. 

– Por favor… cativa-me! –  disse ela.

– Eu até gostaria – disse o principezinho –, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer .

– As gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa – Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas, como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

– Que é que preciso fazer? – perguntou o pequeno príncipe. 

– É preciso ser paciente – respondeu a raposa. 

(O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry)

Poesia Cristã: Bom dia, Amor.

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Não é porque não tenho um amor meu,

eternamente meu,

que vou sair por aí dizendo

que não acredito no Amor:

se o oceano não cabe num copo

a culpa não é do oceano,

mas do copo pequeno demais para contê-lo.

Como o Fiel repete o credo

diante do perseguidor,

lutando contra a realidade,

esperando contra a esperança,

com uma fé de criança

deixo que fale a saudade

na frase que sei de cor:

– Bom dia, Amor!

Se o céu é de quem crê,

eu acredito em você:

– Bom dia, Amor!

Sei que me chamam de tola,

sonhadora e inconsequente,

mas quem sabe da gente

é a gente,

não é, Amor?

Brinque comigo o destino

eu farei da dor um hino,

cada manhã repetindo:

– Bom dia, Amor!

(Myrtes Mathias)

Barrabás

Lucas 23:13-27

Em tempos em que tudo vira #somostodosalgumacoisa o título desse texto não poderia ser diferente.

O capítulo 23 de Lucas narra as últimas horas de Jesus e começa com o seu julgamento perante Pilatos. Os judeus haviam levado Jesus perante Pilatos, mas este não encontrando nele culpa, e na tentativa de evitar maior envolvimento no assunto, o enviou a Herodes que, por sua vez, fez pouco caso de Jesus e o enviou de volta a Pilatos.

Pilatos ficou entre a cruz e a espada, por um lado, ele sabia que as acusações apresentadas contra Jesus eram injustas e movidas por inveja, portanto, condená-lo seria compactuar com a injustiça. Por outro lado, os líderes judeus e a multidão estavam inflamados pelo ódio e inocentar Jesus poderia gerar algum tipo de rebelião. Diante disso, de forma perspicaz, Pilatos recorreu ao costume que ocorria durante a Páscoa, em que um prisioneiro era liberto como forma de favor político aos judeus. Assim, ele atenderia ao conselho de sua esposa, manteria sua consciência limpa não condenando um inocente, e não desgastaria as relações diplomáticas do Império com os judeus.

Nessa ocasião havia um prisioneiro de nome Barrabás condenado por crimes como perturbação da ordem pública, roubo e homicídio; um homem vil e de má fama.

De um lado um homem justo e inocente conhecido por suas boas obras, de outro um homem vil, conhecido por seus crimes bárbaros. A escolha era óbvia para Pilatos, mas não para a multidão. Cegos pelo ódio e movidos pelo seu próprio pecado e inimizade contra Deus, a multidão, que há pouco aclamava Jesus como seu Rei, escolheu Barrabás e clamou pela crucificação de Jesus: “Crucifica-o!” Jesus não apenas foi comparado a Barrabás, mas foi considerado pior que ele.

Confesso que por anos li essa passagem sem de fato compreendê-la. Minha reação era de indignação, eu estava sempre do lado das pessoas dignas, limpas e de boa índole presentes na multidão. Ao ler este texto sempre me vi como alguém melhor que Barrabás, alguém consciente da injustiça que Jesus sofreu e que olhava para Barrabás com um olhar de desprezo pensando: “como alguém como ele pode ter sido inocentado?” Até que um dia a pergunta se voltou para mim e me vi diante da seguinte questão: “como alguém como EU pode ter sido inocentada?”

Como não percebi antes?

O que aconteceu com Barrabás naquele momento foi exatamente o que aconteceu comigo. Há alguns anos, na ocasião da Páscoa, eu estava no corredor da morte pelos pecados que cometi, até que alguém disse: “liberte-a!” Eu não merecia, eu sabia que era culpada e merecia o castigo pela culpa, mas um inocente foi condenado para que eu fosse liberta e todos os pecados que me condenavam foram perdoados.

Barrabás já havia recebido sua sentença, de sua parte não havia nada que ele pudesse fazer para se salvar e certamente ninguém em sã consciência daria algo por ele. Mas Deus prova seu amor por nós pelo fato de Cristo ter morrido em nosso lugar quando ainda éramos Barrabás (Rm 5:8). Essa é uma grande verdade do evangelho, Cristo não veio para os sãos – os sãos não precisam de médico – mas para os doentes (Mt 9:12). Barrabás era um doente, seu estado era terminal, seus crimes não eram nada comparados ao estado da sua alma. A multidão e os líderes religiosos representavam todos aqueles que se achavam justos demais, melhores que Barrabás, era onde eu me encontrava antes de perceber que eu era como Barrabás.

Somente os necessitados de graça podem receber a salvação, pois o Reino dos céus é para aqueles que não o merecem, mas que, pela graça de Deus em Cristo Jesus, foram justificados e agora são convidados a fazer parte da mesa do Senhor.

Eu sempre tive em mente a ideia de um Barrabás se vangloriando por ter sido solto, mas, refletindo profundamente nesta passagem, creio que Barrabás – embora a Bíblia não relate isso – pode ter entendido melhor que muitos que se dizem cristãos, o que é graça e o real sentido da Páscoa. Ele sabia que ele era digno da sua sentença, mas ali naquele momento teve o privilégio de ver o propósito da missão de Jesus: salvar pecadores por meio de sua morte substitutiva.

É interessante notar que embora a multidão estivesse furiosa e sedenta intentando o mal contra Jesus, no plano eterno de Deus, ela estava cumprindo o Seu propósito eterno ao condenar a Cristo (cf. Is 53:10, Atos 2:23).

Para que Barrabás fosse livre Jesus foi condenado e porque Jesus foi condenado Barrabás foi liberto; ele, que já estava no corredor da morte, recebeu a chance de uma nova vida.

 A condenação de Jesus e a liberdade de Barrabás são um prenúncio da cruz, onde o inocente morre como culpado e o culpado é perdoado sem mérito algum.

“Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus” (I Pe 3:18)

Diante de Pilatos e da multidão, Deus mostrou ao mundo o que estava fazendo, Cristo veio libertar os cativos, Ele deu a vida pela nossa liberdade.

Barrabás representa cada um de nós, pecadores indignos. Se você sente que é como Barrabás, alguém digno de condenação e morte, mas reconhece que só pode ser liberto e perdoado através de um ato de graça, saiba que essa graça está disponível em Cristo Jesus. Cristo morreu para libertar você, Barrabás; Ele veio por mim e por você.

“Fiel é esta palavra e digna de toda a aceitação; que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais sou eu o principal” (I Tm 1:16) 

 Esse texto me faz pensar em como os propósitos de Deus são INFALÍVEIS. Na tentativa de humilhar Jesus, seus inimigos só testemunharam ainda mais que ele era, de fato, o Messias. Ao clamar a plenos pulmões: Solte Barrabás eles contribuíram com o propósito para o qual o Filho de Deus veio ao mundo: Libertar homens como Barrabás, eu e você. Diante de tão grande verdade, o que nos resta, nos humilhar diante da sublime graça e misericórdia de Deus? Nada me vem á mente, senão as benditas palavras de Charles Spurgeon:

“Nada trago em minhas mãos, somente à Tua cruz me agarro; Venho nu a Ti, para vestir-me; Indefeso, busco a graça em Ti! Sujo, eu corro até a Tua fonte; Lava-me, Salvador, ou morro!”

Essa é a nossa condição; sem a graça de Deus estamos nus, sujos. Ai de nós se não fosse à cruz do Senhor! Graças a Deus por Cristo Jesus que nos substituiu e nos salvou. A doce Páscoa a qual celebramos teve gosto amargo para o Senhor. Que nesses dias, possamos refletir nisso.

Apeguemo-nos à cruz, pois, somos todos Barrabás*.

 

* pecadores

Soli Deo Gloria.

No Amor de Cristo,

Prisca Lessa.

Poesia Cristã: Como Ninguém Me Conheces.

Poesia cantada de Eduardo Mano: músico cristão excepcional de letras profundas e melodias muito bem tocadas <3. Vale a pena conhecer as canções dele.

Tu que controlas os ventos e os mares
Contens o furor da pior tempestade
comandas o sol e o calor que fornece
Como ninguém me conheces

Sondas e vês pensamentos tão tolos
Palavras tão feias e desalinhadas
Tu que és a fonte de toda a beleza
Habitas em meio à pobreza

Meu coração não é digno de Ti
Mas aqui viestes morar
Só por graça algo assim pode ser
Alguém morto tornar a viver

Tu que concedes conforto ao aflito
Dás força ao cansado e alívio ao contrito
tu que me amaste e a vida me deste
Como ninguém me conheces

(Eduardo Mano)