202UM

Reflexões, vida cristã

Então, vimos o fechar de mais uma década e hoje iniciamos uma nova contagem, chegamos a 2021.

Sem nenhum tipo de supertição, confesso que gosto da data, gosto de saber que fechamos dez anos e começamos mais um ano “um”. Aliás, devo confessar também que gosto de contar os meus anos pelas décadas, é um bom exercício, se você parar para pensar, os eventos mais significativos de nossas vidas são marcados por décadas.

Os primeiros 10 anos de vida caracterizam nossa formação básica; a segunda década marca a passagem da infância para a vida adulta; a terceira década é a fase em que tomamos as principais decisões de nossas vidas, onde basicamente, definimos quem queremos ser. No final dela, geralmente, nossa senso de identidade já está formado, e assim prosseguimos, década após década.

Enfim, tudo isso é só para dizer que, independentemente de qual década de vida estejamos vivendo hoje, o Senhor que nos guiou até aqui continuará a nos guiar neste e nos próximos anos de nossas vidas. Que aprendamos a contar os nossos dias e anos para que alcancemos um coração sábio. Aliás, creio que esta seja, sem dúvidas, uma boa resolução de ano novo: um coração sábio. Que possamos buscá-lo, nEle, por Ele e para Ele.

Feliz Ano Novo, queridas irmãs, seguimos aqui, juntas, por mais Teologia nas Mulheres e mais Mulheres na Teologia. Um abraço fraterno.

Prisca Lessa.

Os chamados ordinários são necessários

Sem categoria

Em seu livro Simplesmente Crente, Michael Horton escreve: “É bem mais fácil me entregar a um projeto de servir os pobres do que dar mais atenção à minha esposa e meus filhos. Isso é corriqueiro. Não consigo ver o impacto da dúzia ou mais de pequenas conversas, correções, risadas e tarefas que acontecem em um dia – ou mesmo em uma semana.” Eu não poderia estar mais de acordo.

Frequentemente, ansiamos por chamados extraordinários, chamados que irão produzir um grande impacto no mundo; chamados cujos resultados serão visíveis, mensuráveis e nos trarão um senso de propósito e realização. Mas, a realidade é que, na maioria das vezes, nossos chamados são mais ordinários do que realmente gostaríamos que fossem, nossas realizações diárias quase imperceptíveis e nossas vidas anônimas para a maior parte das pessoas ao nosso redor.

Quantas vezes o anseio por algo maior produziu descontentamento, murmuração e ingratidão em nossos corações? Ansiamos pela grandeza, e nos deparamos com uma pia cheia de louças para lavar, ansiamos por um trabalho empolgante e desafiador, enquanto a realidade nos espreme dentro de um vagão de trem para mais um dia de trabalho fatídico. A vida ordinária com seus chamados opacos parece desprezível à luz de nossas aspirações por chamados extraordinários. Mas, embora não haja holofotes para a mãe que acorda vez após vez para amamentar o seu bebê, nem para o jovem que cochila no ônibus após uma aula exaustiva, a realidade é que são os chamados ordinários que dão ritmo à vida e fazem dela o que ela realmente é; no fim das contas, os chamados ordinários não são desprezíveis, mas necessários.

Lamentavelmente, nossa cultura viciada em grandeza, transformou o ordinário em algo indesejável, algo indigno de ser mencionado. Contudo, houve um homem na História, que mesmo tendo o mais extraordinário de todos os chamados, viveu de modo ordinário neste mundo, entre a poeira das ruas de Nazaré, suor e a serragem numa carpintaria. Ele não julgou que ser grande era algo ao qual deveria se apegar, ao invés disso, se esvaziou e viveu da forma mais ordinária possível, até a morte e morte de cruz.

Na vida de Cristo enxergamos um chamado (extra)ordinário, Ele sabia para que veio, sabia que sua vida seria marcada por momentos de tirar o fôlego e que entre esses grandes momentos ele viveria o ordinário: faria os deveres de casa, obedeceria aos seus pais, criaria e consertaria peças na carpintaria, ensinaria repetidamente um grupo de homens tardios em aprender e dependeria da provisão de Deus da forma mais ordinária possível – não pense que Jesus multiplicava pães e peixes a todo tempo (Jo 4.27-31, Mt 16.5-7).

Jesus sabia de seu chamado extraordinário, mas ele viveu de modo ordinário neste mundo. Ele foi um homem comum, você o veria no metrô, você o veria comprando água na fila do ônibus – enquanto também estaria oferecendo água viva para a vendedora ambulante, você o veria tomando vinho e se alegrando no casamento de um primo ou esperando o almoço ficar pronto na casa de amigos queridos, e em cada uma dessas circunstâncias ele estaria sendo plenamente Deus, plenamente extraordinário.

Se até mesmo o mais extraordinário de todos os chamados neste mundo foi construído sobre dias ordinários, dias de cansaço e rotina, por que insistimos em desvalorizar o ordinário?

Vivendo à luz de um chamado extraordinário

Nos capítulos 5 e 6 da Epístola aos Efésios, o apóstolo Paulo apresentou diversas orientações práticas aos cristãos da comunidade de Éfeso:

“As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor; porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido. Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama […] Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. […] E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor. Quanto a vós outros, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus; […] E vós, senhores, de igual modo procedei para com eles, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como vosso, está nos céus e que para com ele não há acepção de pessoas.” (Efésios 5.22-25, 28 – 6.1, 4-6, 9)

Em cada uma dessas orientações distintas ecoa um chamado em comum: o chamado à uma vida ordinária EM CRISTO. De fato, somente em Cristo nossos chamados ordinários podem ser vividos à luz de um propósito muito maior. O chamado à uma vida ordinária apresentado pelo apóstolo Paulo não é em nada inferior, sabemos disso porque em capítulos anteriores ele expressou o mais alto e sublime chamado que os cristãos receberam da parte de Deus: a eleição em Cristo, a adoção de filhos e dádiva de todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo Jesus. Que chamado pode ser mais extraordinário do que esse?

Não obstante, Paulo expressou como esse chamado extraordinário deveria ser vivido de forma ordinária pelos mais diversos grupos de pessoas presentes na comunidade de Éfeso: maridos, esposas, pais, filhos, servos e senhores. Imagino que depois de ouvirem tantas coisas gloriosas acerca da nova vida em Cristo havia uma enorme expectativa: “E agora, como devemos viver à luz desse chamado grandioso?”, “Quais coisas extraordinárias devemos fazer?”, “Como Paulo, será que devemos abandonar tudo e pregar o Evangelho ao redor do mundo?”, “Viver radicalmente à sombra da espada?”, “Abandonar nossas esposas, maridos e filhos?”, “Que chamado grandioso nos aguarda nas próximas linhas escritas pela pena de Paulo?”

Ao contrário do que se poderia esperar, Paulo não convocou os maridos a um chamado heroico, saírem de suas vidas ordinárias de trabalho e cuidado familiar para uma vida extraordinária, erradicando a pobreza ao redor do mundo; ele não chamou os filhos a viverem radicalmente à sua própria maneira desbravando o mundo, mas a obedecerem seus pais dia após dia. E quanto aos servos? O apóstolo Paulo é duramente criticado por não ter ordenado que eles se rebelassem contra o sistema da época, mas, que, ao invés disso, cumprissem suas tarefas comuns com maior empenho, como ao Senhor e não a homens. A verdade é que ao apresentar esses chamados à luz da obra de Cristo, Paulo elevou o ordinário, mostrando que aquilo que seria apenas comum e, talvez, inferior para muitos, deveria expressar uma realidade muito maior: a obra extraordinária de Cristo.

É à luz desse chamado extraordinário, e somente por meio dele, que a vida ordinária encontra sentido e propósito, é somente porque Cristo viveu ordinariamente como homem, sendo extraordinariamente Deus, que nossa vida sob o sol eclode em graça. Somente em Cristo nossas aspirações pelo extraordinário podem ser saciadas, independentemente daquilo que fazemos, do quanto ganhamos e do quão reconhecidas somos por isso; o ordinário continua sendo ordinário, mas somos impulsionados a vivê-lo para glória de Cristo.

Servindo ordinariamente para um fim extraordinário

Mas, e quanto a parte de vivermos radicalmente por Cristo? E quanto à vida do próprio apóstolo Paulo, marcada por tantos feitos marcantes pela causa de Cristo? Estou certa de que Paulo compreendia o seu chamado e sabia de sua missão, e embora quisesse que todos fossem como ele (1Co 7.7), não impôs que cada homem e mulher cristão deixasse tudo para viver como ele viveu, antes, encorajou que os cristãos servissem ordinariamente para um extraordinário, os solteiros cuidando das coisas do Senhor, os casados das coisas de casados, os presbíteros cuidando das igrejas locais, as mulheres mais velhas servindo e aconselhando as mais novas, os jovens servindo aos seus irmãos com respeito e amor, todos com o fim de glorificar a Cristo.

Queridas, apesar da impopularidade destas palavras, não existe nada mais radical nesse mundo egoísta do que amar a Deus e ao próximo, não existe nada mais radical do que servir. Você aspira por uma vida extraordinária? Então, sirva. Se você puder obedecer a Cristo servindo ao seu próximo, você expressará genuinamente o chamado extraordinário de Deus em sua vida. Sei que isso pode parecer pequeno demais, mas se você já tentou, você sabe o quão difícil é servir. Não é um chamado fraco, é um chamado forte, forte demais para nós, por isso, em cada uma de suas orientações, Paulo aponta para Cristo, o alicerce de uma vida ordinária, servimos nele, por ele e a ele. Essa visão faz com que nossos chamados mais simples tenham valor, ir ao mercado fazer compras semanais ganha propósito se com isso estamos buscando o fim extraordinário de servir a Cristo acima de tudo; as noites insones de estudos para a faculdade, seguidas de uma jornada de trabalho intensa ganham propósito se apontam para a extraordinária glória de Deus na face de Cristo.

Desejamos fazer coisas grandes e tudo o que encontramos é uma pilha de roupas de crianças para lavar e brinquedos espalhados pela sala, de novo, refeições para preparar, de novo, relatórios para entregar, de novo, disciplinas e exames para realizar, de novo, mensalidades e boletos, de novo, de novo e de novo. Isso pode ser desanimador, mas, imagine Jesus, de novo e de novo, aquele que não precisava fazer nada DE NOVO o fez até o último dia de sua vida aqui nessa terra.

Sei que nossos dias não têm sido fáceis, em muitos deles desejamos uma vida totalmente diferente da que temos, uma vida mais… extraordinária, mas que esse anseio nos impulsione para Deus e não para nossas próprias aspirações. Sei também que a vida ordinária parece muito mais empolgante nas telas do que realmente é fora delas, talvez, por isso, as redes sociais nos cativem tanto, elas são uma forma de tornar as coisas ordinárias um pouco mais interessantes; o momento ordinário do café se torna mais cativante visto a partir de uma tela, o relacionamento com os filhos mais empolgante diante de curtidas e reações, mas reações viciam e a vida requer ação mesmo quando não há interações. Por isso, precisamos encontrar em Deus a verdadeira motivação para viver o ordinário quando tudo se torna cansativo e desestimulante.

Exultantes em meio à monotonia

G.K. Chesterton escreveu que Deus exulta na monotonia, por isso Ele faz com que todos os dias o sol se levante e se ponha, Ele faz com que os movimentos da terra sejam repetitivos e as estações se repitam ano após ano; porque aquilo que é monótono aos nossos olhos é belo aos olhos de Deus, é um reflexo embaçado de sua própria constância e exultação. É, talvez seja isso que nos falte: exultação. A exultação não ocorre apenas quando saímos do ordinário, mas quando conseguimos enxergar um Deus extraordinário através das coisas ordinárias, quando cada refeição preparada nos lembra da bondade e criatividade de Deus, quando cada passeio com o cachorro nos lembra que apesar do pecado, ainda podemos nos relacionar amigavelmente com esses seres tão diferentes de nós; quando todo o cansaço da maternidade nos lembra que que o amor de Deus é ainda maior e mais sacrificial que o amor de uma mãe, e que podemos repousar em seus braços tal como nossos filhos repousam tranquilamente nos braços maternos. São momentos como esses, minhas irmãs, em que o extraordinário invade o ordinário, que podemos enxergar com mais clareza que chamados ordinários não são chamados menores, chamados ordinários são o caminho diário para o destino extraordinário que Deus tem para nós. Ocasionalmente, na caminhada Ele nos permite ter grandes vislumbres, ventos extraordinários para que ansiemos ainda mais pelo destino final, mas eles ainda não são a realidade final. Ainda não, mas, chegaremos lá, e até que esse dia venha, Deus nos chama a arrumarmos nossas camas DE NOVO com vistas no extraordinário.

No amor de Cristo,

Prisca Lessa

Esse texto originalmente publicado no blog Voltemos ao Evangelho

DIFERENÇAS ENTRE DEVOCIONAL, ESTUDO E LEITURA BÍBLICA

devocional

Chegamos ao quarto e último post da nossa série Devocional. Até aqui falamos sobre
– o que é devocional;
– por que fazer devocional;
– como fazer devocional.
Hoje falaremos um pouco sobre as diferenças entre devocional, estudo bíblico e leitura bíblica. Quanto ao devocional, creio que os princípios gerais tenham ficado bem claros, lembrando que os princípios não devem ser limitadores, mas norteadores.
Antes que de falar das diferenças entre devocional, estudo e leitura bíblica é importante entender sua finalidade, para que possamos obter melhor proveito usando cada um deles. Quando falamos de devocional, estudo bíblico e leitura bíblica, no fim das contas, estamos simplesmente falando de formas diferentes de nos relacionarmos com a Palavra, sendo que um não é, necessariamente, melhor que o outro, todos apontam para o mesmo fim: nos levar a conhecer quem Deus é, mas cada um traz uma abordagem diferente para este mesmo fim. Vale destacar que seja qual for a forma de leitura das Escrituras, a oração é sempre indispensável, pois não estamos lidando com qualquer livro, mas com a Palavra de Deus.

LEITURA DEVOCIONAL
Já que toda essa série se focou no devocional, não vou me estender neste tópico. A leitura nos ajuda a refletir diariamente sobre a Palavra de Deus, internalizando e aplicando-a em nosso dia a dia. Ela contribui para a nossa devoção diária a Deus, ela não é feita de maneira extensa, mas em pequenas porções e não demanda muitos recursos (leitura + meditação + aplicação).

LEITURA BÍBLICA
Ao me referir à leitura bíblica, tenho em mente a leitura da Bíblia em seu todo. – ou partes maiores (seções). Esse tipo de leitura é importante porque nos ajuda a ter uma perspectiva mais ampla do plano de Deus por toda a Bíblia, desde Criação, Queda, Redenção até a Consumação, também nos ajuda a ver a revelação de Cristo por toda a Escritura, isso molda a nossa mente e nos ajuda a ver a narrativa bíblica como um todo e não como partes isoladas.
Em resumo, a ideia da leitura bíblica é dar uma visão panorâmica das Escrituras. Diferentemente da leitura devocional, a leitura bíblica busca porções maiores das Escrituras, capítulos inteiros (geralmente mais de um), e também a leitura simultânea de livros que foram escritos dentro do mesmo contexto histórico. O ponto alto dessa leitura não é tanto a meditação, interpretação e aplicação das partes, mas a visão do todo; apontamos fatos e informações que se destacam e se repetem em outras partes da Bíblia e fazemos conexões, olhando não somente para o livro mas para o seu lugar na história bíblica. Por meio de uma boa leitura bíblica podemos separar materiais para estudos posteriores.
Embora a ideia da leitura bíblica seja proporcionar uma compreensão mais ampla, isso não significa que ela deva ser superficial e desatenta, pelo contrário, é preciso foco e compromisso da mente e do coração, separar um tempo para isso e ter disciplina. Um cronograma de leitura é sempre uma ferramenta útil, embora possa ser adaptado de acordo com o seu ritmo de leitura, é importante manter a constância na leitura. Lembrando que o objetivo da leitura bíblica não é cumprir um cronograma – o que muitas vezes nós leva a uma leitura irrefletida pela pressa de cumpri-lo – mas conhecer mais a Palavra de Deus.
Assim como na leitura devocional, a repetição é importante, por vezes, alguns textos que não estamos acostumadas a ler podem ser mais difíceis de compreender, em casos assim não desanime, leia mais de uma vez, ore a Deus, e se ainda assim não conseguir compreender, destaque e anote a passagem, para consultar depois, e prossiga. Por vezes, pode parecer que não há muita compreensão, mas estamos assimilando, por isso é importante perseverar na leitura, a medida que avançamos as informações captadas vão se tornando mais claras.
Concluindo, o objetivo da leitura bíblica é prover um panorama geral das Escrituras (leitura + visão geral do livro + percepção + narrativa bíblica).

ESTUDO BÍBLICO
“Cave mais fundo”, esse é o imperativo do estudo bíblico. A visão não é apenas ter um panorama do livro, ou meditar e aplicar pequenas porções das Escrituras, mas conhecer a fundo o livro, seja em seu aspecto mais geral (autoria, data, público alvo, propósito, contexto histórico, entre outros) e particular, buscando o significado e o sentido das palavras por meio de um método de estudo (existem vários, no IGTV ensinei o Estudo Indutivo da Bíblia). Ao estudarmos a Bíblia aprofundamos o nosso conhecimento da Palavra, aguçamos nossa compreensão e capacidade e observar o texto e extrair dele verdades profundas.
Por que estudamos a Bíblia? Primeiramente porque ela é a Palavra de Deus, o meio especial pelo qual Deus escolheu se revelar – se Deus escolheu a tal meio, devemos nos debruçar sobre ele. Em segundo, estudamos a Bíblia porque embora ela tenha sido dada ao povo de Deus de todas as épocas, ela foi originalmente escrita e destinada a pessoas específicas. Sendo assim, há alguns abismos para nós que estamos aqui num país de língua portuguesa, no ano de 2020, numa cultura pós-moderna, graças a Deus, por meio da ação direta do Espírito Santo em nós e através do trabalho de muitos estudiosos das Escrituras, hoje, muitos desses abismos podem ser ultrapassados por meio de recursos que temos à nossa disposição: dicionários, comentários, léxicos, princípios da hermenêutica bíblica, livros com temas específicos e etc , cada uma dessas ferramentas nos auxilia a obter melhor compreensão do texto.
O Estudo Bíblico geralmente é feito com base em um livro que deverá ser lido em seu todo, observando, anotando, fazendo questões ao texto e buscando o real significado do texto para o público original antes de aplicá-lo a nós. Também é possível fazer um estudo bíblico por temas, por exemplo, um estudo sobre a doutrina de justificação, ou um estudo sobre a relação entre fé e obras, ou sobre como a Bíblia trata o tema ansiedade; para cada um desses casos, será necessário separar e estudar passagens que abordem esses temas específicos e estudar cada uma delas a fundo.

Há muitas maneiras de estudar a Bíblia, encontre a forma mais proveitosa para você. Você não precisa ser uma expert, nem precisa fazer exatamente como essa ou aquela pessoa, mas deve entender o que está fazendo e o por quê (leitura + contextualização + observação + interpretação + aplicação).

Bem, como podem perceber, o estudo bíblico não é algo que se faz em 15 minutos, demanda mais tempo e trabalho do que uma leitura devocional ou uma leitura bíblica. Como no caso do devocional, em que precisamos compreender o princípio antes de irmos à prática, assim também ocorre no estudo bíblico, como eu disse, existem diversas maneiras de estudar a Bíblia, mas uma das características principais do estudo é que ele requer um método, mera leitura não é estudo, ler vários capítulos por si só não é estudo, o simples fato de ler usando um comentário bíblico também não é estudo, e apenas pesquisar as palavras no original também não é um estudo, mas todas essas partes compõem um estudo, por isso, é preciso ter pelo menos um princípio norteador para que haja um bom aproveitamento.

E qual é a diferença entre devocional, estudo e leitura bíblica? Como já vimos o devocional não se resume à leitura bíblica, trata-se do exercício de várias disciplinas espirituais (falamos sobre isso no segundo post da série), a leitura devocional tem como objetivo internalizar as verdades espirituais em nosso coração diariamente; a leitura bíblica busca nos dar um panorama de toda a Bíblia nos auxiliando a perceber sua unidade de pensamento e a grande história por trás de cada evento; o estudo da Palavra visa trazer aprofundamento nas Escrituras, transpondo alguns abismos e nos aproximando ainda mais do texto a fim de extrairmos as verdades profundas ali contidas e aplicá-las às nossas vidas. Cada uma dessas formas quando bem utilizadas, nos propiciam um relacionamento genuíno com a Palavra, nenhuma delas é possível sem o auxílio do Espírito Santo e o exercício da oração, todas requerem tempo e disposição do coração.

Concluindo, recentemente recebi a seguinte pergunta: Posso fazer o estudo bíblico em meu momento devocional? Nada impede que você use o momento devocional para fazer um estudo aprofundado da Palavra, a questão a ser avaliada é se você possui tempo hábil para isso em seu momento devocional – que geralmente é mais curto que um estudo bíblico. Porém, é importante que nesse processo você não negligencie a oração e outras disciplinas. Mero estudo da Palavra pode nos tornar espiritualmente áridos, cheios de conhecimento profundo, mas vazios em nossa devoção. Sim, o estudo da Palavra nos ajuda a aprofundar o conhecimento da Palavra, mas não mero conhecimento intelectual, mas conhecimento que produza transformação, um conhecimento que glorifique a Deus.
Uma vida de disciplina devocional não nos torna aceitáveis perante Deus, não nos torna melhores que os outros, nas, certamente, nos torna melhores que nós mesmos, nos moldando e confrontando diariamente. Não é algo para pessoas super espirituais, é algo para todo o cristão, todo aquele deseja achegar-se a Deus. De todo coração, espero que essa pequena série tenha te encorajado nessa busca. Amanhã concluirei a série com um vídeo muito especial com a querida Vanessa Belmonte que tem trazido ensinamentos muito preciosos sobre o tema. Não percam!

COMO FAZER DEVOCIONAL?

devocional

Até aqui vimos o que é devocional e por que é importante fazê-lo. Hoje daremos um passo em direção à prática: como fazer devocional. Creio que a maior dificuldade em relação a como fazer devocional se dá porque há dúvidas sobre os elementos que o compõem: como deve ser feita a leitura devocional, o tempo dedicado a ele, os recursos, entre outros aspectos dos quais trataremos a seguir.

Como compartilhei no primeiro post desta série, devocional é algo que se aprende com a prática. Eu aprendi em casa com meus pais e no seminário, pois essa era uma disciplina obrigatória. Todos os dias 07h00, com ou sem sono, nos dirigíamos à capela para esse momento de leitura, oração, compartilhamento e intercessão, depois íamos para o café e as demais atividades do dia. Isso me ajudou a fortalecer o hábito, me ajudou a criar mais disciplina e a orar mais — mas, não vou mentir, havia dias em que eu simplesmente dormia no momento da oração 🙈.

Como eu disse, o devocional é um pequeno culto particular a Deus, o que significa que, sim, ele possui alguma liturgia, existem elementos que o compõem e que não devem ser dispensados. Para facilitar a compreensão dividi da seguinte forma: preparação, oração, leitura, meditação, aplicação e agradecimento, veremos cada um deles, mas, antes, o que é necessário para o momento devocional? Pouca coisa, uma Bíblia, um caderno, uma caneta e um tempo do seu dia.

PREPARAÇÃO
Coloquei a preparação apenas para explicar um princípio. A preparação está relacionada à mente e ao coração, quando vamos prestar um culto a Deus, seja ele individual ou coletivo, precisamos nos livrar das distrações e nos concentrar naquilo que faremos. Então, concentre-se, evite pensamentos que te distraiam, evite estar dispersa ou preocupada com outras coisas — é muito comum nesse momento se lembrar de coisas que precisam ser feitas ou até mesmo se deparar com memórias que não te edificam, por isso mantenha o foco, leve seus pensamentos a Deus e esteja não somente com o corpo, mas com a mente disponível.

É importante também definir o livro da Bíblia que será lido, ao invés de ler trechos de diferentes livros aleatoriamente, procure ler um único livro, do início ao fim diariamente em pequenas porções. Não se preocupe em ler muito, ler em pequenas porções diárias é extremamente proveitoso.
ORAÇÃO
O momento de oração é muito importante. A oração não deve ser algo secundário na vida do cristão, ela é essencial; por meio dela falamos com Deus, rendemos graças, confessamos nossos pecados, apresentamos as nossas necessidades e intercedemos uns pelos outros. A oração produz humildade, intimidade, fé e confiança no Senhor. Nós podemos orar em qualquer lugar e em qualquer momento, esse é um bom hábito a ser cultivado, porém, não devemos deixar de de lado a disciplina da oração em quietude e solitude.
De forma prática, falarei um pouco de como faço esse período de oração em .unhas devocionais, nem sempre faço dessa forma, mas, de modo geral, sigo esse caminho.
— Ação de graças
Inicio orando com ações de graças: agradeço a Deus por mais um dia, pela vida, pelas bênçãos concedidas, por quem Ele é — posso mencionar os seus atributos e louvá-lo, seja em palavras ou canções.
— Confissão
Então, prossigo com a confissão de pecados, esse é um bom momento para avaliar o coração e a conduta, como orou o salmista: “Quem há que possa discernir as suas próprias faltas? Absolve-me das que me são ocultas. Também da soberba guarda o teu servo; que ela não me domine. Então serei irrepreensível e ficarei livre de grande transgressão.”, peço perdão pelos pecados que cometi conscientemente e inconscientemente, e que o Espírito me ajude a vencer os pecados. “Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável.” (Sl 51:10)
— Petição
Apresento pedidos de oração, virtudes que anseio adquirir, áreas que desejo desenvolver, sonhos, projetos, necessidades imediatas ou não.

Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á. Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?” (Mt 7:7-11). O Senhor Jesus encorajou seus discípulos a pedirem. A petição é um exercício que fortalece nossa musculatura espiritual, é um ato de fé na Palavra de Deus, aumenta a nossa esperança, nos dá a oportunidade de experimentarmos a provisão de Deus por meio das nossas orações, nos leva a enxergar mais a Deus como Pai e provedor. Nos torna menos independentes de nós mesmos e mais dependentes de Deus, também fortalece a fé dos nossos irmãos, pois produz testemunho. Devemos pedir com fé na Palavra de Deus e com as motivações corretas (Tg 4:2-3).
— Intercessão
Por fim, intercedo. É muito fácil esquecer a intercessão, orar pelas minhas necessidades é muito mais fácil, mas a intercessão é uma manifestação de amor ao próximo, é amar ao próximo como a mim mesmo, pois quando deixo de orar em meu favor e oro em favor dele, estou amando-o como a mim mesmo.
“Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” (Tg 4:16)
A intercessão nos concede a oportunidade de carregar os fardos uns dos outros chorar com os que choram e nos alegrar com aqueles que se alegram. Ela também gera comunhão e intimidade, quando oramos por alguém nos sentimos mais próximos, nos sentimos parte da vida dessa pessoa. Há momentos em que não sabemos exatamente pelo que orar, por isso, é bom manter um caderno com pedidos de oração e ter em mente que sempre podemos orar como Paulo em Efésios 1:15-23, pedindo em favor do crescimento espiritual de nossos irmãos (nunca é demais).

É importante dizer que esse processo da oração não é algo estático, não existe uma ordem estrita, e nem todos dias faço assim, mas esse é um caminho que me ajuda muito. Após a oração, chegamos ao momento da leitura da Palavra — há quem inverta essa ordem, eu, particularmente, gosto de iniciar com a oração e depois partir para a leitura.

LEITURA DA PALAVRA
Ore pela leitura, pedindo a Deus que te conceda entendimento da Palavra. 
“Abre os meus olhos para que eu veja as maravilhas da tua lei.” (Sl 119:18)

O objetivo da leitura devocional não é ler muito, mas extrair lições espirituais e meditar acerca delas buscando aplicá-las no dia a dia. Por isso, é importante não ter pressa nem se preocupar com metas de leitura, esse não é o objetivo. Às vezes um único versículo pode nos prender por dias, à medida que vamos discernindo as coisas presentes ali. Não tenha pressa, tudo bem passar meses lendo o mesmo livro da Bíblia, é uma forma de internalizar as verdades ali contidas.

Leia o texto quantas vezes forem necessárias para melhorar a compreensão (sempre pedindo ao Autor da Palavra que ilumine sua mente e torne seu coração sensível à verdade). “Dá-me entendimento, para que eu guarde a tua lei e a ela obedeça de todo o coração.” (Sl 119:34)

Busque o significado geral do texto e o sentido das palavras no texto e vá anotando suas percepções no caderno, quanto mais você ler, mais poderá compreender, por isso, repetição e atenção são importantes.

As anotações podem ser feitas em um caderno simples, no caderno coloco a data, a passagem bíblica e minha reflexão pessoal. Se parecer complicado no início, não se preocupe é um exercício, com o tempo vai se tornando mais simples.

MEDITAÇÃO
Após ler e perceber o que o texto está dizendo é tempo de meditar. A meditação cristã não é um transe, trata-se de uma reflexão acerca das verdades espirituais; é avaliar o coração à luz das verdades apreendidas, deixando que tais verdades se internalizem em nós (guardar no coração).

Se o texto fala acerca do amor de Deus, tenho a oportunidade de refletir sobre como Deus me ama, sobre seu sacrifício, sobre como a graça se manifesta todos os dias.
É importante que não fiquemos somente na meditação, o principal objetivo do momento devocional é nos auxiliar em nosso viver diário, é sairmos dali para as batalhas da vida alimentadas e munidas com a Palavra, mas uma armadura só faz efeito quando colocada sobre o corpo, não é mesmo? Por isso, é indispensável a aplicação. Para fins didáticos, separei a meditação da aplicação para ficar mais clara a distinção entre elas, mas elas caminham lado a lado.

APLICAÇÃO
“Porquanto, se alguém é ouvinte da Palavra e não praticante, é semelhante a um homem que contempla o próprio rosto no espelho; porque se contempla a si mesmo e vai-se, e logo se esquece de como era.” (Tg 1:23-24)
Após meditar nas verdades espirituais apreendidas do texto, agora é o momento de aplicá-las. A aplicação nos ajuda a não deixarmos as verdades para trás no momento em que fechamos nossas Bíblias, mas a carregá-las em nosso coração ao longo do dia deixando que elas nos preencham.
1. Como a leitura e a meditação sobre o amor de Deus se aplicam à minha vida?
Posso analisar como eu constantemente me esqueço desse amor, me deixo amedrontar pelas circunstâncias ou deixo de responder fielmente ao amor de Deus e confessar isso diante Dele.
1. Como saber que Deus me ama me ajuda a ser mais paciente com meus familiares, colegas de trabalho?
2. Como saber que Deus me ama me ajuda a resistir a esse pecado com o qual estou lutando?
3. Como o amor de Deus se manifesta a mim nas pequenas coisas do dia a dia?
4. Eu tenho percebido e sido grata por essas manifestações de amor?
São algumas perguntas que nos ajudam a fazer a aplicação. Isso nada mais é do que aplicar o Evangelho em nossa jornada diária.

AGRADECIMENTO

Este é o encerramento do momento devocional, agradecemos a Deus pela Palavra e rogamos para que nos ajude a guardar e aplicá-la. Concluindo, essa divisão é apenas para trazer mais clareza e didática. Como eu disse, os princípios são importantes e precisam ser conhecidos, mas a aplicação deles pode ser ajustada. Com base nesses pontos fica fácil ter uma ideia mais clara de como fazer devocional; a forma pode mudar, mas os princípios básicos são esses. À primeira vista pode parecer algo muito sistemático, mas não é. Também pode parecer que o devocional exige muito tempo, mas na prática isso se torna muito natural e espontâneo. Mas, falando em tempo, não há como estabelecer um padrão, falando por mim, o meu tempo ideal é quando tenho pelo menos uma hora para isso. Claro que nem sempre isso é possível, e nesses dias eu me adapto, reajusto e está tudo bem. Desde que haja pelo menos uma rotina diária, o tempo é ajustável. A ideia não é criar um protocolo com um horário criterioso, é o nosso tempo com Deus, deve ser prazeroso e não mero formalismo, no é pra bater cartão. Escolha um período no qual você tenha um tempo maior disponível para não ter que fazer apressadamente. Se organize e ajuste.E não desanime, nem todos os dias serão ótimos, haverá dias de desânimo, cansaço, apatia, dias em que sentirá que não tem absolutamente nada para dar. Há dias em que ao ler a Bíblia, as palavras não farão muito sentido, mas não desanime, persista, use os recursos disponíveis, consulte notas e Bíblias comentadas, converse com amigos e compartilhe aquilo que Deus tem te ensinado. Por aqui, sempre que possível eu e meu marido compartilhamos um com outro nossas reflexões devocionais, outra forma que encontro de compartilhar isso é escrevendo textos aqui e no blog, aliás boa parte dos textos nascem justamente dos meus momentos devocionais. Deus fala conosco e é maravilhoso poder dividir isso

POR QUE FAZER DEVOCIONAL?

devocional

“Deus não se curvou à nossa pressa nervosa, nem adotou os métodos de nossa era imediatista. O homem que deseja conhecer a Deus precisa dedicar-lhe tempo.” (A. W. Tozer)

A famosa frase de A. W. Tozer é verdadeira “o homem que quiser conhecer a Deus precisa dedicar-lhe tempo”. Como é cada vez mais difícil em nossos dias dedicar tempo a algo que vá além do imediatismo e dos prazeres momentâneos, nos tornamos reféns das coisas que trazem satisfação imediata à nossa carne. O devocional é um exercício de mortificação diária, mortificação das nossas urgências, da nossa pressa, mortificação do nosso ego. O devocional é o momento que paramos de fazer tantas coisas e nos sentamos aos pés do Senhor, é quando subjugamos a nossa mente e a nossa carne e dizemos a nós mesmas que por mais que haja inúmeras coisas a serem feitas e deveres a serem cumpridos a melhor parte é e sempre será estar aos pés do Senhor, o lugar onde a nossa alma encontra descanso. Como Martas do nosso tempo andamos ocupadas com tantas coisas, nossas demandas são tantas que não nos resta tempo, nem disposição para sentar e ouvir, estamos sobrecarregadas e é justamente por isso que precisamos ir diariamente ao Senhor para que o nosso fardo seja aliviado.

Em Efésios 5:29 o apóstolo Paulo destaca um fato importante: “ninguém jamais odiou o próprio corpo, antes o alimenta e dele cuida”. Cuidamos do nosso corpo porque o amamos, esse amor nos leva o providenciar o que julgamos ser o melhor para ele, investimos em roupas que não somente o cobrem como o valorizam, em alimentos saborosos e nutritivos (ao menos deveríamos), investimos em cremes para cuidar da nossa pele e cabelos, em perfumes, cosméticos e afins, porque essas coisas trazem algum bem para o nosso corpo. A grande questão é, se estamos diariamente buscando o bem de nossos corpos, porque não buscamos com tamanho empenho o maior bem para as nossas almas? Veja, não quero fazer uma dicotomia entre corpo e espírito, como cristãos cuidamos do nosso corpo para a glória de Deus, mas o fato que quero destacar é o seguinte: 

Muitas e muitas vezes, gastamos tempo em nossos rituais de cuidados diários com a pele (por exemplo), fazemos isso religiosamente, ainda que estejamos com muito sono ou cansadas, fazemos isso porque sabemos que esse é um hábito benéfico para a nossa pele. Gastamos tempo com esses cuidados porque queremos uma pele mais saudável, porque estamos investindo em cuidados agora para que lá na frente tenhamos uma pele mais firme e bonita; porque sabemos que diariamente ela acumula impurezas que precisam ser removidas, porque queremos remover as células mortas que não lhe fazem bem. São diversas as causas, mas, a grande questão é: se nos importamos tanto com a nossa pele que daqui há alguns anos estará enrugada e será pó, não deveríamos nos importar muito mais com os cuidados para com a nossa alma que é eterna? Ela não requer cremes nem utensílios caros, requer apenas tempo e disposição, talvez, o tanto que investimos diante do espelho. 
Fazer devocional é importante porque é quando nos colocamos diariamente diante do espelho, o espelho da Palavra, para recebermos os cuidados Divinos para as nossas almas. A boa notícia é que, ao contrário de nossas peles, a alma do cristão se torna cada dia mais bela e vistosa,.a medida que recebe o tônico da Palavra de Deus, o bálsamo da oração, o esfoliante da confissão e o perfume da adoração. Dito isso, quero listar algumas razões práticas pelas quais devemos fazer devocional. 

PARA QUE TENHAMOS COMUNHÃO E INTIMIDADE COM DEUS 
Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo. (Ap 3:20). O momento devocional é um momento de comunhão e intimidade com o Senhor. Em Apocalipse Jesus diz que está à porta 
, o ato de entrar e cear denota intimidade, o Senhor anela por comunhão e intimidade com aqueles que são seus, e a promessa é de que se abrirmos, o Senhor entrará e ceará conosco. Será que ansiamos por essa comunhão e intimidade diária com o Senhor?

PARA QUE CONHEÇAMOS A DEUS
“(…) que vocês conheçam a esperança para a qual ele os chamou, as riquezas da gloriosa herança dele nos santos e a incomparável grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, conforme a atuação da sua poderosa força.” (Ef 1:18‭-‬19). O momento devocional é uma oportunidade diária para conhecermos mais a Deus por meio de sua Palavra, nossas almas anelam por isso, conhecer a Deus é o anseio de toda a as que pertence a Cristo, não podemos negar-lhe esse bem vital.
PARA QUE A PALAVRA HABITE EM NÓS
“Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração. E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.” (Cl 3:16-17). Quanto mais tempo dedicamos à comunhão com o Senhor, a leitura e meditação na Palavra mais a Palavra se torna parte de nós, enchendo o nosso coração daquilo que é digno e agradável ao Senhor.
PARA QUE TENHAMOS PRAZER NA PALAVRA DE DEUS
“Tenho prazer nos teus decretos; não me esqueço da tua palavra.” (Sl 119:16). Não há como ter prazer na Palavra se não meditamos nela, é impossível amar aquilo que não conhecemos. O momento devocional propicia leitura diária da Palavra, talvez o início não seja prazeroso, mas a medida que tornamos isso um hábito e um compromisso diário percebemos quão graciosa é a dádiva de meditar na Palavra de Deus todos os dias.
PARA FUGIRMOS DO PECADO E DA TENTAÇÃO
Guardei no coração a tua palavra para não pecar contra ti. (Sl 119:11). Alguém já disse que o tempo investido na presença de Deus forma em nós um disco rígido (HD) o qual podemos acessar em qualquer tempo, nos momentos de lutas, provações, desânimo e também nos momentos de tentação. Mas se não alimentamos o nosso HD, não haverá informações armazenadas, diante do pecado e da tentação, não teremos recursos suficientes para combater os enganos de Satanás. Se tem caído continuamente no mesmo pecado, experimente uma vida de disciplina devocional, estou certa de que os frutos virão.

PARA CONFESSARMOS NOSSOS PECADOS
“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1 Jô 1:9). O momento devocional nos proporciona diariamente a oportunidade de avaliarmos nosso coração e confessar a Deus nossas culpas e pecados. A confissão é parte importante da vida cristã, uma vez que  nenhuma condenação há para os que estão em Cristo podemos e devemos nos achegar a Deus com confiança confessando os nossos pecados e pedindo forças para resistirmos às tentações.
PARA INTERCEDERMOS
“Orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo (Tg 5.16). A intercessão é uma disciplina difícil de ser praticada, nossos olhos estão sempre tão voltados para nós mesmos, mas no momento devocional temos a oportunidade de tirar os olhos de nossas necessidades por um momento e colocar as necessidades dos outros em primeiro lugar intercedendo em favor delas.
PARA RENDERMOS GRAÇAS A DEUS
“Entrai pelas suas portas com ação de graças, e em seus átrios com louvor; dai-lhe graças e bendizei o seu nome. Porque o Senhor é bom; a sua benignidade dura para sempre, e a sua fidelidade de geração em geração. ” (Sl 100:4-5). O momento devocional também nos proporciona uma oportunidade diária de gratidão a Deus, pedimos tanto, mas raras vezes agradecemos a Deus pelo que tem feito em nós e por nós, mas como é bom render graças ao Senhor, enche o nosso coração, tiramos os olhos das dificuldades, contemplamos a sua majestade e a nossa alma se enche!

O QUE É DEVOCIONAL?

devocional

Antes de caminharmos para a parte prática de como fazer devocional precisamos entender o que é devocional e no que ele consiste. De forma bem simples, o devocional é um exercício espiritual particular e diário onde aplicamos disciplinas espirituais como a solitude, a oração, a adoração, a confissão, a leitura da Palavra e a meditação. Gosto de encará-lo como nosso pequeno culto particular a Deus. A partir dessa breve definição quero destacar quatro aspectos importantes do devocional:

UM EXERCÍCIO

“Exercita-te a ti mesmo na piedade. Pois o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, visto que tem a promessa da vida presente e da que há de vir.” (1 Tm 4:7-8)

Paulo exorta Timóteo a exercitar-se na piedade. É bem interessante o paralelo que Paulo faz entre o exercício espiritual e o exercício físico, o exercício físico é algo louvável e desejável, e bem sabemos que ele traz benefícios imensos ao corpo, mas, Paulo destaca que para o cristão o exercício espiritual deve ser ainda mais desejável. Não que devamos ser negligentes com o corpo, mas devemos encarar o nosso desenvolvimento espiritual como algo necessário, proveitoso e intencional. Assim como o corpo precisa de exercícios para se fortalecer, assim também o espírito. O devocional, como um momento no qual exercitamos algumas disciplinas espirituais é benéfico para a nossa saúde espiritual e promove fortalecimento de nossos músculos espiritual e seus benefícios se tornam visíveis a curto, médio e longo prazo. Portanto devemos encarar essa prática como um exercício que nos auxiliará no desenvolvimento das tão negligenciadas virtudes cristãs.  

UMA DISCIPLINA

Nossas vidas estão cada dia mais aceleradas, há tarefas a serem feitas, demandas a serem atendidas e em meio a tudo isso, lidamos com distrações o tempo todo. Se não houver um momento específico para exercitarmos disciplinas espirituais como a oração, a leitura da Palavra e a meditação, corremos o risco de nos tornarmos negligentes e acomodados. Assim, o devocional é o tempo diário para que possamos exercer nossas disciplinas espirituais com foco.

(Obviamente, não oramos só nesse momento, nem meditamos na Palavra só nesse momento, contudo, é nesse momento que paramos para nos alimentar e abastecer nossas forças espirituais diariamente. É nesse momento que paramos para ouvir o Senhor intencionalmente, meditar na sua Palavra, avaliar nossos corações e confessar os nossos pecados. Muitas vezes, o barulho do dia a dia não nos permite atender à essas necessidades mais profundas. 


ALGO DIÁRIO
Há pessoas que amam rotinas, outras odeiam, mas, quer gostemos, ou não, nossas vidas são feitas de pequenas rotinas diárias; acordar, arrumar a cama, escovar os dentes, tomar banho, cozinhar, alimentar-se; diariamente repetimos os mesmos rituais, quase inconscientemente. 
Algumas das principais rotinas do nosso dia estão diretamente relacionadas ao cuidado com o nosso corpo: escovamos os dentes, penteamos os cabelos, tomamos banho, comemos, porque nosso corpo e nosso bem estar físico são importantes, por mais rotineiro que seja e por mais que venhamos a ter preguiça repetimos essas coisas diariamente porque são necessárias — e nos fazem bem. 
Mas, quando falamos de devocional, geralmente, não o encaramos como parte de uma rotina diária. Em muitos casos, fazemos devocional quando dá, quando queremos e não como parte de nossos afazeres diários. Mas, imagine se fosse assim com as demais coisas, se só cumpríssemos nossas pequenas rotinas diárias quando desse ou quando tivéssemos vontade, obviamente, elas não seriam rotinas e não seriam diárias pois dependeriam da nossa vontade e disposição, além disso, a curto e médio prazo os efeitos dessa negligência — sujeira, mau cheiro, tarefas acumuladas — logo seriam notáveis. O mesmo ocorre quando negligenciamos nossos momentos devocionais, isso nos afeta intimamente, acumulamos coisas dentro de nós, temos cada vez menos tempo e vontade de estar a sós com o Senhor, temos cada vez menos palavras para orar, paciência para meditar, concentração para ler. Nós tornamos dispersas e ansiosas.

Na caixinha de perguntas sobre devocional que fiz, muitas das dificuldades apresentadas por vocês falta de atenção, dispersão. Muito disso ocorre por causa do hábito do uso dos celulares, no celular não conseguimos manter o foco, nossos olhos correm ávidos de um lugar para o outro atrás de novidades. Mas, quando vamos à Bíblia, não temos atualizações a cada segundo, não há barulho, e não estamos mais acostumados a lidar com isso. Por isso é necessário esforço extra, minhas irmãs, para que possamos levar nosso pensamento a Cristo, fugindo de todas as distrações. 
“Mas, e se eu não puder fazer devocional diariamente?” — alguém pode perguntar. Minhas irmãs, honestamente, eu creio que com planejamento e disciplina, sim, é possível fazer isso diariamente. Obviamente que há dias que dispomos de mais tempo e outros de menos tempo, mas, podemos ajustar nossas rotinas de forma que tenhamos pelo menos um tempinho para ao menos, nos “alongarmos espiritualmente”. Estabeleça uma rotina que funcione para você, o início é sempre mais difícil, mas, a medida que o hábito se forma a coisa se torna mais fácil. Não deixe de fazer porque não dispõe do tempo ideal, faça segundo as suas forças e com o que tiver à mãos.  
“E se eu não for constante? E se falhar?” bem, faz parte, não é mesmo? Afinal, somos humanos, Deus sabe que somos pó, há dias que não conseguimos, a rotina desanda, o tempo escapa pelos dedos, o cansaço bate, a doença chega ou, simplesmente não sentimos ânimo para buscar ao Senhor, nesses dias Deus não será menos amável, misericordioso ou favorável a nós. Não se trata de performance para obter mais amor e aprovação, precisamos encarar nossas falhas em buscar a Deus tais como o que são, parte da nossa fraca humanidade, nos arrepender e seguir em frente sustentadas, sempre, pela graça de Deus. Lembre-se sempre, não se trata de uma busca por aprovação divina, trata-se de uma resposta do nosso coração à graça e a bondade de Deus. Desandou? Retorne, Deus não é um gerente de produção, Ele é nosso Pai.

ALGO PARTICULAR
O devocional é essencialmente uma disciplina particular, requer recolhimento, solitude e quietude. Essa condição diz respeito também ao celular, o excesso de barulho, informações, notificações, a “presença” constante de pessoas nos distrai, por isso recolher-se para o devocional é importante, nos ajuda na concentração e também na contrição, nos concede liberdade necessário para falar, adorar audivelmente, confessar nossos pecados, sussurrar ou chorar. Em muitas narrativas dos Evangelhos vemos o Senhor Jesus se retirando do meio da multidão e dos seus discípulos para estar a sós com o Pai. Isso é desejável, contudo, essa nem sempre é a realidade de muitas, se você é mãe, se você vive numa casa pequena com muitas pessoas, se você acorda muito cedo para trabalhar e volta muito tarde, certamente, sua realidade não lhe permite ter facilmente momentos e espaços de quietude e solitude. Por isso, é importante dizer que isso não deve te impedir de buscar ao Senhor, talvez você não possa se sentar para uma longa refeição, mas você pode se alimentar de pequenas porções, uma mensagem devocional em áudio, orações silenciosas no caminho do trabalho, no momento de descanso, enquanto faz o bebê dormir, enfim, há lugar para você, encontre-o, só não deixe que as demandas urgentes e diárias te impeçam de ir aos pés do Senhor. 
Por vezes, o cansaço é tão grande que faltam palavras, nessas horas, é preciso lembrar das palavras do salmista: antes mesmo que a palavra lhe chegue aos lábios, Senhor, tu já a conheces toda (Sl 139:4), que consolo, minhas irmãs. Encontre lugar de conforto na presença de Deus. Na vida, há dias ou momentos em que podemos sentar e banquetear com calma, outros em que só temos tempo de fazer um lanche rápido, ir comendo pão de queijo frio pelo caminho, faz parte da vida, mas, o mais importante é não deixar de alimentar e nutrir o corpo com o que temos à disposição. Na mesa do Senhor sempre há fartura de pão e o Senhor nos convida diariamente a sentarmos e cearmos com Ele (vinde a mim!). Não temos motivos para passar fome.

Em minha breve definição de devocional, destaquei-o como um momento particular, mas, vale ressaltar que existem momentos de devoção que podem e devem ser compartilhados com nossos familiares, amigos,  cônjuge ou namorado, momentos nos quais oramos e lemos a Bíblia juntos, eles são frutíferos e necessários à comunhão e não devem incluídos na nossa vida. O fato é que esses momentos devem ser agregados e não substitutos de nossa disciplina particular com Deus. 
Outro aspecto que gostaria de ressaltar é que  eu disse que o devocional um momento de culto diário e particular a Deus, digo isso não porque os demais momentos do nosso dia não sejam também um culto a Deus — toda a nossa vida é um culto ao Senhor — mas porque eu acredito que haja uma forma de liturgia quando realizamos nosso devocional, e por isso me refiro a ele como um pequeno culto. 
Concluindo, podemos dizer que o devocional é o momento diário o qual separamos para oração, leitura bíblica e meditação na Palavra, um momento de quietude e comunhão íntima com o Senhor. A seguir, caminharemos por solos mais práticos: como fazer. Não deixem de acompanhar, e se te edificou, compartilhe!

#SÉRIE DEVOCIONAL

devocional

Nós próximos dias quero compartilhar um tema sobre o qual sempre recebo perguntas. Aliás, nas últimas duas caixinhas de perguntas que fiz no stories, muitas das perguntas foram sobre isso: DEVOCIONAL. 

Sempre ouvimos falar sobre o assunto e, certamente, há muito conteúdo internet afora sobre o assunto, porém, nunca escrevi precisamente sobre ele por aqui. Diante de tantas dúvidas, resolvi falar um pouco mais sobre essa prática simples, mas que para alguns ainda parece muito complicada. Acho que uma das causas disso é o fato de que hoje dificilmente as pessoas se dispõem a ensinar como fazer as coisas metodicamente, pois temem soar impositivas, antiquadas ou “religiosas”.

Na era do relativismo evitamos ser aqueles que apresentam certas regras ou padrões, “faça do seu jeito” soa melhor do que “faça desse jeito”, mas, o problema é: como você ensina alguém a fazer “do seu jeito” se não há uma base sobre e o qual ela pode se apoiar? Princípios são necessários ao ensino, eles podem ser aplicados e adequados de acordo com nossa realidade, mas não devem ser nunca desprezados.

Sendo assim, minha intenção é trazer alguns princípios devocionais gerais e depois compartilhar como eu os aplico na minha realidade e te encorajar a investir tempo e dedicação a essa prática tão necessária à nossa saúde espiritual.

Existem diversos fatores que atrapalham a nossa prática devocional, algumas delas são: falta de disciplina, falta de planejamento, distração, “falta de tempo” — entre aspas porque se somarmos o tempo dedicado às redes sociais e outros entretenimentos veremos que não nos falta tempo –, preguiça, cansaço, dificuldade na leitura, dificuldade na compreensão do texto, desinteresse, frieza espiritual, negligência, orgulho, falta de zelo, falta de amor a Deus e falta de comunhão com Deus. Perceba que parti de razões mais práticas e externas para razões mais profundas e do coração.

Mas, para além desses aspectos, há muitas irmãs que, de fato, encontram dificuldades porque não sabem o que e como fazer seus momentos devocionais porque parece algo complexo demais, quando não é! Minha intenção aqui é caminhar com vocês por esse caminho nem sempre tão atrativo diante de tantas distrações, mas totalmente vital à nossa saúde espiritual. Então, quero tratar de quatro aspectos importantes sobre o devocional:
– O que é?
– Como fazer?
– Por que fazer?
– Há diferença entre devocional, estudo e leitura bíblica?
Nos próximos dias vamos falar mais e melhor sobre cada um desses aspectos.

CASAMENTO, SUBMISSÃO E A IMITAÇÃO DE CRISTO

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“Sede, pois, imitadores de Cristo, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave.” (Efésios 5:1-2)


Esses dois pequenos versículos são o coração de Efésios 5, eles fornecem uma base teológica sólida o bastante para sustentar as famosas palavras dos versos 22 a 33. Note que a expressão “como” se repete três vezes nestes primeiros versículos, enfatizando a ideia central do texto que é a imitação da pessoa de Cristo; ser como Cristo é a base de todo este capítulo, o alicerce seguro que o apóstolo Paulo usa para falar acerca de como os cristãos devem imitar a Cristo na prática, sendo maridos, esposas, pais, filhos, servos e senhores.
Portanto, se os primeiros versos de Efésios 5 nos ordenam a ser imitadores de Cristo, os versos seguintes, nos orientam COMO ser imitadores dEle nos mais diversos contextos da vida. A Teologia contida no capítulo 5 de Efésios nos aponta para a imitação de Cristo, e, a menos que compreendamos o real sentido disso, toda a sua aplicação se tornará vazia de sentido.


A verdade é que somente por causa de Cristo e por meio dEle pecadores podem servir uns aos outros sendo casados, solteiros, empregados, chefes, pais ou filhos. Quando removemos Cristo da equação, nem a melhor das intenções é capaz de sustentar uma atitude de genuína entrega, sacrifício e submissão. Sem Cristo não há alicerce seguro para isso. Por isso, Paulo começa pelo fundamento, e não pela aplicação. Ele não inicia a Epístola ao Efésios falando distintamente à homens e à mulheres, pais e filhos, servos ou senhores, mas a cristãos, de modo geral. Ele não inicia falando sobre liderança ou submissão no lar, paternidade ou trabalho, porque o ponto de partida não é aquilo que NÓS devemos fazer para Deus, mas daquilo que Cristo fez por nós. Em Cristo Jesus Deus nos tornou filhos amados, esse é o motivo pelo qual devemos imitar a Cristo, e não seguir nossos próprios anseios ou qualquer pensamento alheio à obra de Cristo.


Ser imitadores de Cristo é um mandamento para todos os que são filhos de Deus. Como filhos amados somos chamados a andar em amor como Cristo amou e a nos entregar como sacrifícios a Deus. Isso vale para todo cristão. A Bíblia não diz que uns devem se entregar mais e outros menos, ela não diz que os solteiros devem se entregar mais ou menos, ou que os pais devem se entregar mais, todos devem se entregar, pois, todos foram adotados por Deus e se tornaram filhos amados.
Mas, que tipo de amor é esse que Cristo manifestou e o qual devemos imitar? O versículo 2 responde: um amor que se entrega como oferta e sacrifício agradável a Deus. ENTREGA, OFERTA, SACRIFICIO AGRADÁVEL A DEUS, esses termos se aplicam a cada filho de Deus. Paulo mencionou algo semelhante em Romanos 12:1, e usou a expressão “culto racional”: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” O culto racional é a consagração de todo nosso ser a Deus, a compreensão de que não pertencemos, nem vivemos para nós mesmos, que Deus nos chamou para um propósito maior do que nossa própria felicidade e realização; viver à luz desse propósito é um culto a Deus. O chamado de Deus a todos os cristãos é para que vivam uma vida de entrega, sacrifício e oferta a Deus a fim de agradá-lo, fazendo isso, estarão prestando um culto a Deus.


A submissão, a liderança, a paternidade, o serviço, tudo isso só é possível à luz da doutrina da salvação. Quanto mais compreendemos aquilo que Cristo fez por nós, mais faz sentido viver para Ele integralmente, imitando-o nas mais diversas esferas da vida. Portanto, doutrina sólida e submissão bíblica não são autoexcluedentes, não devem ser separadas, pois, são as duas faces da mesma moeda, você precisa da primeira para cumprir a segunda. A grande ironia das Escrituras, se posso assim dizer, é que o maior exemplo que a Bíblia nos dá para cumprirmos aquilo que chamamos de feminilidade bíblica é o próprio Cristo! Sim! É exatamente o que o apóstolo Paulo aponta ao longo do capítulo 5, antes de falar às mulheres sobre a submissão no matrimônio ele aponta para Cristo e ao falar sobre a submissão ele também aponta para Cristo, como exemplo e fundamento para tal. Mas, veja, o mesmo Cristo que as mulheres devem imitar para serem boas mulheres e esposas é o mesmo Cristo que os maridos devem imitar para serem bons esposos, e que os filhos devem imitar para serem bom filhos, que os servos devem imitar para serem bons servos e os senhores devem imitar agora serem bons senhores. Sabe por que? Porque Cristo é tudo em todos (Cl 3:11). Cristo é o padrão supremo de tudo e de todos, se buscamos exemplos ou padrões fora de Cristo, certamente perderemos o cerne da nossa própria identidade (Rm 11:36).

Além disso, quando perdemos a Cristo de vista, quando deixamos de imitá-lo tudo se torna pesado e sem sentido. Lamentavelmente, é o que vemos, mulheres que só enxergam os fardos, os fardos da feminilidade, os fardos da domesticidade, os fardos da maternidade, os fardos dos relacionamentos, os fardos do serviço. De fato, o fardo se torna pesado quando ele deixa de ser o fardo de Cristo. O fardo de Cristo é leve, minhas irmãs, o grande problema, é que ao invés de buscarmos imitá-lo, temos estado ocupadas demais acrescentando opiniões e mais opiniões secundárias. Ah, se nossas Bíblias ficassem tão abertas quanto nossas redes sociais. Ah, se olhássemos para Cristo tanto quanto olhamos os perfis que idealizamos, se desejássemos ser como Ele tanto quanto desejamos ser como aqueles a quem seguimos.

Quando volto os meus olhos para Bíblia, o meu fardo se torna mais leve, porque percebo que Deus não me ordena a ser e fazer tudo. Nós não precisamos ser e fazer tudo, nem ser uma cópia daquilo que vemos nas redes sociais, precisamos tão somente cumprir aquilo que Deus pede de nós, isso deveria bastar. O mundo nos assedia, exigindo que façamos tudo, nos sentimos sobrecarregadas e esgotadas, nada é bom o bastante. Reclamamos, murmuramos, culpamos a Bíblia, “o fardo da mulher é pesado demais”, dizem, “são muitas cobranças, muita exigências”. Mas, eu me pergunto: quem impôs esse fardo sobre a mulher? Certamente, não foi o Senhor, seu fardo é leve. A verdade é que nós mulheres temos nos sobrecarregado com pensamentos seculares e culpado a Bíblia pelo peso que carregamos.

Quando murmuramos, minhas irmãs, agimos como o servo da parábola dos talentos: “Deus está exigindo de mim mais do que Ele me concedeu”, “Deus é injusto comigo”. Temos abraçado padrões que que logo se tornam fardos e abrem caminho para a murmuração, no fim, culpamos Deus. Precisamos parar de colocar pesos sobre os nossos ombros. Precisamos largar os fardos pesados e correr para as Escrituras. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”, diz o Senhor. Ser mulher tem sido pesado demais para você? Será que o fardo que você está carregando é o de Cristo ou é o fardo das tuas próprias expectativas frustradas? Vá até Cristo e deixe que Ele tome de seus ombros esse pesado fardo. Pare de imitar tudo e todos ao seu redor, imite-o, essa é a coisa necessária a se fazer. Temos focado tanto imitar pessoas que admiramos que não temos tempo para imitar a Cristo genuinamente.

Nesse momento em que me preparo para o início da vida matrimonial, peço a Deus para que me ajude a imitá-lo, andando em amor como Cristo, me entregando como oferta e sacrifício agradável a Ele, e ao fazer isso, sei que estarei prestando um culto a Deus, é isso que Ele espera de mim nesse momento. O que Deus espera de você nesse momento? Rogo a Deus que não me deixe carregar fardos maiores que os meus ombros podem carregar. Eu não preciso ser excelente em tudo, não preciso produzir tudo, não preciso ser absurdamente criativa, não preciso ter todas as respostas, preciso voltar meus olhos dia após dia para Efésios 5 e me lembrar que meu chamado é imitar a Cristo, seja fazendo pouco ou muito, seja com um ou dez talentos. Esse é o verdadeiro sentido. Por favor, não deixe que as redes sociais se tornem a sua Bíblia, liberte-se disso. Por favor, leia mais a Bíblia. Ao invés de saturar sua mente com imagens e informações excessivas, recolha-se e encha seus pensamentos com a Palavra de Deus. Essa tem sido a minha oração, que Deus acalme o meu coração, precisamos mais da Palavra, minhas irmãs, o mundo está roubando nossa identidade, precisamos reafirmá-la em Cristo, Nele somente, como filhas amadas que somos.

No amor de Cristo,

Prisca Lessa

EU DEVIA ME CASAR AMANHÃ – quando os planos de Deus não são os nossos

casamento, vida cristã

Eu devia me casar amanhã.
Sim, dia 04/07/2020, foi data escolhida para o nosso casamento. Mas, quem diria que o mundo passaria por tantas crises até que esse dia chegasse? Nem em nossas conversas mais pessimistas teríamos imaginado tantas mudanças, lágrimas, angústias e incertezas. Muitos planos foram desfeitos, outros foram modificados, ajustados, minimizados ou enxugados. Os sonhos com flores e grinaldas foram invadidos por máscaras, álcool em gel e distanciamento de cadeiras.
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Relutamos, ou melhor, eu relutei. Até o último instante, meu otimismo se manteve firme: “até julho tudo terá voltado ao normal, vamos manter a data sem nenhuma alteração”. O tempo foi passando e, como podem perceber, minhas previsões falharam miseravelmente. Havia duas opções: manter a data e realizar uma cerimônia com cerca de dez pessoas ou adiar e reestruturar algumas coisas. Eu estava muito mais propensa à primeira opção, mas, no fim das contas, percebi que precisava ceder e atender à voz do meu noivo e de nossa família.
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Assim, decidimos adiar o casamento para setembro. Confesso que me senti fraca ao fazer isso, parecia que eu não estava sendo suficientemente espiritual. Eu temia que o adiamento soasse como uma demonstração de falta de fé, não me parecia ser algo muito “de Deus” para o momento. No fundo, eu acreditava que realizar o casamento em julho resultaria em um testemunho muito mais bonito, para a minha própria glória. Ainda que ninguém visse esses pensamentos e sentimentos, Deus conhece os nossos ídolos, e Ele os destrona, não tenho dúvidas disso.
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Quando os planos de Deus não são os nossos, precisamos renunciá-los e abraçar os planos que Ele tem para nós. Creio que na maioria das vezes não é sobre os nossos planos – Deus não se opõe a eles, necessariamente, por vezes, eles são até bons – mas, é sobre o nosso coração.

Para Deus casar em julho ou setembro não é o ponto em questão, nunca foi – são só dois meses, no fim das contas – o ponto é que Deus faz com que todas as coisas cooperem para o bem daqueles que o amam e foram chamados segundo seu propósito: nos conformar à imagem de Cristo.
Se para nos conformar à imagem de Cristo Deus tiver que mudar a data do nosso casamento, Ele o fará. Contudo, se para nos conformar à imagem de Cristo Deus tiver que manter a data do nosso casamento e modificar toda a estrutura que sonhamos e planejamos, Ele também o fará; porque o fim de todas essas coisas é cooperar para o nosso bem maior: nos conformar à imagem de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Não é sobre os nossos planos.
Quando os planos de Deus não são os nossos, Ele nos convoca à auto renúncia, renunciar a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo. O processo é doloroso, é verdade, mas o fim é glorioso. Não a glória que desejamos para nós mesmas, mas a glória que Deus deseja receber a partir de nós. Se o casamento manifesta a glória de Cristo, que essa glória seja vindicada, já, enquanto caminhamos para ele. Se o casamento manifesta a glória de Cristo, que Ele seja glorificado conforme o desejar. Que nossos buquês, vestidos e grinaldas sejam colocados a serviço de sua glória. Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória (Sl 115:1)

I SEMANA TEOLÓGICA

Teologia

Olá, queridas, quero fazer um convite muito especial para vocês que acompanham o blog Teologia Para Mulheres. Esta semana, dos dias 22 a 26 de Junho realizaremos a I Semana Teológica Teologia para Mulheres!

O objetivo da Semana Teológico é servir à nossa missão de levar mais Teologia para as mulheres e trazer mais mulheres para a Teologia. Como? Produzindo textos, devocionais e estudos para encoraja-las a estudarem mais a Palavra de Deus e crescerem em graça e conhecimento;

Para esta semana, convidei algumas mulheres muito especiais com quem tenho tido o privilégio de aprender e conviver de alguma forma: Bruna Bedugli, Carol Baeta, Mirian Fernandes, Carla Juliana Melo, Norma Braga e Shyrley Ferraz. Cada uma delas tem muito a contribuir para o nosso crescimento.

A proposta da Semana Teológica é trazer temas teológicos que serão expostos por nossas convidadas em vídeos de até 15 minutos, de forma bastante prática e didática para aproximar a Teologia das mulheres. Nesta primeira edição abordaremos os seguintes temas:

– Teologia Sistemática
– Apologética
– Cosmovisão
– Missiologia
– Teologia & Beleza
– Aconselhamento

Todo o conteúdo será transmitido pelo IGTV do nosso perfil no Instagram @teologiaparamulheres_ e também em nosso canal no YouTube (sim! Agora temos um canal no YouTube, vejam só) Teologia Para Mulheres.

Também estamos com um canal no Telegram, onde diariamente tenho disponibilizado um caderno de estudos sobre cada tema da Semana Teológica.

Convido você a estarem conosco! Convidem suas amigas, compartilhem nossa I Semana Teológica, conto com vocês!

No amor de Cristo,

Prisca Lessa